Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Três meses sem Marielle, seguimos lutando por Justiça!

A luta de Marielle não vai parar, continuará viva em cada lutadordos direitos humanos e especialmente na luta das mulheres negras por visibilidade e dignidade.

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Os assassinatos de Marielle Franco e de Anderson Gomes, há três meses, mostram o fracasso do poder público no enfrentamento às milícias cariocas na última década, o que pode ser considerado decisivo para que mortes como a da vereadora e de seu motorista continuem ocorrendo sem punição.

Nas esferas estadual e federal, o poder público se omitiu de adotar, por falta de vontade política, as 58 propostas apontadas pelo relatório da CPI das Milícias no Rio, há 10 anos. A CPI, onde Marielle trabalhou como assessora parlamentar do deputado estadual Marcelo Freixo, indiciou, pelo menos, 226 pessoas, e prendeu vereadores, deputados, policiais civis e militares e agentes da segurança pública como integrantes e apoiadores destes grupos, hoje apontados pela investigação como os principais suspeitos da execução de Marielle.

A omissão dos governos deixou com que as milícias começassem, mais fortemente no começo dos anos 2000, a ocupar as comunidades mais pobres do Rio, que sofrem com a falta de políticas públicas e sociais, com a falta de acesso à habitação digna, sem segurança, sem luz, sem água, sem transporte público decente e sem opções de lazer. Neste período, compreendido pelos governos de Lula e Dilma Rousseff na Presidência da República e Sérgio Cabral no governo do Estado do Rio, pouco foi feito para garantir o cumprimento de uma efetiva política nacional de segurança pública no combate a esses grupos que fazem a população de refém e exercem um poder paralelo onde o Estado deixa brechas.

Freixo relembra que a CPI foi instaurada quase um ano depois das suas primeiras solicitações, ainda em 2007. Ele conta que a CPI só saiu do papel após jornalistas do jornal O Dia serem sequestrados e torturados por milicianos. Quando atingia só os moradores, a atuação criminosa das milícias não sensibilizava, relembrou Freixo. Marielle, criada na favela da Maré, conhecia os crimes praticados pelas milícias, pela Polícia Militar e sabia os problemas da intervenção militar no Rio, por isso, usava seu mandato como vereadora, cargo para o qual foi eleita com quase 50 mil votos, para denunciar essas práticas e fortalecer as periferias.

A luta de Marielle não vai parar. Ela continuará viva em cada lutador e lutadora dos direitos humanos e especialmente na luta das mulheres negras por visibilidade, dignidade e direitos. Exigimos justiça para Marielle e seguiremos exigindo, para ela e para todos os lutadores perseguidos e assassinados por trabalharem para denunciar a omissão do poder público na garantia de uma vida digna à população.

Artigo originalmente publicado no Zero Hora.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Publicamos a décima edição de nossa Revista Movimento. Dessa vez, celebramos os 80 anos de fundação da IV Internacional, comemorados em setembro de 2018, com uma seção especial. Há, também, artigos na seção internacional e de teoria. Fechamos esta edição quando a eleição brasileira se encerrava. Como não poderia deixar de ser, nesta décima edição de Movimento, apresentamos nossas primeiras análises sobre os resultados eleitorais. Sabemos que a vitória de Jair Bolsonaro trará graves ataques à classe trabalhadora e ao povo brasileiro. Estaremos com nosso povo, lutando em defesa das liberdades democráticas e de nossos direitos. Mais uma vez, esperamos que a revista seja uma ferramenta útil de construção e formação para nossos camaradas. Boa leitura!

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