“Raúl Castro sai da presidência, mas não sai do poder”

Em entrevista à Radio USP, historiadora comenta as eleições que levaram Miguel Díaz-Canel à presidência de Cuba.

Joana Salem Vasconcelos 23 abr 2018, 12:48

Uma mudança histórica está para acontecer em Cuba: Raúl Castro, atual presidente da ilha, deixa o cargo nesta semana, acabando com a era dos irmãos Castro no poder. Seu provável sucessor é Miguel Díaz-Canel, um civil de 57 anos, integrante do Partido Comunista de Cuba. A professora Joana Salem Vasconcelos, historiadora especialista em América Latina, diz que, sob o aspecto geracional, essa será uma mudança importante, visto que as novas figuras políticas não viveram a experiência da revolução cubana; mas que, do ponto de vista político e programático, a eleição representa uma continuidade.

Seguindo os passos de Raúl Castro, Miguel Díaz-Canel deve aprofundar as reformas econômicas que ampliam a participação do setor privado na ilha, que hoje ocupa 12% da força de trabalho nacional, afirma Joana. Alguns analistas entendem que a medida pode pôr em risco o sistema socialista, outros dizem tratar-se de uma abertura de mercado de pequenas proporções e que a soberania estatal da economia está garantida. Castro e Díaz-Canel atestam o caráter irrevogável do socialismo cubano e acreditam ser possível organizar uma sociedade socialista com um setor privado minoritário.

A professora conta que, dentro da oposição em Cuba, há grupos de esquerda que pedem maior democratização política e ampliação do poder popular, e outros de direita, capitalistas e liberais, que desconsideram o processo eleitoral e optam por não participar das eleições. Segundo Joana, esses últimos se encontram bastante distantes da população, que legitima os processos organizados pelo governo cubano, como indica a alta participação popular nas eleições – 82% em 2017 –, num país onde o voto é facultativo.

Material produzido e originalmente vinculado pela Rádio USP.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Ver todos

Podcast Em Movimento

Capa da última edição da Revista Movimento
Esta é a vigésima primeira edição da Revista Movimento, dedicada aos debates em curso do VII Congresso Nacional do PSOL. Nela encontram-se artigos de análise, polêmica e discussão programática para subsidiar os debates de nossos camaradas em todo o país e contribuir com a batalha pela pré-candidatura de nosso companheiro Glauber Braga à presidência da República pelo PSOL. A edição também conta com análises de importantes questões internacionais contemporâneas e de outros temas de interesse, como os desafios da luta pelo “Fora, Bolsonaro” e as crises hídrica e elétrica no Brasil. Num ano de 2021 ainda marcado pela tragédia da pandemia da Covid-19 e pelo descaso criminoso de governos em todo o mundo, lamentamos a perda de nosso grande camarada Tito Prado (1949-2021), militante internacionalista e dirigente de Nuevo Perú. A ele dedicamos esta edição de nossa revista e, em sua homenagem, publicamos artigos em sua memória. Boa leitura!