Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Não à intervenção militar de Temer! Pela antecipação das eleições ao governo do estado!

A nova medida do governo Temer para o Rio de Janeiro possui motivações mais amplas do que propriamente a pacificação militar de um estado que apresenta traços claros de barbárie social.

Fernando Frazão/Agência Brasil
Fernando Frazão/Agência Brasil

O aprofundamento da crise econômica e a ausência de direção política local impôs uma medida ao governo federal que não terá efetividade, agravará a crise do Rio no médio prazo. O objetivo dessa medida não é resolver o problema, mas ganhar tempo. Não existem soluções de curto prazo para um estado conflagrado no nível em que se encontra o Rio de Janeiro. Diante da importância do estado na política nacional e da impossibilidade de manutenção de um governo central que perca completamente o controle do estado sede do grupo globo para a barbárie, Temer cartou alto: apresentou a proposta de intervenção militar na segurança pública do Rio.

A crise econômica nacional, a corrupção no governo do estado e na Petrobrás feriram profundamente a economia do Rio de Janeiro que apresenta índices de desemprego bastante superiores em relação ao resto do Brasil. Nos últimos três anos mais de meio milhão de postos de trabalho foram extintos, somente em 2017 foram 90 mil, um recorde nacional. O segundo estado foi Alagoas com o fechamento de 8,2 mil postos de trabalho. É possível sentir nas ruas a situação de colapso social e econômico com 14 mil moradores de rua, segundo dados oficiais, só na capital, três vezes mais que no ano de 2013.

A falência do projeto do PMDB e o aprofundamento da carestia, empurrou o estado para a pior crise de sua história. A vertiginosa decadência econômica, fruto de um pacto entre a lumpen-burguesia fluminense, de figuras como Eike Batista e Cavendish, com os governos do PMDB deixou o Rio na situação mais grave entre os estados da federação.

A insatisfação popular manifestada no carnaval nos desfiles da Tuiuti, Beija-Flor e Mangueira, associada ao sentimento de total caos social e criminalidade, seguramente acendeu a luz vermelha no Palácio do Planalto. A necessidade de imposição de uma “agenda positiva” e a pressão de setores da burguesia nacional — representados pela bancada da bala — juntamente com a rede Globo, devem ter contado pra decisão de intervenção militar na segurança pública do Rio de Janeiro.

Com tamanha crise econômica, é seguro afirmar que o varejo do trafico de drogas refluiu, impondo às diversas facções diversificação de suas atividades. O Rio de Janeiro é recordista em roubos de carga, em assassinatos de policiais e a violência é percebida com bastante intensidade nas ruas. Com a atuação de milícias e diversas facções atuando no tráfico de drogas, uma pactuação como já ocorreu nos moldes de São Paulo entre PCC e o governo do estado é algo absolutamente descartado. Além disso, o tráfico e a milícia são elementos de contenção na organização do povo pobre das favelas, a militarização generalizada da segurança pública do Rio de Janeiro será mais um elemento.    

A intervenção militar na segurança do Rio de Janeiro não é novidade nas favelas cariocas. A favela da Maré já ficou ocupada por mais de um ano entre 2014 e 2015, operação que custou aos cofres públicos mais de 600 milhões de reais. A efetividade dessa medida foi zero, e com o tempo os militares passaram a cometer as mesmas violações de direitos praticadas por forças policiais. O tráfico nunca parou de operar no período da ocupação.

A crise profunda do Rio de Janeiro, e a potencial militarização da segurança pública do estado, ao mesmo tempo em que abre um momento distinto no processo de luta política, impõe ao PSOL carioca a luta pelo poder no segundo estado da federação. O colapso dos políticos da ordem impõe como tarefa ainda mais urgente a luta pelo poder não só institucional, mas em organização e associação íntima com o povo do Rio de Janeiro, muito mais profunda do que foi ate agora. Disputando com a direita, que com a militarização da segurança pública do estado pode ganhar mais força no curto prazo, e com o PMDB, a máfia que no Rio colapsou mas que nacionalmente segue sustentando o governo Pezão. É necessário lutar pela construção de canal democrático junto ao povo, associações de moradores, bairros, juventude, trabalhadores e servidores do estado elaborando um programa para dar resposta à crise. Para isso o PSOL-RJ deve assumir a palavra de ordem de antecipação das eleições para governo do estado pelas condições especialmente graves do Rio de Janeiro. Não é possível admitir que a máfia que causou toda essa crise siga no governo. É inviável ter segurança pública enquanto parte da pior organização criminosa do estado, o PMDB, estiver no aparelho estatal.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Apresentamos uma revista especial sobre os 50 anos do Maio de 1968 com o orgulho de herdar uma tradição. Assim como a Comuna de 1871, a Revolução Russa de 1917 e as lutas contra as ditaduras na América Latina, consideramo-nos parte deste excepcional movimento mundial de luta política, protagonizado por jovens e trabalhadores de várias partes do mundo, como nas famosas barricadas de Paris. Consideramos suas lições e sua potência como atuais. Boa parte dos leitores da Revista Movimento participaram ativamente das Jornadas de Junho de 2013 em nosso país. Aos cinco anos deste acontecimento, queremos contribuir para o encontro e a síntese de tão distantes e ao mesmo tempo tão próximas gerações.

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