Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

“Que se vayan” todos os corruptos: Novas eleições e nova constituição

Dirigente peruano argumenta sobre a necessidade, após a queda do ex-presidente PPK, da refundação do sistema político do país.

Reprodução
Reprodução

Uma repugnante trama de corrupção dentro dos órgãos de justiça desencadeou uma nova crise política que pode terminar com o governo de Vizcarra a poucos meses de suceder no cargo a PPK, caído em desgraça pelo indulto a Fujimori.

Até dentro do próprio governo se começa a considerar a possiblidade de adiantar as eleições, enquanto crescem as vozes em favor de uma nova constituição. Não é para menos, a crise não dá trégua e cada vez mais se manifesta como uma crise estrutural, sistêmica e de regime.

Grande parte da ira cidadã se descarrega contra o Congresso, onde a Fuerza #1 e o Apra, transformado em aliado do fujimorismo, fazem por merecer a repulsa cidadã. Seus vínculos com os juízes corruptos terminam se tornando a antessala da impunidade.

Mas o Executivo tampouco se salva – com cinco presidentes condenados ou processados por corrupção – e menos os entes eleitorais como a ONPE apinhada de gente do aparato montesinista, que aparentemente segue ativo brindando serviços à melhor oferta.

Esta crise se equipara com a de 2000 porque aquela, que terminou com o governo de Fujimori, deixou de pé a Constituição de 93 filha do golpe e da fraude com a qual se preservou a estrutura mafiosa no Estado. Os partidos neoliberais que se somaram à onda de indignação cidadã contra a pretensão de Fujimori de somar um terceiro mandato, fizeram isso porque a continuidade do fujimorismo se fazia insustentável e para preservar o modelo econômico. Em boa conta, esses partidos como PP, APRA, PPC, AP, roubaram o triunfo da mobilização popular ao manter a Constituição ilegítima e com isso preservaram todo os mecanismos de corrupção e impunidade que acompanha o modelo neoliberal que nos ata aos interesses das grandes potências e corporações.

A resposta popular e cidadã a esta nova crise detonada pelos áudios divulgados por IDL-Reporteros, levou a milhões de peruanos a tomar as ruas em todo país. A jornada de 19 de julho foi contundente e novas convocatórias devem acontecer. O Comando Nacional de Luta que compromete a grêmios como a CGTP, e a Assembleia Cidadã que soma organismos de DDHH e coletivos vários, são as instâncias que articulam as ações de protesto que encontra eco em infinidade de iniciativas locais e setoriais.

O Movimento Novo Peru faz parte dessas articulações, como na Macro Sul, onde tem um alto grau de estruturação social. Aporta sua atitude militante e a proposta de uma saída política e democrática para a crise. Verónika Mendoza, sua principal referência, percorre o país plantando medidas urgentes como a revogação de todos os magistrados do Conselho Nacional de Magistratura, a limpeza profunda do Poder Judicial e da ONPE, assim como a necessidade de reformas profundas no Estado. Mas observa que não se trata de reformas cosméticas para que nada mude, que faz falta ir a um processo constituinte para nos dotar de uma Nova Constituição.

Os partidos mais comprometidos com a corrupção como a Força Popular e o APRA, que possuem a maioria no Congresso, procuram por todos os meios blindar seus líderes. Eles não vão gerar a mudanças necessárias, tampouco os partidos defensores do modelo econômico que respondem mais aos interesses da CONFIEP que do país. O próprio governo de Vizcarra, para além de certas medidas anticorrupção, encontra-se atado ao sistema, a ponto tal que põe a reforma judicial nas mãos de uma comissão de “notáveis” encabeçada por Allan Wagner, ex-Ministro de García Pérez e Alejandro Toledo, dois presidentes corruptos com os quais nunca tomou distância alguma.

O de Vizcarra tem que ser um governo de transição, que ponha um pouco de ordem com uma reforma política e eleitoral que impeça a manutenção do poder do dinheiro, que abra espaço para novas opções levantando o cerco com o qual os partidos tradicionais pretender seguir no poder a todo custo. E deve adiantar a convocatória de novas eleições, sob novas regras, para encerrar um Congresso que não dá mais, que tem mais de 80% de rejeição e segue nas mãos da Fuerza #1 e a senhora Keiko, comprometida no processo da Lava Jato. O determinante será a mobilização do povo nas ruas uma e outra vez até que consigamos derrotar os corruptos e impôr uma saída democrática para a crise atual.

25 de julho de 2018.

Fonte: https://titoprado.lamula.pe/ 2018/07/25/que-se-vayan-todos- los-corruptos-nuevas- elecciones-y-nueva- constitucion/titoprado01/

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Publicamos a décima edição de nossa Revista Movimento. Dessa vez, celebramos os 80 anos de fundação da IV Internacional, comemorados em setembro de 2018, com uma seção especial. Há, também, artigos na seção internacional e de teoria. Fechamos esta edição quando a eleição brasileira se encerrava. Como não poderia deixar de ser, nesta décima edição de Movimento, apresentamos nossas primeiras análises sobre os resultados eleitorais. Sabemos que a vitória de Jair Bolsonaro trará graves ataques à classe trabalhadora e ao povo brasileiro. Estaremos com nosso povo, lutando em defesa das liberdades democráticas e de nossos direitos. Mais uma vez, esperamos que a revista seja uma ferramenta útil de construção e formação para nossos camaradas. Boa leitura!

Solzinho

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

Leon Trotsky Joseph Stalin

MES: Movimento Esquerda Socialista MES: Movimento Esquerda Socialista