Por que não apoio Boulos
Guilherme Boulos posa ao lado de Lula - Ricardo Stuckert

Por que não apoio Boulos

Boulos não está disposto a se contrapor a Lula na disputa eleitoral. Queremos um PSOL como linha auxiliar do PT?

Sérgio Granja 17 fev 2018, 16:33

Boulos não poderia ser uma ótima opção para representar a esquerda radical no processo eleitoral de 2018? Parece que sim. Com Boulos, teríamos uma campanha popular, de massas, mesmo que sem um programa anticapitalista radical. Como diria Marx, um passo no movimento real vale mais do que mil programas. Mas o problema é que Boulos não está disposto a se contrapor ao Lula na disputa eleitoral. E mesmo que Lula não seja candidato, Boulos não está disposto a se contrapor ao PT. Mais do que isso, ele gostaria de ser o candidato do PT com o apoio do PSOL. Para defender qual programa? O mesmo programa água com açúcar que o petismo encarnou durante 14 anos nos governos Lula e Dilma, talvez indo um pouquinho além aqui ou ali.

Então, o problema da candidatura Boulos pelo PSOL é que ele não quer ser o candidato da esquerda radical, mas de um amplo leque de forças hegemonizado pelo lulopetismo.
No PSOL, há um setor que aposta nessa direção. Esse setor, majoritário no VI Congresso, sabe muito bem o que está fazendo quando acena com a candidatura Boulos, paralisando o partido por três meses, quando, então, se não der para ir de Boulos ou Lula, lança-se “qualquer um” que não atrapalhe o lulopetismo no primeiro turno e prepare a avenida da adesão ao lulismo no segundo turno.

Enfim, essa é a estratégia eleitoral dos que, dentro e fora do partido, querem o PSOL como linha auxiliar do PT.

No polo antitético estão os que querem prévias e a construção de uma programa anticapitalista. Estes, estão majoritariamente com Plinio Sampaio Jr., mas também com Nildo Domingos Ouriques e outras opções.

O problema Boulos está posto. Os próximos meses dirão se o PSOL está à altura do desafio.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

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A décima terceira edição da Revista Movimento dedica-se ao debate sobre os desafios da esquerda socialista no Brasil diante da crise nacional que se desenrola há anos e do governo Bolsonaro. Para tanto, foram convidados dirigentes do PSOL, do MES e de outras organizações revolucionárias que atuam no partido. O dossiê sobre a estratégia da esquerda e o PSOL reflete os desafios da organização de um polo socialista no interior do partido. Há também, na seção nacional, reflexões sobre a crise econômica brasileira, as revelações de The Intercept e as lutas da juventude e da negritude. As efemérides do centenário da escola Bauhaus e do cinquentenário do levante de Stonewall também aparecem no volume, além da tese das mulheres do MES para o Encontro de Mulheres do PSOL.