Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Manifesto: Marielle Somos Nós!

Não deixaremos morrer a memória de Marielle, muito menos sua luta. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?

Por menos que conte a história
Não te esqueço, meu povo
Se Palmares não vive mais
Faremos Palmares de novo

Há 30 dias, a companheira Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes eram executados a tiros em uma rua no centro do Rio de Janeiro. Marielle havia acabado de sair de um debate com jovens negras e foi alvo de 13 tiros ainda não explicados, mas diretamente relacionados com sua luta em defesa dos direitos humanos, da luta da negritude e das mulheres da periferia. As investigações prosseguem, mas nossa pergunta “quem matou Marielle?” continua sem resposta.

Marielle era uma de nós. Era cria da favela da Maré. Mulher negra, bissexual, mãe, militante do PSOL e uma voz da população pobre na Câmara dos Vereadores do Rio. Participante de cursinho popular, iniciou sua militância em direitos humanos após ter uma amiga assassinada durante uma troca de tiros entre policiais e traficantes. Foi assessora do deputado Marcelo Freixo e fez parte da dura luta contra a violência em seu estado.

Em 2016, foi eleita vereadora com quase 50 mil votos e construiu um mandato em defesa dos direitos da população pobre, das mulheres, da negritude. Uma de suas marcas foi a denúncia firme contra a violência de estado e seu questionamento sobre as mortes da guerra às drogas expressavam sua política de indignação e resistência.

Uma guerra contra o povo

Essa guerra que assassinou Marielle e executa tantos outros todos os dias é produto de um Estado falido que se utiliza da violência para calar a maioria negra da população. Os esquemas denunciados por Marielle são parte de uma lógica de repressão estrutural onde o racismo não figura como uma questão ética ou moral, mas como um dispositivo econômico extremamente necessário para manter a exploração capitalista. As relações racistas herdadas da escravidão são parte estrutural da história das classes sociais brasileiras, e se utilizam de mecanismos como a criminalização da pobreza e a guerra às drogas para oprimir as maiorias negras das periferias.

É nos territórios de periferia que a economia do tráfico se desenvolve, totalmente amparada por um regime de pactuação das elites que necessita das finanças vindas de origens ilegais para se manter, ainda que essa engrenagem gere mortes e encarceramento da população negra. Nesse processo, um modelo de pesada repressão promove um verdadeiro genocídio contra essa maioria do povo que não interessa economicamente à lógica da concentração de renda. As milícias no Rio de Janeiro, assim como a própria intervenção federal, são parte desse processo que lucra com o sangue de jovens negras e negros ao mesmo tempo que os estigmatiza e criminaliza.

Precisamos enfrentar esse modelo falido de Estado! É preciso lutar por democracia real, para que os explorados tenham voz de fato na política, e para isso é preciso uma guerra por justiça. A luta por justiça para Marielle é nossa luta central e não iremos descansar enquanto esse crime não for esclarecido e os responsáveis não forem punidos. Marielle são todas e todos nós, e fazer justiça por ela é parte da luta por nós mesmos.

Marielle floresce em nossa luta

Marielle não era apenas uma vereadora, era a representação da voz dos favelados, oprimidos, dos pretos e pobres, das mulheres desse país. Ela representava a necessidade de lutar por um mundo melhor. E é por isso que a luta por justiça ordena todas as outras mobilizações nos dias hoje. Não é sua única expressão, existem movimentos de direita se organizando e ocorrem abusos antidemocráticos evidentes, como na prisão de Lula, que o impede de ser candidato e prova um elemento de fraude nas eleições. Nos somamos a essa visão, mas não aceitaremos nenhuma tentativa de utilização da morte de Marielle para a defesa de um projeto político diferente de sua luta, e nesse sentido levaremos a mobilização por justiça.

Como parte dessa memória e dessa luta, a Rede Emancipa mudará seu símbolo e incluirá um perfil da companheira Marielle enquanto durar esse movimento por justiça. A mobilização por Marielle é a mobilização por uma outra forma de fazer política, é a mobilização pela resistência da negritude e das mulheres contra um aparato repressivo comandado por pequenas elites privilegiadas. Como um movimento social de educação, estamos nessa luta e não descansaremos enquanto não houver justiça para Marielle, um passo fundamental na luta por justiça para todas e todos.

Enquanto continuarem tentando calar nossas vozes, continuaremos gritando ainda mais alto. Não deixaremos morrer a memória de Marielle, muito menos sua luta. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?

Não daremos um passo atrás! Marielle somos nós!

Manifesto originalmente publicado no site da Rede Emancipa.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Publicamos a décima edição de nossa Revista Movimento. Dessa vez, celebramos os 80 anos de fundação da IV Internacional, comemorados em setembro de 2018, com uma seção especial. Há, também, artigos na seção internacional e de teoria. Fechamos esta edição quando a eleição brasileira se encerrava. Como não poderia deixar de ser, nesta décima edição de Movimento, apresentamos nossas primeiras análises sobre os resultados eleitorais. Sabemos que a vitória de Jair Bolsonaro trará graves ataques à classe trabalhadora e ao povo brasileiro. Estaremos com nosso povo, lutando em defesa das liberdades democráticas e de nossos direitos. Mais uma vez, esperamos que a revista seja uma ferramenta útil de construção e formação para nossos camaradas. Boa leitura!

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