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Por que não apoio Boulos

Boulos não está disposto a se contrapor a Lula na disputa eleitoral. Queremos um PSOL como linha auxiliar do PT?

Guilherme Boulos posa ao lado de Lula - Ricardo Stuckert
Guilherme Boulos posa ao lado de Lula - Ricardo Stuckert

Boulos não poderia ser uma ótima opção para representar a esquerda radical no processo eleitoral de 2018? Parece que sim. Com Boulos, teríamos uma campanha popular, de massas, mesmo que sem um programa anticapitalista radical. Como diria Marx, um passo no movimento real vale mais do que mil programas. Mas o problema é que Boulos não está disposto a se contrapor ao Lula na disputa eleitoral. E mesmo que Lula não seja candidato, Boulos não está disposto a se contrapor ao PT. Mais do que isso, ele gostaria de ser o candidato do PT com o apoio do PSOL. Para defender qual programa? O mesmo programa água com açúcar que o petismo encarnou durante 14 anos nos governos Lula e Dilma, talvez indo um pouquinho além aqui ou ali.

Então, o problema da candidatura Boulos pelo PSOL é que ele não quer ser o candidato da esquerda radical, mas de um amplo leque de forças hegemonizado pelo lulopetismo.
No PSOL, há um setor que aposta nessa direção. Esse setor, majoritário no VI Congresso, sabe muito bem o que está fazendo quando acena com a candidatura Boulos, paralisando o partido por três meses, quando, então, se não der para ir de Boulos ou Lula, lança-se “qualquer um” que não atrapalhe o lulopetismo no primeiro turno e prepare a avenida da adesão ao lulismo no segundo turno.

Enfim, essa é a estratégia eleitoral dos que, dentro e fora do partido, querem o PSOL como linha auxiliar do PT.

No polo antitético estão os que querem prévias e a construção de uma programa anticapitalista. Estes, estão majoritariamente com Plinio Sampaio Jr., mas também com Nildo Domingos Ouriques e outras opções.

O problema Boulos está posto. Os próximos meses dirão se o PSOL está à altura do desafio.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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