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Falsas alegações de antissemitismo devem ser combatidas

O líder do partido trabalhista inglês Jeremy Corbyn vem sendo acusado injustamente de antissemitismo.

O líder trabalhista Jeremy Corbyn - Peter Nicholls/Reuters
O líder trabalhista Jeremy Corbyn - Peter Nicholls/Reuters

Parte da direita dos trabalhistas descreve os últimos ataques a Jeremy Corbyn como “um ponto de inflexão”. Eles dizem que esse é o momento em que os judeus levantaram-se contra o antissemitismo existente no interior do Partido Trabalhista.

O que eles também querem dizer com isso é que esse pode ser ao mesmo tempo um ponto de inflexão em sua luta contra Corbyn e a esquerda que ressurge no interior do partido.

Trabalhistas inimigos de longa data de Corbyn lançaram a maior rebelião contra ele desde que perderam a disputa pela liderança do partido em 2016. Isso é a culminação de mais de dois anos de acusações de antissemitismo contra a esquerda dos trabalhistas.

Desde que Corbyn foi eleito, políticos de direita e especialistas da mídia vem alegando que seu apoio aos palestinos encorajaria antissemitas a se juntar ao Partido Trabalhista.

Uma declaração feita no domingo pelo Conselho de Deputados Judeus e pelo Conselho de Liderança Judaica acusa a esquerda de “ódio obsessivo ao Sionismo, sionistas e Israel.”

E acrescentou: “Quando Jeremy Corbyn foi eleito líder do Partido Trabalhista, os judeus expressaram um profundo e sincero medo de como políticos como esse poderiam impactar em seu bem-estar.”

Essas acusações têm uma história maior do que a liderança de Corbyn. Geralmente alega-se que as críticas feitas a Israel pelos defensores da Palestina é antissemitismo. Defensores de Israel constantemente tentam confundir a crítica à ideologia fundadora de Israel, o Sionismo, com antissemitismo.

Esse não é o caso. O Sionismo não é simplesmente a ideia de que o povo judeu tem o direito a autodeterminação ou ao seu próprio Estado.

Trata-se da crença de que Israel deve ser um Estado exclusivamente judeu – e de que os Palestinos devem ser excluídos de qualquer forma de independência política. O racismo contra palestinos está em seu cerne.

Acusações semelhantes ganham um aspecto mais islamofóbico quando dirigidas a muçulmanos.

Muitos muçulmanos na Grã Bretanha identificam-se fortemente com os palestinos. Os racistas têm usado isso para rotular os muçulmanos como antissemitas – e acusar a esquerda de estar aliada aos antissemitas ao fazer campanha em comum com eles.

Isso é ajudado pela ideia de que o conflito na Palestina se trata de uma guerra entre muçulmanos e judeus – ou entre muçulmanos reacionários e a “democracia liberal” de Israel.

Agora novos elementos estão sendo adicionados a esta narrativa.

Teorias da conspiração antissemitas – como a de que os judeus controlam secretamente o governo e os bancos – começam a ganhar espaço entre a extrema direita. Elas eram um pilar da propaganda nazista.

Ainda que ao longo da última semana os comentaristas tenham tentado classificar essas iniciativas como um outra forma de “antissemitismo de esquerda”.

Dave Rich inclusive escreveu essa semana para o site da New Statesman que essas teorias vinham das “margens da esquerda”.

O Conselho de Deputados e o Conselho de Liderança Judaica afirmou que Corbyn era “alinhado ideologicamente a uma visão de extrema esquerda que era instintivamente hostil às principais comunidades judaicas.”

Não se trata de uma dispersão apontar que aqueles que acusam a esquerda de antissemitismo apoiam os Tories e a direita – e frequentemente não se incomodam em bajular os racistas entre eles.

O Grupo de Socialistas Judeus lembrou os apoiadores dessa ideia que o presidente do Conselho de Deputados Judeus, Jonathan Arkush, foi “um dos primeiros a parabenizar Donald Trump em sua eleição para Presidente dos Estados Unidos em nome do Conselho.”

Tudo isso apesar do fato de que Trump deliberadamente encorajou os seus apoiadores racistas de extrema direita – facilitando o retorno das marchas nazistas às ruas dos EUA.

Muitos desses representantes do parlamento trabalhistas que integraram o protesto que atacava Corbyn no Parlamento na segunda-feira também tentaram apelar para “preocupações” racistas sobre os imigrantes.

John Mann – o principal porta-voz anti-imigração dentre os representantes do parlamento trabalhistas – surpreendentemente ousou afirmar que “estamos contra o racismo.”

A luta contra o antissemitismo não pode ser separada da luta contra todas as formas de racismo. Onde o antissemitismo cresceu recentemente, como na Europa oriental, ele ocorre por trás de ataques contra muçulmanos, imigrantes e ciganos.

As pessoas que agora atacam Corbyn são inimigas do movimento anti-racista. Eles querem dividir e enfraquecer a esquerda que é a força que possui melhores chances de construir um movimento que possa enfrentar o antissemitismo.

Toda concessão ao argumento de que a esquerda é culpada pelo antissemitismo torna mais fácil para eles fazer isso.

 Artigo publicado por Socialist Worker. Tradução de Gustavo Rego para a Revista Movimento.

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Apresentação

Apresentamos uma revista especial sobre os 50 anos do Maio de 1968 com o orgulho de herdar uma tradição. Assim como a Comuna de 1871, a Revolução Russa de 1917 e as lutas contra as ditaduras na América Latina, consideramo-nos parte deste excepcional movimento mundial de luta política, protagonizado por jovens e trabalhadores de várias partes do mundo, como nas famosas barricadas de Paris. Consideramos suas lições e sua potência como atuais. Boa parte dos leitores da Revista Movimento participaram ativamente das Jornadas de Junho de 2013 em nosso país. Aos cinco anos deste acontecimento, queremos contribuir para o encontro e a síntese de tão distantes e ao mesmo tempo tão próximas gerações.

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