Nenhum ser humano é ilegal! Parar a política monstruosa de Trump!
Boris Baldinger

Nenhum ser humano é ilegal! Parar a política monstruosa de Trump!

Exigimos o fim da política de anti-imigrantes do governo americano.

As brutais imagens das prisões e de centros de detenção para crianças chocaram o mundo. Separados de seus pais, o que vimos como medidas repressivas contra imigrantes foi monstruoso. O que se viu em McAllen no sul do Texas foi um visão desumana de crueldade, que pode ser comparada com métodos fascistas.

A política de “tolerância zero” de Donald Trump deu um salto nos últimos dias. Há meses vem levando adiante ataques e perseguição contra imigrantes e refugiados (14% da população dos EUA), onde mais de 2 300 crianças já foram separadas de seus pais desde abril deste ano e abrigadas em três centros de detenção, numa atrocidade que a Anistia Internacional classifica como “tortura”. Crianças enjauladas e guardas cruéis, como se pode conhecer em vídeos e áudios que circularam nas redes, se somam ao projeto xenofóbico encampado por Trump, que inclui desde a construção de um muro na fronteira com o México, a suspensão do DACA até o veto migratório para alguns países árabes.

Cada vez mais isolado e contestado no cenário internacional e criticado até mesmo por setores do Partido Republicano, Trump ataca os mais básicos direitos humanos, e diante das críticas à sua vileza, retirou os Estados Unidos da Comissão de Direitos Humanos da ONU. Em seu estilo torpe, agitou pelo twitter que não iria pedir desculpas nem deixar os Estados Unidos tornarem-se um “grande campo de refugiados”.

O problema dos imigrantes hoje é central. É a ponta de lança dos reacionários e conservadores no mundo. Nesta semana, por exemplo, o ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini (não por acaso, um admirador de Trump) sugeriu o recenseamento e a expulsão de ciganos que vivem neste país, escandalizando a opinião pública europeia. Do outro lado do Atlântico, Trump coloca este discurso em prática, agredindo os imigrantes e refugiados, assim como agride as mulheres, as crianças, os negros e o conjunto da população trabalhadora de seu país.

Precisamos acabar imediatamente com esses modernos campos de concentração. Existem 49 crianças brasileiras, algumas inclusive com complexas condições de saúde, com autismo e epilepsia, na situação de encarceramento nos centros de detenção. Exigimos medidas imediatas do Itamaraty. Não é possível que o governo brasileiro receba normalmente o vice-presidente estadunidense Mike Pence no final deste mês, como se nada estivesse ocorrendo nos EUA. O Brasil se apequena perante o continente quando vê seus filhos serem tratados como pessoas de terceira classe nos EUA e não se posiciona concretamente.

Exigimos o fim da política de anti-imigrantes do governo americano! E reafirmamos a necessidade do Brasil defender seus emigrados e receber bem imigrantes das diferentes partes do mundo. O PSOL e sua bancada parlamentar na Câmara dos Deputados tomarão todas as medidas cabíveis para denunciar essa situação ultrajante. É preciso dar um basta e parar a política monstruosa de Trump!

Artigo originalmente publicado no site do PSOL.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.