Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

“Raúl Castro sai da presidência, mas não sai do poder”

Em entrevista à Radio USP, historiadora comenta as eleições que levaram Miguel Díaz-Canel à presidência de Cuba.

O novo presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, ao lado do ex-presidente Raúl Castro na Assembleia Nacional em Havana - IRENE PEREZ AP
O novo presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, ao lado do ex-presidente Raúl Castro na Assembleia Nacional em Havana - IRENE PEREZ AP

Uma mudança histórica está para acontecer em Cuba: Raúl Castro, atual presidente da ilha, deixa o cargo nesta semana, acabando com a era dos irmãos Castro no poder. Seu provável sucessor é Miguel Díaz-Canel, um civil de 57 anos, integrante do Partido Comunista de Cuba. A professora Joana Salem Vasconcelos, historiadora especialista em América Latina, diz que, sob o aspecto geracional, essa será uma mudança importante, visto que as novas figuras políticas não viveram a experiência da revolução cubana; mas que, do ponto de vista político e programático, a eleição representa uma continuidade.

Seguindo os passos de Raúl Castro, Miguel Díaz-Canel deve aprofundar as reformas econômicas que ampliam a participação do setor privado na ilha, que hoje ocupa 12% da força de trabalho nacional, afirma Joana. Alguns analistas entendem que a medida pode pôr em risco o sistema socialista, outros dizem tratar-se de uma abertura de mercado de pequenas proporções e que a soberania estatal da economia está garantida. Castro e Díaz-Canel atestam o caráter irrevogável do socialismo cubano e acreditam ser possível organizar uma sociedade socialista com um setor privado minoritário.

A professora conta que, dentro da oposição em Cuba, há grupos de esquerda que pedem maior democratização política e ampliação do poder popular, e outros de direita, capitalistas e liberais, que desconsideram o processo eleitoral e optam por não participar das eleições. Segundo Joana, esses últimos se encontram bastante distantes da população, que legitima os processos organizados pelo governo cubano, como indica a alta participação popular nas eleições – 82% em 2017 –, num país onde o voto é facultativo.

Material produzido e originalmente vinculado pela Rádio USP.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Apresentamos uma revista especial sobre os 50 anos do Maio de 1968 com o orgulho de herdar uma tradição. Assim como a Comuna de 1871, a Revolução Russa de 1917 e as lutas contra as ditaduras na América Latina, consideramo-nos parte deste excepcional movimento mundial de luta política, protagonizado por jovens e trabalhadores de várias partes do mundo, como nas famosas barricadas de Paris. Consideramos suas lições e sua potência como atuais. Boa parte dos leitores da Revista Movimento participaram ativamente das Jornadas de Junho de 2013 em nosso país. Aos cinco anos deste acontecimento, queremos contribuir para o encontro e a síntese de tão distantes e ao mesmo tempo tão próximas gerações.

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