David Almeida não é uma opção para o PSOL

A possibilidade de apoio ao candidato do PSB no estado do Amazonas seria uma monstruosidade política.

Luiz Fernando de Souza Santos 17 maio 2018, 13:25

Compreendo o PSOL como um partido que não se reduz aos jogos eleitorais. Estes são apenas parte das lutas socialistas travadas em diversos campos por seus militantes país afora. Mas aqui, vou me ater ao movimento que antecede às eleições de 2018 no Amazonas.

Li um texto, “Eleições 2018 no Amazonas: a oligarquia vai com quatro frentes” num blog local, de Elson Melo, sobre o cenário político amazonense. O autor aponta que as quatro frentes formadas em torno de candidaturas ao governo do Estado são representativas das oligarquias locais. O autor tipificou uma frente que é de causar mau estar. Em apoio à candidatura de David Almeida (PSB) foram relacionados os seguintes partidos: PT, PcdoB, PMN, REDE e PSOL. Esta possibilidade é uma monstruosidade política.

David Almeida, vale lembrar, foi líder do governador cassado e preso, José Melo. De líder, foi alçado à Presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, na qual foi fiel escudeiro do governador corrupto.

Como governador, José Melo, vulgo Zé Merenda, desmontou o sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação estadual que se tornara referência em âmbito nacional. A política de fomento à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico regrediu uns quinze anos! David Almeida esteve junto neste desmonte.

Zé Merenda empreendeu uma política feroz contra o sistema de atendimento público à saúde da população. Como líder de governo e como Presidente da ALEA-AM, David Almeida aplaudiu tal medida.

Hoje, sabe-se de um esquema criminoso que foi montado para desviar recursos da saúde do Estado durante o governo de Melo. Cassado, o governador foi preso pelos crimes de corrupção passiva, ocultação de bens e associação criminosa. Veio a público, inclusive, um ramal que fora asfaltado até o sítio de Melo e envolveu o desvio de recursos públicos para fins particulares da ordem de oito milhões de reais que, na verdade, é uma ninharia diante do montante que a quadrilha roubou. David Almeida, neste período foi líder e depois presidente da ALE-AM.

O candidato David Almeida pode alegar que desconhecia tais esquemas, mas não pode negar que sabia do esquema montado com facções do crime organizado e membros da cúpula da PM para a eleição de José Melo ao Governo do Estado. Este escândalo teve repercussão nacional. Mesmo assim, David Almeida aceitou ser o fiel líder de Melo.

Tais fatos indicam que, considerar uma frente em apoio à candidatura de David Almeida com a participação do PSOL pode ser até possível como experimento da reflexão política. Porém, no plano do movimento do real, na materialidade da vida, o PSOL apoiar uma candidatura desta é jogar na lata do lixo o capital simbólico que tem construído em âmbito nacional desde sua fundação.

Este é um partido marcado pela defesa do mundo do trabalho, da juventude negra, pobre, favelada, da comunidade LGBT, de quilombolas, de indígenas, enfim, da grade massa polissêmica e multifacetada que compõem os estratos subalternizados desta nação.

Valem lembrar, sempre, que foi por causa deste campo de luta, da opção pela periferia, que no dia 14 de março de 2018, o PSOL perdeu um de seus mais valorosos quadros. Marielle Franco foi assassinada como tantas outras lutadoras e lutadores que ousaram lutar por uma sociedade menos autoritária, menos racista, menos excludente. O crime político que matou Marielle foi forjado no ódio que a elite brasileira devota aos debaixo da estrutura social.

Nas lutas do PSOL, no sangue derramado de Marielle Franco, não cabem, portanto, coligações com nomes que saem direto do berço das oligarquias do Amazonas. Apoiar David Almeida é manchar as lutas do PSOL. Apoiar David Almeida é escarnecer do legado de Marielle.

Diante disso, para o PSOL Amazonas, o caminho passa longe dos herdeiros do pior da política amazonense. David Almeida não é uma opção honesta com o programa do PSOL, posto que não é uma candidatura politicamente sintonizada com aquelas e aqueles que vivem do trabalho. A tarefa do PSOL, neste contexto é se apresentar como alternativa efetiva à barbárie que assola os subalternos da sociedade amazonense. Para tal, o PSOL deve ter a coragem de apresentar candidatura própria.


TV Movimento

Revista Retomada estreia com debate sobre fascismo

Em entrevista para a TVT, Vladimir Safatle fala sobre a nova revista Retomada, publicada em iniciativa conjunta do MES-PSOL, intelectuais e artistas da esquerda socialista

Lançamento do Manifesto por uma Revolução Ecossocialista na Conferência Antifascista

Atividade de Lançamento do Manifesto por uma Revolução Ecossocialista, organizada pela IV Internacional durante a 1ª Conferência Internacional Antifascista, ocorrida em Porto Alegre entre os dias 26 e 29 de março de 2026

Pré-Conferência Antifascista em SP reforça unidade de luta contra o fascismo

Atividade preparatória em São Paulo para a I Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, que acontecerá entre os dias 26 e 29 de março de 2026, em Porto Alegre
Editorial
Israel Dutra | 24 set 2026

Entre dois mundos

Temos a tarefa histórica de amplificar o discurso antifascista e anti-imperialista nas eleições, indo para as ruas com todas as forças contra a extrema direita
Entre dois mundos
Publicações
Capa da última edição da Revista Movimento
Conheça a Revista Retomada!
A Revista Retomada é uma publicação trimestral produzida pelo Movimento Esquerda Socialista (MES-PSOL) em articulação com intelectuais, militantes e artistas
Ler mais

Podcast Em Movimento

Colunistas

Ver todos

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Ver todos

Podcast Em Movimento

Capa da última edição da Revista Movimento
A Revista Retomada é uma publicação trimestral produzida pelo Movimento Esquerda Socialista (MES-PSOL) em articulação com intelectuais, militantes e artistas

Autores