Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

“Crise carcerária e o Massacre de Carabobo: O estado é responsável”

Corrente venezuela trata de massacre ocorrido em presídio onde 68 detentos foram mortos em decorrência provavelmente de ação policial.

Polícia reprime familiares de vítimas de massacre em Carabobo - Reprodução
Polícia reprime familiares de vítimas de massacre em Carabobo - Reprodução

Desde Marea Socialista queremos nos pronunciar com indignação ante a terrível tragédia ocorrida em Carabobo no último 29 de março, evento que ainda não foi esclarecido de forma oficial.

Apesar da falta de informação a certeza é de que há 68 famílias enlutadas por um acontecimento que é de absoluta responsabilidade do estado, já que não existe condição de maior dependência e controle por parte do estado que a que se vê exposto um preso. Muitos meios insistiram em denominar o fato como um massacre já que entre as versões dos familiares encontra-se que foram os próprios policiais os que jogaram gasolina nos réus, inclusive tendo se mencionado um enfrentamento. O que é certo, mais além da gestão discricionária e obscura que teve o governo através das forças de segurança e instituições envolvidas é que não se pode ocultar a terrível situação das cárceres venezuelanas e o abandono absoluto dos já 45 000 presos que se encontram num sistema carcerário que só pode receber 8 000 réus.

Os números são dramáticos, não só no Centro de Detenção de Carabobo, onde as celas tinham uma lotação de 600% com presos que ali estavam há meses ou mesmo anos à espera de um julgamento. Estes centros de detenção ou ¨mini- cárceres¨ também estão saindo de controle. Não existe uma mínima garantia por parte do estado, os presos estão amontoados, sem comida, sem atenção médica e sob uma estratificação social imposta pelos “capos” que governam por cima da polícia e da lei.

O governo deve assumir sua responsabilidade e ainda que o processamento de policiais seja um passo no caminho da justiça não se pode deixar de lado que este evento é resultado da deliberada omissão do estado em seu dever de assegurar e proteger a vida da população em geral, incluindo os detentos e seus familiares.

Indigna ainda mais saber que a resposta ante o desespero pela falta de informação e o péssimo tratamento os familiares das vítimas foram reprimidos com gases lacrimogêneos enquanto exigiam respostas.

Ficou demonstrado uma vez mais que ao governo não lhe interessa o povo humilde e que sua política de omissão a seus deveres ante a população e através de um pacto mafioso com os “capos” degenerou-se em inferno os cárceres onde também predominam as castas, os privilégios e a exclusão.

Exigimos: Que se faça justiça e que o governo ao menos tenha a decência de de remover Iris Valera de seu cargo de ministra, já que estes acontecimentos são de sua responsabilidade direta.

– Que se detenha o uso inapropriado das delegacias como lugares de detenção.

– Agilização de todos os processos judiciais e cumprimento das disposições legais pelo sistema carcerário.

– Justiça e atenção para as famílias.

4 de abril

Artigo originalmente publicado em aporrea.org

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Publicamos a décima edição de nossa Revista Movimento. Dessa vez, celebramos os 80 anos de fundação da IV Internacional, comemorados em setembro de 2018, com uma seção especial. Há, também, artigos na seção internacional e de teoria. Fechamos esta edição quando a eleição brasileira se encerrava. Como não poderia deixar de ser, nesta décima edição de Movimento, apresentamos nossas primeiras análises sobre os resultados eleitorais. Sabemos que a vitória de Jair Bolsonaro trará graves ataques à classe trabalhadora e ao povo brasileiro. Estaremos com nosso povo, lutando em defesa das liberdades democráticas e de nossos direitos. Mais uma vez, esperamos que a revista seja uma ferramenta útil de construção e formação para nossos camaradas. Boa leitura!

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