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Socialista ganha as eleições legislativas na cidade de Nova York

Distrito operário no Queens e Bronx elegeu Alexandria Ocasio-Cortez, membro do Democratic Socialists of America, nas primárias do Partido Democrata.

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Um distrito congressual da cidade de Nova York que representa bairros da classe trabalhadora no Queens e o Bronx elegeu Alexandria Ocasio-Cortez, membro do Democratic Socialists of America (DSA), nas primárias do Partido Democrata. Ela derrotou o atual congressista Joseph Crowley, um centrista com amplos vínculos com Wall Street e a maquinaria nacional de Clinton.

Ocasio Cortez, que se apresenta publicamente como progressista e socialista, ganhou quase 58% dos votos nas primárias. Num distrito que tem mais de 80% de eleitores democratas, sua eleição ao Congresso é quase certa. Crowley não havia enfrentado até então um rival sério desde que herdou seu assento do anterior líder político do Partido Democrata do Queens em 1998. A disputa atraiu a atenção nacional como a última escaramuça entre a facção corporativa dominante do partido e ala progressista pequena, porém enérgica, que encara a Bernie Sanders como seu líder de fato.

Travar uma disputa competitiva já foi uma conquista para Ocasio-Cortez, NYC-DSA e outros grupos que apoiavam sua campanha. Ela converteu o que normalmente seria uma corrida sonolenta e pouco competitiva numa história nacional, e inclusive resumiu a necessidade do socialismo em lugares improváveis, como na Revista Vogue: “Não há outra força, não há outro partido, não há outra ideologia real neste momento que esteja afirmando os elementos mínimos necessários para levar uma vida estadunidense digna”.

Ocasio-Cortez competiu com uma série de demandas que refletem a mensagem central do DSA, tomando os conceitos básicos da plataforma populista de Bernie Sanders e impulsionando-a mais à esquerda. Suas propostas incluíam saúde pública universal, universidade gratuita, garantia de emprego universal e restrições de doações à campanhas por grades corporações e especuladores de Wall Street. Ela foi a primeira candidata nacional a pedir a abolição do ICE, a agência de imigração fundada em 2003 que foi uma fonte de indignação nacional, a mais recente por deter crianças imigrantes de apenas quatro anos de idade separadas de seus pais. Estranhamente, Crowley, que votou a favor da criação do ICE em 2003, descreveu-o recentemente como uma “organização fascista”, mas se negou a pedir sua abolição.

Ocasio-Cortez foi uma das poucas candidatas federais na história recente a rechaçar todas as doações corporativas. Ela arrecadou um total de aproximadamente $ 313 000, dos quais mais de $ 208 000 vieram de pequenas doações de menos de $ 200 por doador, de acordo com a publicação financeira de campanha, Sludge. Em contraste, Crowley arrecadou mais de $1,1 milhão de mais de 250 corporações. No total, arrecadou mais de $3 milhões, dos quais menos de $ 30 000 vieram de pequenas doações, informou Sludge.

A campanha de Ocasio Cortez gerou entusiasmo entre os eleitores mais jovens e não brancos, muitos dos quais haviam se desconectado anteriormente da política. A população do distrito é mais de 50% de latinos e esmagadoramente da classe trabalhadora. Sua vitória demonstra o atrativo das demandas universais e materiais ao estado, e a fome de luta da classe trabalhadora. O mainstream do Partido Democrata fracassou tragicamente (ainda que não seja surpreendente) nas tentativas de usar as mobilizações massivas dos últimos 18 meses para formar uma oposição coerente Trump. Os líderes do partido parecem passar tanto tempo se preocupando acerca de como matar o movimento Sanders-Ocasio em seu nascedouro, já que se opõem a que os republicanos desmantem o esqueleto restante do Estado de bem-estar. Ocasio-Cortez demonstrou como ganhar ao obter um amplo apoio entre as classes médias trabalhadoras e baixas. Resta ver se os líderes do partido prestarão a atenção. Até agora, a resistência do partido institucional a ganhar tem vindo exatamente de sua resistência a organizar essas classes.

Artigo originalmente publicado no Portal da Esquerda em Movimento.

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Apresentação

Publicamos a décima edição de nossa Revista Movimento. Dessa vez, celebramos os 80 anos de fundação da IV Internacional, comemorados em setembro de 2018, com uma seção especial. Há, também, artigos na seção internacional e de teoria. Fechamos esta edição quando a eleição brasileira se encerrava. Como não poderia deixar de ser, nesta décima edição de Movimento, apresentamos nossas primeiras análises sobre os resultados eleitorais. Sabemos que a vitória de Jair Bolsonaro trará graves ataques à classe trabalhadora e ao povo brasileiro. Estaremos com nosso povo, lutando em defesa das liberdades democráticas e de nossos direitos. Mais uma vez, esperamos que a revista seja uma ferramenta útil de construção e formação para nossos camaradas. Boa leitura!

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