Abaixo o Congresso?

Abaixo o Congresso?

Nas últimas semanas, cresceram os protestos contra o Congresso peruano e as instituições legislativas do país.

Tito Prado 16 jun 2018, 14:39

Nas últimas semanas, vimos crescer o protesto contra o impressionante desperdício de dinheiro no Congresso. Embora haja congressistas decentes que façam a diferença, de conjunto a instituição está no menor nível de aprovação pois é associado com a corrupção que assola o país. Desde a bancada do MNP apresentaram-se diversas iniciativas legislativas para restringir cada vez mais a corrupção, mas estas se encontram travadas pela maioria fuji-aprista.

Não estranha, portanto, que o novo cardeal diga que o Congresso está de costas para o povo e com isso ganhe grande simpatia contrastando com a antipatia que gera o seu antecessor Juan Luis Cipriani que recebeu uma condecoração por parte da mesa diretora aprofujimorista justamente porque nunca se meteu com eles.

As pesquisas dizem que 41% da população acredita que o Congresso é uma instituição corrupta e somente cerca de 15% confia no Congresso. Então é natural que cresça o descontentamento com o Congresso, mas atenção, pedir que fechem o Congresso é dar a Vizcarra uma arma muito potente de arbitrariedade.

A única maneira que o fechamento do Congresso não dê lugar a um regime mais autoritário e antidemocrático é através da convocatória de Eleições Gerais antecipadas. Com isso não só se vai o Governo mas também o Congresso. Mas para que essa saída seja verdadeiramente democrática requer-se que seja acompanhada de novas regras de jogo que equiparem o piso para todos, em especial para as novas opções.

Um novo governo emanado de eleições limpas pode encabeçar um processo constituinte que termine numa nova carta magna e permita refundar a República sobre novas bases, começando pela recuperação de nossa soberania frente ao bicentenário. É disso que se trata, de pegar com o norte claro e não ceder às tentações anarquistas que acabam por salvar a pele de Vizcarra.

Artigo originalmente no Portal da Esquerda em Movimento.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.