Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

A primavera de Praga

Na antiga Tchecoslováquia, a população se levantou contra a burocracia pela construção de um socialismo livre.

Repressão durante a Primavera de Praga, em 21 de agosto de 1968 - Gamma-Keystone/Getty
Repressão durante a Primavera de Praga, em 21 de agosto de 1968 - Gamma-Keystone/Getty

A Primavera de Praga, com sua influência internacional, simboliza a dinâmica que o ano de 1968 teve no Leste. A luta por uma “Tchecoslováquia livre e socialista” – conforme dizia um dos comitês criados a Oeste contra a intervenção dos tanques soviéticos – engolfou-se numa das várias fissuras que abalaram o enquadramento limitador da divisão bipolar do mundo imposto pela Guerra Fria: os alinhamentos “campistas” que os PCs stalinistas queriam impor (apoiar o campo soviético sem crítica, sob pena de ser taxado de agente opositor do campo imperialista) caíram por terra.

Em tempos anteriores, os países ditos socialistas enfrentaram crises diversas desde a Segunda Guerra. O conjunto dessas crises revelava a grande diferença entre o ideário socialista proclamado por esses regimes e a realidade. A explosão democrática da Primavera de Praga, como o menos “visível” junho de 1968 de Belgrado, não respeitava os limites do partido único, mesmo reformista, que operava em nome dos trabalhadores e da população e as suas custas. Tal “momento” de bifurcação histórica condensou uma acumulação de tensões que, da Segunda Guerra até depois do XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, reconsiderou a dominação stalinista sem ser capaz de estabelecer uma alternativa socialista coerente.

O Partido Comunista da Tchecoslováquia, com centenas de milhares de membros, era um dos mais importantes da região. Mal passou por mudanças tímidas nas suas equipes stalinistas no poder – a nomeação de Alexandre Dubcek como Primeiro Secretário do partido eslovaco em 1963 mostra bem isso. A Tchecoslováquia, inicialmente mais desenvolvida que os outros países da zona de controle soviético, passou por uma forte diminuição de seu crescimento durante os anos de 1960, sinal dos limites de um crescimento extensivo embasado numa planificação hipercentralizada, como era o modo soviético. Além disso, essa estrutura que beneficiava os poderes de Praga era encarada pela Eslováquia como ameaça à diversidade nacional – um sentimento denunciado como “nacionalismo burguês” pelo dirigente conservador Antonin Novotny. Na literatura (com Milan Kundera e Vaclav Havel), no cinema ou no jornalismo (com o novo diretor da televisão, Jiri Pelikan), vários intelectuais militaram contra a censura.

Este artigo faz parte do livro 50 anos das revoluções de 1968: O início de uma luta prolongada. Para ler este e demais textos, compre a edição especial de n. 9 da Revista Movimento aqui!

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Apresentamos uma revista especial sobre os 50 anos do Maio de 1968 com o orgulho de herdar uma tradição. Assim como a Comuna de 1871, a Revolução Russa de 1917 e as lutas contra as ditaduras na América Latina, consideramo-nos parte deste excepcional movimento mundial de luta política, protagonizado por jovens e trabalhadores de várias partes do mundo, como nas famosas barricadas de Paris. Consideramos suas lições e sua potência como atuais. Boa parte dos leitores da Revista Movimento participaram ativamente das Jornadas de Junho de 2013 em nosso país. Aos cinco anos deste acontecimento, queremos contribuir para o encontro e a síntese de tão distantes e ao mesmo tempo tão próximas gerações.

Solzinho

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

Leon Trotsky Joseph Stalin

MES: Movimento Esquerda Socialista MES: Movimento Esquerda Socialista