Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Auricchio contra a parede. O que fazer?

O prefeito da cidade de São Caetano, no interior de São Paulo, foi denunciado por caixa 2 e formação de quadrilha.

O prefeito Jose Auricchio Junior - Reprodução
O prefeito Jose Auricchio Junior - Reprodução

A última semana tem sido difícil para o atual prefeito, Jose Auricchio Junior (PSDB), e seu vice Beto-Vidosky. Os dois juntamente com outras 7 pessoas, dentre elas o suplente de vereador Barbato também do PSDB, foram denunciados pelo Ministério Público ao Tribunal Regional Eleitoral por “caixa 2” e formação de quadrilha.

A denunciando Ministério Público coloca em xeque, inclusive, a legitimidade do último processo eleitoral. Isso porque, quase metade dos recursos utilizados na campanha tucana foram frutos de arrecadação financeira ilegal.

Várias implicações podem se tirar dessa notícia que agita a cidade, vamos a algumas delas. Em primeiro lugar, o mais simples e direto para nós socialistas: o poder político e a democracia estão, assim como sempre estiveram, capturados pelo poder econômico. A proibição do financiamento empresarial de campanha não impossibilitou a prática no financiamento eleitoral e os candidatos burgueses seguirão utilizando desse mecanismo como barganha e troca de favores com os grandes empresários. Isso só demonstra que apesar da importância da disputa eleitoral, esse não é o nosso terreno e para mudar profundamente a realidade precisaremos ir muito além do plano eleitoral.

Quanto a popularidade e a força política desse governo, que já estavam em baixa, agora devem virar pó. A força do Auricchio era fruto exclusivamente das negociatas com a Câmara dos Vereadores, porque com a população nunca teve maioria real de apoio. O prefeito foi eleito com menos de 30% da população e desde então com os ataques aos servidores públicos, aos artistas da cidade e especialmente com o tarifaço da taxa do lixo, sua legitimidade foi corroída. Com essa denuncia até seu apoio parlamentar pode sofrer rachas, os ataques que sofreu na última sessão da Câmara do vereador Cesar Oliva (PR) indicam isso.

O que tudo isso significa? Que embora não esteja dada, a possibilidade da queda do prefeito existe. Diante disso, o que fazer?

Primeiro é preciso entender, em linhas gerais, os trâmites legais. Se Auricchio for cassado quem assume é o Presidente da Câmara, atualmente Pio Miello (PMDB), que deverá convocar novas eleições em 90 dias. Porém, após a ultima contra-reforma eleitoral do corrupto Eduardo Cunha, caso isso ocorra nos últimos 6 meses de mandato a decisão é por eleições indireta pelos vereadores. A nossa primeira tarefa e do conjunto da organizações progressistas da cidade é colocar o “bonde na rua” e evitar que as elites locais respondam com uma saída anti-democrática para essa profunda crise de hegemonia na cidade. Precisamos nos esforçar na construção de panfletagens, manifestações, inserções nas mídias sociais e diálogo com os setores que se mobilizaram no último período para construir a unidade pelo Fora Auricchio e por Diretas já (não necessariamente com esse mote, mas com esse sentido).

Mais ainda, é preciso diferenciar o desafio que teremos pela frente com o que tivemos até agora. O que está fragilizado agora é o próprio poder político e não uma ação ou outra da Prefeitura. Por isso, precisamos disputar, com empenho e evitando vacilações, a direção desse processo. Isso porque, certamente teremos pela frente os velhos coronéis hoje fora do grupo dominante (como os Tortorellos) mas também a nova direita reacionária representada pelo MBL e parlamentares como Cesar Oliva (PR).

Caso essas apostas se concretizem, essa disputa continuará para além da derrubada do prefeito, mas também, pela

construção de uma alternativa pra cidade. Um processo eleitoral disputado nessas condições abre mais brechas do que uma eleição ordinária, podendo nos colocar em outro patamar de disputa na cidade e de organização de um campo real de oposição. Isso porque, com menos tempo as burocracias eleitorais se preparam menos e num cenário de radicalização dos ânimos da população o nosso projeto tem maior aderência.

Por isso, a esquerda socialista não poderá vacilar! Teremos que organizar a unidade com a direção majoritária do PSOL para a disputa da prefeitura e evitar que cometam o mesmo erro de alianças com partidos da ordem, como a Rede, o PT, o PCdoB e o PDT.

Há 2 anos construímos uma candidatura a vereança com o mote da derrubada dos coronéis da cidade e mostrando que todos eles eram iguais. A formulação coletiva, derivada de uma intervenção do camarada Lucas, se mostrou acertada. É preciso derrubar esses coronéis e a população no último período tem se mobilizado para isso, é hora de sermos o elo desses processos para derrubar alguns representantes dessa oligarquia

Além disso, mostrou-se mais uma vez a necessidade da disputada da pauta da corrupção pela esquerda. Temer está em frangalhos em grande parte por isso e agora também Auricchio. Se não o fizermos a direita o fará e poderemos ver a vitória de um projeto mais reacionário na cidade.

Por fim, algumas tarefas são urgentes:

1- Todos e todas para a Câmara terça dia 19. Temos que ser o primeiro setor a se mobilizar contra esse governo corrupto.

2- A construção de um material de agitação pelo Fora Auricchio e denunciando o caso. Precisamos organizar banquinhas de panfletagem da pré-candidatura em unidade com a derrubada do governo.

3- Assim como fizemos no boom da Taca do Lixo, precisamos colocar todas nossas capacidade de divulgação virtual nessa pauta. Podemos crescer e dirigir o debate político com nossas páginas.

4- Articular em conjunto com o PSOL uma alternativa jurídica que paute o debate político.

5- Organizar para o próximo período amplas mobilizações na rua pelo Fora Auricchio. Iniciando pela participação na ampla reunião do dia 23 no Chico Mendes tirado pelo PSOL.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Apresentamos uma revista especial sobre os 50 anos do Maio de 1968 com o orgulho de herdar uma tradição. Assim como a Comuna de 1871, a Revolução Russa de 1917 e as lutas contra as ditaduras na América Latina, consideramo-nos parte deste excepcional movimento mundial de luta política, protagonizado por jovens e trabalhadores de várias partes do mundo, como nas famosas barricadas de Paris. Consideramos suas lições e sua potência como atuais. Boa parte dos leitores da Revista Movimento participaram ativamente das Jornadas de Junho de 2013 em nosso país. Aos cinco anos deste acontecimento, queremos contribuir para o encontro e a síntese de tão distantes e ao mesmo tempo tão próximas gerações.

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