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A geopolítica da China: continuidades, inflexões e incertezas

Uma reconstrução das últimas movimentações da China no tabuleiro da politica internacional.

Vista sobre a ponte de Hong Kong-Macau-Zhuhai - AP
Vista sobre a ponte de Hong Kong-Macau-Zhuhai - AP

Para Pequim, a época durante a qual as potências europeias dominaram o mundo não passou de um parêntese antes que a história recuperasse seu curso normal, sinocêntrico. A China se tornou a segunda potência mundial. A geopolítica chinesa, no entanto, entrou numa fase de adaptação a um mundo incerto. O conflito entre os Estados Unidos, um poder estabelecido, e a China, um poder ascendente, estrutura hoje, em grande medida, a geopolítica do mundo. A implantação do poder chinês ocorre em três espaços históricos e geoestratégicos diferentes e interdependentes:

– Extremo Oriente / Pacífico Norte. Uma área privilegiada para as ambições imperialistas dos Estados Unidos no século XIX, contra o Japão. O atual conflito coreano se encaixa neste espaço histórico, em particular com duas importantes diferenças: o desaparecimento das potências europeias e o papel da própria China.

– A marcha para o Oeste. Iniciada por Xi Jinping e materializada nas novas Rotas da Seda, seu horizonte está situado em toda a Euroásia, Oriente Médio e Norte e Nordeste da África. Simbolicamente, o novo imperialismo chinês vai contra os caminhos da expansão inicial, desde o Velho Mundo, dos imperialismos europeus tradicionais.

– O espaço do mundo. Nos últimos anos, a China capitalista tornou-se um ator importante em todos os continentes e em (quase) todos os campos, diplomáticos ou econômicos. A ambição é global, incluindo a influência do modelo político e cultural do qual a China é, aos olhos de Xi Jinping, portadora.

Do ponto de vista da China, o tempo durante o qual as potências europeias dominaram o mundo foi apenas um breve parêntese antes que a história recuperasse seu curso normal, a saber, a centralidade chinesa. Esta visão sinocêntrica que prevalece na China constitui uma base cultural sólida para o expansionismo do novo imperialismo chinês, à imagem e semelhança da visão eurocêntrica para os imperialismos conquistadores de dois séculos atrás. Trata-se de projetar a civilização chinesa como a civilização européia já fez. Para Xi Jingping, o século XXI será o século chinês.

I. A geopolítica da Ásia Oriental

Desde que chegou ao poder, Xi Jinping estabeleceu como objetivo fundamental afirmar a hegemonia da China na Ásia Oriental em todos os campos: econômico, financeiro, diplomático, político e militar. A expansão internacional deve se basear na consolidação de seu poder regional. A influência chinesa pode ser afirmada em sua fronteira setentrional (Mongólia), embora seja limitada pelo poder russo (Sibéria), enquanto a Oeste, a concorrência é da Índia, que é bastante dura em todo o subcontinente (especialmente no Sri Lanka).

Xi Jinping abandonou as concepções estratégicas defensivas que prevaleceram durante a era maoísta: qualquer invasor enfrentaria uma guerra popular na vastidão do território chinês; então a chave estava no exército terrestre e na capacidade de mobilização popular. Agora eles se tornaram ofensivos: para garantir a expansão do novo imperialismo, a chave está na força naval, na marinha, tanto por razões gerais (toda grande potência precisa garantir sua presença marítima no mundo) quanto específica: a China tem uma imensa faixa marítima e precisa garantir acesso seguro aos Oceanos Pacífico e Índico, e este não é o caso atualmente. Da península da coreana à península malaia, uma série de arquipélagos (japoneses, filipinos, indonésios) constituem outros obstáculos. Os estreitos de saída para o oceano estão sob a estrita vigilância dos Estados Unidos.

O espaço marítimo chamado Mar da China (um termo rejeitado por outros países costeiros) é, desse ponto de vista, vital para Pequim. Uma das primeiras decisões estratégicas de Xi Jinping foi assumir o controle de sua parte meridional, declarando que se trata de um mar interior sob autoridade chinesa. Três fases podem ser distinguidas na batalha pelo controle do mar da China.

Em primeiro lugar, a fase da conquista, na qual Pequim se aproveitou da paralisia temporária de Washington. Barack Obama queria reorientar o poder americano transformando o espaço da Ásia-Pacífico em seu pilar, mas não conseguiu se livrar do atoleiro no Oriente Médio. Logo após a eleição de Donald Trump, Washington se retirou da associação transpacífica (TPP), um acordo multilateral em processo de constituição, deixando o campo ainda mais livre para as ambições chinesas. Nesta situação, Pequim conseguiu usar todos os recursos disponíveis para atrair e/ou neutralizar países que fazem fronteira com o mar do Sul da China: poder militar esmagador, dependência econômica objetiva, incentivos financeiros, influência política (o modelo de desenvolvimento capitalista dirigista e autoritário convém a vários regimes da região).

Pequim construiu, peça por peça, sete ilhas artificiais que atualmente abrigam instalações importantes (pistas de pouso, baterias de mísseis terra-ar e antinavio, hangares fortificados, radares, sistema de distorção de comunicações…). Juntos, constituem um complexo coerente que controla todas as abordagens de todos os pontos cardeais. Ali já aterrisaram bombardeiros estratégicos H-6K (com capacidade nuclear), um gesto político em resposta aos B-52 dos EUA. A militarização do mar do Sul da China é uma realidade e se dá para o benefício da China. Sem dúvida, Pequim não pode proibir a passagem da Sétima Frota norte-americana e bloquear o trânsito internacional, mas Washington tampouco pode reverter a presença chinesa sem lançar um conflito de alta voltagem.

Pequim foi mais longe. O regime reivindicou posses históricas mais ao norte, contestando de maneira muito ativa o controle exercido pelo Japão sobre o pequeno arquipélago de Senkaku/Diaoyu (com o transporte para a área de navios e aviões, a criação de zonas de exclusão aérea …), a fim de pôr à prova ao mesmo tempo os meios de resistência de Tóquio e a determinação dos EUA.

Trump finalmente elevou as apostas no terreno das forças armadas, usando a questão norte-coreana para este propósito: ameaça de intervenção (incluindo nuclear), implantação de baterias anti-míssil THAAD na Coréia do Sul (que neutralizam a parte principal do dispositivo nuclear implantado na China continental), reforço da Sétima Frota e uso da base de Jeju no sul da península… A China teve que efetivamente recuar no terreno militar dessa parte do Pacífico Norte. A China tem sido marginalizada por muito tempo, política e diplomaticamente, em relação à crise coreana, que foi administrada entre Washington, Pyongyang e Seul.

A nova configuração do conflito regional

Washington agora quer aproveitar sua superioridade. Para Jim Mattis, secretário de Estado de Defesa dos Estados Unidos, o conflito se cristaliza em torno de três questões: Taiwan, o mar do Sul da China e o comércio. Ao mencionar o comércio, manda uma mensagem aos países da região (das Filipinas à Tailândia): Washington não deixará sem resposta o desejo de Pequim pela hegemonia regional, econômica e financeira. Mas com que meios pretendem rechaçar essa hegemonia? Os EUA não pararam de repetir que o mar da China Meridional é uma rota de navegação internacional, enviando a Sétima Frota para navegar perto das áreas consideradas por Pequim particularmente sensíveis; mas o que mais podem fazer no contexto atual?

O embaixador de Pequim no Reino Unido, Liu Xiaoming, acaba de recordar a posição de seu governo[1]. Penetrar o mar do Sul da China é equivalente, exceto nas margens, à penetração de águas territoriais chinesas. Os navios que o fizerem devem respeitar o Direito do Mar (o acordo da ONU) e as leis chinesas correspondentes, a saber, anunciar antecipadamente sua passagem ou obter permissão. No entanto, no âmbito internacional, o mar do Sul da China não é considerado território chinês; a passagem é livre e não depende da boa vontade de Xi Jinping.

Além dessa questão, parece provável que o próximo jogo do encontro entre China e EUA no leste da Ásia se concentre na questão de Taiwan. Por que Taiwan? A diplomacia internacional ainda é governada pelo princípio de uma só China. Quando Taipei (capital da República da China, Taiwan) estava no Conselho de Segurança da ONU, representava toda a China (incluindo o continente). Foi substituída por Pequim, em 1971, mas esse princípio foi mantido. Pequim considera Taiwan como uma província chinesa. Na verdade, a questão taiwanesa é complexa. A retirada em Taiwan (anteriormente chamada Formosa) das tropas de Guomindang (GMD) que fugiam do Exército Vermelho em 1949 foi, aos olhos da população da ilha (que havia sofrido a colonização japonesa), como uma invasão. A ditadura de Chiang Kai-shek foi exercida contra ela, em benefício daqueles vindos do continente. Desde então muita água passou.

O regime da República Popular tornou-se uma forma particular de capitalismo burocrático, como já era o caso da República da China. O Partido Comunista Chinês (PCC) e o GMD (uma vez que Mao e Chiang morreram) começaram a colaborar estreitamente, o que permitiu a Pequim influenciar profundamente o jogo político de Taiwan… e adicionar lenha ao fogo, desencadeando o movimento estudantil e cívico de Girassol e possibilitando a eleição, em janeiro de 2016, de uma presidente com convicções independentistas, Tsai Ing-wen. Para Pequim, o princípio de uma China única foi posto em questão, apesar da prudência da nova presidente.

Donald Trump imediatamente telefonou para Tsai para parabenizá-la por sua eleição, ato que a China denunciou como uma provocação. Washington rompera as relações diplomáticas oficiais com Taipé no início dos anos 1970, mas não parou de desenvolver relações informais, amparadas a partir de 1979 na Taiwan Relations Act. Em 16 de março, entrou em vigor, após aprovação do Congresso dos EUA, uma nova lei que provocou a ira de Pequim: o Taiwan Travel Act. Essa lei autoriza intercâmbios a um nível sem precedentes entre os membros de ambos os governos e estipula uma série de obrigações, incluindo o apoio militar dos Estados Unidos à ilha. Colocando um pouco mais de sal nas feridas de Xi Jinping, o falcão Mike Pompeo, um ex-diretor da CIA, muito favorável a Taiwan, foi nomeado Secretário de Estado dos Estados Unidos (o equivalente a um ministro das Relações Exteriores).

O governo chinês está desenvolvendo uma campanha sustentada para isolar Taipé diplomaticamente, usando tanto a vara (ameaças de sanções econômicas) quanto a cenoura (promessa de investimentos). Pouco tempo atrás, Burkina Faso e a República Dominicana anunciaram a ruptura de suas relações diplomáticas com Taiwan. A Suazilândia é o único país africano que as mantêm, e em todo o mundo não há mais de dezoito países que o fazem, entre eles o Vaticano, os países do Pacífico e a América Latina (Honduras, Guatemala ou Kiribati). Além disso, em março, Pequim anunciou trinta e uma medidas para conceder aos taiwaneses estabelecidos na China um estatuto e vantagens similares às dos chineses do continente. Essa iniciativa provocou reações iradas em Taipé, onde o governo estuda suas próprias contra-medidas para impedir a fuga de cérebros.

Xi Jinping está atualmente tomando medidas sem precedentes contra Taipé. Por exemplo, as companhias aéreas que indicam Taiwan – como se fosse um país – na lista de seus destinos foram ameaçadas com a proibição de entrar no espaço chinês (a australiana Quantas cedeu). Em 23 de abril, a China realizou as mais amplas manobras navais de sua história[2] com Liaoning, seu segundo porta-aviões (o primeiro fabricado na China) no Estreito de Formosa, um gesto espetacular “para proteger a soberania e a integridade territorial” da pátria. Taiwan também realizou seus próprios exercícios militares ao longo de sua costa leste, assistidos por sua presidente Tsai Ing-wen: “Temos total confiança e estamos determinados a defender nosso país e nossa democracia”, twittou, sem deixar de apontar à imprensa que aquilo não era uma resposta às manobras da República Popular.

Washington pretende fazer o mesmo, dando assim garantias à República da China de que irá protegê-la. Se isso acontecer, essa zona se tornará uma fonte permanente de tensão militar entre as duas potências, com todos os riscos de acidentes que ela contém. Ao contrário da crise coreana, neste caso o confronto é direto. No entanto, Xi Jinping não pode aceitar uma solução de compromisso sobre esta questão. O fundamento ideológico de seu poder é o nacionalismo de grande potência, que inclui a invocação do caráter sagrado da integridade territorial da China indivisa, sem esquecer que a ilha de Formosa está no centro do espaço estratégico marítimo cujo controle lhe parece vital.

Hong Kong

Taiwan é um país de fato independente, não como Hong Kong, mas de qualquer maneira o princípio de uma China única é um dos aspectos da crise a qual o território atravessa. Ex-colônia britânica, em 1997, foi devolvida pelo Reino Unido à China. Assim passou a ser (como Macau) uma Região Administrativa Especial (RAE). A declaração conjunta previa que, durante pelo menos cinquenta anos, Hong Kong gozaria de um estatuto especial de acordo com a fórmula de um país, dois sistemas. De acordo com a Declaração Conjunta, Hong Kong não pode ter uma política independente na defesa e assuntos externos, mas o sistema econômico e jurídico devem permanecer os mesmos, além de muitos outros recursos: condução à esquerda, própria equipe em torneios internacionais, próprio domínio de internet, etc. Deng Xiaoping provavelmente pensou que em cinquenta anos pelo menos os “dois sistemas” se fundiriam sem grandes armadilhas, uma vez que a República Popular completara sua mutação capitalista. O problema é que o capitalismo para Xi não é o que Deng imaginou.

Por ocasião do vigésimo aniversário da devolução, Xi deu a conhecer, através do Ministério das Relações Exteriores da China, que a Declaração Sino-Britânica de 1984, que estabeleceu as bases para a devolução de 1997, não era mais “relevante”. Para Pequim, nada mais era do que um “documento histórico” que carecia de “qualquer significado concreto” e “qualquer força obrigatória”[3]. De acordo com os desejos de Xi, as leis chinesas serão aplicadas em Hong Kong no futuro. Uma perspectiva que encontra forte resistência entre a população de Hong Kong, cujos direitos civis e políticos (pluripartidarismo, independência da justiça e dos sindicatos…). Essas resistências não só têm de ser atribuídas à esquerda, mas também à direita (xenofobia contra a “imigração chinesa” vinda do continente).

Xi Jinping advertiu contra qualquer ataque “inaceitável” à sua autoridade, apelando para a segurança nacional: “Qualquer tentativa de questionar a soberania e a segurança da China, desafiar o poder do governo central e a autoridade da lei fundamental da Região Administrativa Especial de Hong Kong ou de usar Hong Kong para realizar atividades de infiltração e sabotagem contra o continente é um ato que transgride a linha vermelha”. São expressões contundentes que até agora nunca haviam sido usadas[4]. Acusações de “infiltração” e “sabotagem” também são usadas contra Taiwan.

Em Hong Kong existem associações para a defesa das condições dos trabalhadores e dos direitos dos trabalhadores, de lá e também do continente, e existem redes na cidade que promovem atividades regionais de solidariedade. Agora, a repressão política é sentida: Edward Leung, 27, uma figura proeminente do movimento de independência (uma posição muito contestada à esquerda) acaba de ser condenado a seis anos de prisão. Uma única China significa, neste caso, que nem a ideia de independência nem o estado anterior de autonomia serão tolerados. Muitas liberdades estão ameaçadas, sem que o mundo dos negócios ou as multinacionais estabelecidas no território se sintam preocupadas, é claro.

Pequim e a crise coreana

De um ponto de vista geral, a Coreia do Sul é muito mais importante para a China do que a Coreia do Norte, e não apenas economicamente. No entanto, o destino do regime norte-coreano terá implicações consideráveis. Se ele desaparecer, os militares dos EUA poderão fazer campanha do outro lado da fronteira chinesa, uma perspectiva claramente inaceitável para Pequim. O resultado das negociações realizadas em 12 de junho de 2018 em Cingapura terá conseqüências estratégicas para Pequim. No auge da crise, em 2016-2017, o governo Xi não foi capaz de tomar iniciativas significativas, porquanto sempre pôde modular, de acordo com seus interesses, as sanções da ONU contra Pyongyang (em favor das quais tem votado), o que não é pouco.

O jogo foi jogado a três: as duas Coreiass e os EUA, sem China, Rússia ou Japão. Em janeiro de 2018, Pyongyang e Seul lideraram a operação, mais do que Washington. O conteúdo do comunicado Kim-Trump de 12 de junho de 2018 atesta isso. Os falcões do governo dos EUA queriam uma rendição rápida e incondicional. O processo de negociação iniciado em Cingapura será longo, como Pyongyang queria, colocando um acordo de paz no horizonte e não mais uma mudança de regime pura e simples.

O futuro das negociações depende de uma multiplicidade de fatores e é aleatório, mas não é um remake das negociações anteriores.[5] Na Coreia do Norte, uma elite social nasceu com o desenvolvimento tolerado de uma economia de mercado; a ideia de uma transição capitalista para o estilo chinês não é absurda. Na Coreia do Sul, a extrema direita foi marginalizada. Ambos os regimes concordam em abrir um processo de aproximação progressista, rejeitando a brutalidade do modelo alemão. Não é mais uma questão de tudo (reunificação) ou nada (o estado de guerra). Por sua vez, Washington pode negociar – não foi à toa que se reafirmou a hegemonia militar dos EUA no Pacífico Norte.

Esta situação permite à China intervir novamente no jogo diplomático coreano. É uma boa notícia para Xi Jinping. Distensão na península coreana, tensão em torno de Taiwan? Por quanto tempo Washington e Pequim poderão incentivar o frio e o calor ao mesmo tempo na região?

II. A marcha ao Oeste

O novo projeto da Rota da Seda foi apresentado em 2005, mas começou a ser implementado apenas recentemente e, portanto, ainda é cedo para avaliar em que medida ele será realmente executado. É um projeto extremamente ambicioso. A via terrestre (a Rota) comunicará a China com a Europa através da Ásia continental. A via marítima (o Cinturão) começa no sudeste da Ásia para chegar à África Oriental e ao Magreb. Seis corredores regionais permitirão conectar mais países a esses dois eixos principais.[6]

Em primeiro lugar, trata-se de desenvolver coerentemente um conjunto de infraestruturas, multiplicar investimentos, abrir mercados para setores industriais que experimentam superprodução em nível nacional (cimento, aço) e empregando mão-de-obra excedente (usado em canteiros de obras em todo o mundo), abrir e melhorar os canais de comunicação, bem como reforçar a influência política e cultural do poder chinês (inclusive na esfera social, com a construção de hospitais e escolas). Em última análise, a ambição é contribuir para tornar a China um centro mundial de referência civilizatória, alternativa aos Estados Unidos.

Considerações geoeconômicas e geoestratégicas estão na base dessa política de expansão multidimensional. Para Pequim se trata de assegurar seus suprimentos de matérias-primas e reduzir o custo de transporte, como mostra, no que diz respeito aos produtos petrolíferos no Médio Oriente, a construção do gigantesco porto sino-paquistanês de Gwadar; de penetrar melhor em mercados dominados, de acordo com o lugar, pelo Japão ou pela Coréia do Sul, pela Rússia ou pelos EUA; de multiplicar as passarelas que evitem o Estreito de Malaca, que poderia ser bloqueado em uma situação de crise aguda com Washington, para Bangladesh, Birmânia e Paquistão… Os investimentos cobrem todos os setores (do turismo à mineração, da eletrônica à energia solar), a criação de parques industriais e áreas portuárias, grandes obras públicas (ferrovias, pontes, túneis, barragens) ou equipamento de energia (oleodutos e gasodutos, usinas de energia, usinas eólicas…).

Do ponto de vista financeiro, o projeto custaria 800 bilhões de euros, que seriam auferidos graças à criação do Novo Banco de Desenvolvimento, do Fundo da Rota da Seda e do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (BAII). A China coloca a mão no bolso para contribuir com o projeto, mas não deixa de convidar outros países a investir nele. Apesar da oposição declarada dos EUA, países como Alemanha, Austrália, França e Reino Unido, em particular, responderam positivamente ao chamado. Os países ricos não querem perder o bolo, e os países pobres não têm escolha senão participar, porque para eles é uma oportunidade única de começar seu desenvolvimento (mesmo sob o risco de subordinação).

Se se incluem os corredores laterais, não há menos que cerca de 70 países abrangidos por esse projeto. Depois de ter investido em todos eles, diante das crescentes tensões com os EUA, Pequim está agora tentando consolidar sua influência em sua periferia asiática, dedicando metade de seus empréstimos concedidos à região no âmbito do projeto. A China é o primeiro parceiro comercial da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). Sua influência é predominante no Laos e Camboja, considerável na bacia do Mekong, incluindo a Tailândia, onde a linha ferroviária que vai de Kunming (na província de Yunan) a Cingapura é construída. E efetivamente controla um número crescente de portos na Birmânia, Bangladesh, Sri Lanka, Paquistão, Maldivas, Omã…

Além disso, está previsto que a nova Rota da Seda chegará na Europa Ocidental, a Veneza e Roterdã; aquisições e implementações são realizadas até na França, Grã-Bretanha, Suíça, Itália, Portugal e Grécia (o porto de Pireu!)… Um trem de carga que parte de Yiwu, localizado no sul de Xangai, passa por mais de 12.000 quilômetros para ligar diretamente a China a 32 cidades europeias, incluindo Londres, Madrid, Kavala (Finlândia), Duisburg (Alemanha) e Lyon (França). É mais barato que o avião e mais rápido que o navio…

Na maioria dos países da Europa Oriental, grandes investimentos já foram feitos ou estão sendo negociados. Na Ásia Central, a rota terrestre passa pelo Cazaquistão, Turcomenistão, Uzbequistão e Azerbaijão. Uma associação, lançada em 2012, continua a ser reforçada: o formato 16 + 1 entre a China e 16 países da Europa Central e Oriental: Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, República Tcheca, Eslováquia, Hungria, Romênia, Bulgária, Eslovênia, Croácia. Sérvia, Bósnia e Herzegovina, Montenegro, Albânia e Macedônia. No Oriente Médio e Norte da África, o cinturão leva a Djibuti, Etiópia, Egito, Argélia e Marrocos; atualmente, acordos reforçados estão sendo negociados com o Irã sob o embargo dos EUA. Em novembro de 2017, foi assinado um acordo entre a China e o Panamá, o último aderente a este projeto da Rota da Seda, criando formalmente o terceiro ramo marítimo dessa iniciativa.

Tal esforço de expansão mundial concentrado em um período tão limitado de tempo não tem precedentes. Seu custo social, cultural e ecológico será, como é temido, considerável, tanto quanto os riscos econômicos e financeiros, agravados pelas mudanças políticas: possíveis mudanças em alianças entre governos nacionais, operações realizadas em zonas de conflito, como as fronteiras do Himalaia (da Caxemira a Arunachal Pradesh) ou o Oriente Médio, contra-ofensiva de potências concorrentes (como na Birmânia). O caso do porto de Gwadar é emblemático. Ele está localizado na costa do Baluchistão, no sudoeste do Paquistão, onde uma luta pela independência ocorre com vários Estados interferindo (Índia, Afeganistão…). O exército paquistanês é incapaz de proteger eficazmente seus próprios quartéis dos ataques do Taleban; por mais que sua influência acabe predominando no Paquistão, Pequim não pode contar com um Estado falido para garantir a segurança de seus investimentos estratégicos…

III. A potência mundial

Considera-se que o exército chinês é o segundo mais poderoso do mundo, embora este julgamento seja amplamente baseado em dados quantitativos. A experiência real de seu pessoal e seu material são muito limitados. Países imperialistas menores, como a França, podem ter uma bagagem (operações de infiltração e comando) ou tecnologias de ponta (como a projeção e a nave de comando da classe Mistral) que a China não possui. Em grande parte suplanta a Rússia em termos da frota oceânica estratégica de submarinos (que não é fácil de operar)…

Implantação militar

No entanto, apesar de ter começado do zero, o dispositivo militar internacional da China está progredindo em um ritmo acelerado. Sua capacidade naval é continuamente reforçada. Pequim multiplica os acordos pelos quais seus navios de guerra estão autorizados a atracar em portos estrangeiros (para fins de abastecimento, reparo, etc.). É um participante importante nas operações de manutenção da paz da ONU com 35.000 soldados (número de 2015), o que é uma implantação suave. Realiza suas próprias manobras para evacuar seus cidadãos em áreas de crise (como no Iêmen).

A cereja do bolo desta expansão militar é claramente a base do Djibuti, projetada para receber 10.000 soldados. Pequim obteve este contrato em troca do financiamento da construção de uma zona franca industrial e de uma linha férrea que liga o porto internacional de Doraleh a Adis Adeba, a capital etíope. A importância estratégica do Djibuti é considerável (razão pela qual este território também abriga outras duas bases, americana e francesa). Ela está localizado próximo a uma das rotas marítimas mais frequentadas do mundo e é uma plataforma comercial para promover a penetração de produtos chineses na África subsaariana, no Oriente Médio e no norte da África. Dizem que há planos de implementação de dezoito bases militares chinesas no exterior.

Conflitos de influência

A expansão global da China faz com que ela concorra diretamente, em suas respectivas áreas de influência, com todas as potências existentes: a Rússia na Ásia Central e na Bielorrússia, a Índia no Sul da Ásia, os EUA na América Latina, os europeus em sua própria casa e o mundo todo na África.

Ártico: A China está procurando maneiras de participar da abertura das estradas polares, que são acessíveis devido às mudanças climáticas e à exploração de recursos que até agora eram inacessíveis.

África: A China colocou-se à frente da competição geral pelo controle das riquezas africanas (especialmente no Congo), a tal ponto que hoje já se fala em “Chináfrica”, parodiando o termo famoso “Françafrica”, embora com uma diferença de profundidade: sua influência não se limita a uma área tradicional de influência, como é o caso da França.

Ásia Central: Moscou e Pequim podem formar uma frente comum contra os EUA ou a União Europeia. A Organização de Cooperação de Xangai (OCX), fundada em 2001, oferece um quadro permanente de alianças em matéria de segurança, influente na Ásia Central, no Afeganistão e no Oriente Médio. Assim, em 8 de junho, uma cúpula aconteceu entre Moscou, Pequim e Teerã. No entanto, à medida que a penetração chinesa avança em direção à periferia da Rússia, o conflito latente se tornará estrutural. Hoje, ela está particularmente focada na construção de oleodutos e gasodutos e, portanto, no controle da riqueza petrolífera da região.

Região do Indo-Pacífico: novas alianças aparecem para contrabalancear a ascensão da China, como o Quad (Quadratilateral Security Dialogue), criado em novembro de 2017 pelos Estados Unidos, Austrália, Japão e Índia, que cobre o teatro de operações indo-pacíficas (em sobreposição ao teatro de operações do Pacífico Norte).

América Latina: É provável que a China não considere alcançar na América Latina uma hegemonia semelhante à que busca na África ou em grande parte da Ásia. No entanto, desde meados dos anos 2000, visa alcançar objetivos muito importantes de ordem:

• Política: consolidar a sua influência global, ser um meio de recurso (oferta de financiamento) contra a hegemonia dos EUA, isolar diplomaticamente Taiwan, integrar-se em organizações multilaterais – a China tem (como muitos outros países) um estatuto de observador na Organização dos Estados Americanos (OEA) e é membro do Banco Interamericano de Desenvolvimento…

• Geoeconômica: ampliar seu controle de recursos minerais, energéticos e agrícolas em todo o mundo, encontrar novos mercados para seus produtos industriais, investir em infraestruturas… O caso da Bolívia é neste sentido ilustrativo: a China instalou recentemente uma usina hidrelétrica na província de Cochabamba. Além disso, participa da construção de usinas de açúcar, minas de potássio, siderúrgicas, estradas, bem como na modernização do sistema de segurança pública e telecomunicações. Cobiça uma das maiores reservas de lítio do mundo.

• Geoestratégica: quando a ocasião surge, a China também finca a bandeira neste continente, como quando enviou um contingente para o Haiti no âmbito das operações da ONU. Adquiriu uma base extraterritorial na Patagônia (Argentina) cujo objetivo oficial (e real) consiste em preparar o envio de um módulo que ficará na face oculta da Lua – administrado pelo exército, permitirá a Pequim vigiar o Hemisfério Sul, uma valiosa primícia.

A China é atualmente o principal parceiro comercial das maiores economias da América do Sul: Argentina, Brasil, Chile, Peru e Venezuela. Esses países exportam para a China principalmente matérias-primas como cobre, minério de ferro, petróleo, soja e petróleo. Frequentemente concede a eles um crédito quase ilimitado para a importação de produtos chineses. Um dos maiores projetos em andamento (de US $ 50 bilhões) é a construção na Nicarágua, por uma empresa chinesa, de um novo canal interoceânico que concorrerá diretamente com o do Panamá, nas proximidades do qual inúmeras empresas norte-americanas investiram (infraestruturas portuárias, etc.).

Sinal dos tempos, o então secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, aconselhou os países latino-americanos, em fevereiro de 2018, a evitar a dependência excessiva das relações comerciais com a China, afirmando que a região não precisava se colocar nas mãos de um novo império (como se o império americano, por outro lado, fosse tomado como encerrado).

Trunfos chineses na guerra econômica

Trump prefere o bilateralismo (que ele espera que favoreça sempre os EUA) em vez do multilateralismo (o que implica a negociação de regras comuns entre os poderosos). Elep ode esvaziar o conteúdo das estruturas de coletivização interimperialista ou reduzir sua eficácia. Ele pode incitar os impulsos de outros, inclusive a lançar guerras comerciais, adotar medidas protecionistas e provocar outras respostas (pela UE ou pela China). No entanto, ela se choca com um problema de calibre: a globalização capitalista, a organização mundial de cadeias de produção e de valor e a financeirização são um fato, não apenas uma política. Um fato ao qual grande parte da economia americana foi integrada.

A China tem suas próprias contradições, mas, nesse contexto, tem duas vantagens principais: seu modo de expansão internacional ao velho estilo, pilotado pelo Estado, e a grande importância que sua economia tem para os outros. Se a China fecha as portas do novo Império Central a algum país, este sofreria consequências desastrosas – e Xi Jinping pode efetivamente fechá-las.

Naturalmente, não é por isso que a China deixa de estar imersa no mundo capitalista tal como ele é e as fortunas chinesas saborearam alegremente as delícias da especulação e dos paraísos fiscais; muitas famílias chinesas de alta posição estabelecem-se em países ocidentais (inclusive adquirindo a nacionalidade dos mesmos, renegando um pouco do patriotismo). Xi Jinping responde a essas mudanças, reforçando o controle sobre todas as alavancas disponíveis, incluindo a determinação da taxa de câmbio do yuan ou a implementação de um sistema maciço de monitoramento e controle social que também cobre empresas estrangeiras, e não apenas para os nacionais… Pequim conta, portanto, com importantes meios de resposta nos conflitos comerciais em curso.

A primeira rodada do confronto comercial entre Trump e Xi parece ter favorecido a China, em maio[7], porque as concessões desta última foram muito modestas. Desde então, Pequim tem respondido ostensivamente, na mesma moeda, às medidas adotadas por Washington e usa suas relações com as bases eleitorais do presidente dos EUA. Em particular, Xi fortaleceu os laços pessoais com os produtores de soja de Iowa, cujas exportações são afetadas pelas medidas de resposta chinesas. A UE também tenta definir instrumentos de defesa comercial que permitam lidar com o dumping de produtos chineses.

A China continua a depender de importações maciças de componentes eletrônicos. A empresa de telefonia ZTE teve que suspender a fabricação de linhas de produtos depois de ter sido sancionada por Washington por ter evitado embargos contra o Irã e a Coreia do Norte. No entanto, Pequim importa chips do Japão, Taiwan e da Coreia do Sul, não apenas dos Estados Unidos. A administração planeja fazer todo o possível para reduzir seu persistente atraso na alta tecnologia (não se sabe com que êxito). Declararam estratégica uma lista de setores de ponta, começando com a inteligência artificial e o ramo de semicondutores, também incluindo a robótica, materiais avançados e a farmácia. O número de patentes internacionais solicitadas pela China não para de aumentar. A concorrência nesse campo será provavelmente mais decisiva do que a manipulação de direitos aduaneiros.

Incertezas, riscos financeiros e políticos: uma fase de desconsolidação?

Após um período de grande implantação, pela direita e pela esquerda, do capitalismo chinês, a liderança de Xi Jinping parece ter que parar no caminho e redefinir as prioridades. A aquisição bulímica de empresas estrangeiras ocultou operações de especulação financeira. Para garantir o acesso a empréstimos preferenciais, há investidores que se inscreveram indevidamente no programa da Rota da Seda (um parque temático na Indonésia, uma cervejaria na República Tcheca…). Existem centros administrativos de decisão que se tornaram autônomos. Os riscos financeiros não foram avaliados seriamente em muitos casos. Acima de tudo, a situação internacional está evoluindo rapidamente e o fator Trump aumenta a incerteza. Diante do aumento da influência chinesa, em um número crescente de países se erguem resistências sociais e políticas.

A Venezuela é um exemplo dos perigos que Pequim pode enfrentar.[8] As relações entre os dois países se desenvolveram rapidamente no tempo de Chávez, quando os investimentos e empréstimos chineses se tornaram os mais importantes em toda a América Latina. Esses acordos eram amplamente centrados e amparados na garantia da produção de petróleo. Ao se libertar da dependência dos Estados Unidos, a Venezuela assumiu enormes dívidas com a China. Depois veio a queda do preço do petróleo, a crise do regime venezuelano e a ameaça de inadimplência da dívida.

Os acordos entre China e Venezuela nunca redundaram em benefícios para os dois países, mas agora podem acabar sendo prejudiciais para ambos. Pequim suspendeu investimentos importantes, reduziu seus empréstimos e muitos trabalhadores chineses retornaram a seu país (chegaram a quatrocentos mi). Sendo o principal credor, bem à frente da Rússia, a China poderia um dia exigir o controle da produção de petróleo. Se ainda não o fez, é provavelmente por razões políticas, por se arriscar muito no caso de queda do regime. O fato é que a China não demonstrou tanta paciência assim com outros países.

No Sri Lanka, em 2017, a China obteve a concessão por noventa e nove anos para a exploração do porto de Hambantota, após a incapacidade do país devedor de devolver um empréstimo de um bilhão de dólares – algo que a população local encarou como uma verdadeira ameaça à soberania nacional As concessões de noventa e nove anos tornaram-se uma questão política muito sensível, como no caso da Nicarágua, onde a concessão concedida à China para a construção do canal interoceânico, com um custo econômico e social exorbitante, alimenta a ampla mobilização popular contra o regime de Ortega. Esse projeto anuncia a destruição de muitas comunidades rurais; também aqui há a percepção de desvio da soberania nacional.

Nos dias 9 e 10 de junho, ocorreram grandes manifestações no Vietnã contra dois projetos do governo[9]: uma lei liberticida sobre segurança cibernética e a criação de uma zona econômica especial para o benefício da China. Entre os principais slogans figurava o seguinte: “Não ceder terra à China nem por um dia”. Já houve muitas mobilizações populares na Ásia contra o dumping de produtos chineses (Tailândia, etc.), a compra de terras e minas, a expropriação de terras agrícolas para criar zonas industriais ou zonas montanhosas para o benefício de grupos florestais industriais ou mineiros (Filipinas, etc.). Que impacto político essas mobilizações terão em regimes favoráveis a Pequim (a junta militar tailandesa, o presidente Duterte, a ditadura de Hun Sen no Camboja…)?

É provável que Pequim não se preocupe muito hoje em dia (exceto talvez na Nicarágua, onde o futuro do regime está em questão), mas as coisas mudam em relação à incerteza geopolítica, ou às dificuldades da economia nacional, como a incrível bolha imobiliária, um mercado de ações com grandes oscilações e um setor bancário paralelo que cresce rapidamente. A situação social na China é controlada, apesar da proliferação de conflitos salariais e locais. O modo de governança hipercentralizado da administração Xi agora é útil, mas amanhã pode se tornar um obstáculo.

O acesso da China à posição de segunda potência mundial é um fato. No entanto, não se pode simplesmente projetar as tendências recentes no futuro. A geopolítica chinesa está em uma fase de adaptação cheia de incertezas, e não simplesmente de consolidação e expansão linear.


[1] Ver artigo do jornal The Guardian disponível em <https://www.theguardian.com/commentisfree/2018/jun/27/china-not-tolerate-trump-military-muscle-south-china-sea>.
[2] Com quarenta e oito navios, setenta e seis aeronaves e mais de dez mil soldados.
[3] ESSF (artigo 41487), Vinte anos após a devolução, Xi Jinping visa os democratas de Hong Kong (disponível em: <http://www.europe-solidaire.org/spip.php?article41487>).
[4] Ver artigo do jornal Les Échos disponível em <https://www.lesechos.fr/03/07/2017/LesEchos/22478-056-ECH_pekin-met-en-garde-les-jeunes-de-hong-kong.htm#t8TTsIu7aMeJhXFj.99>.
[5] ESSF (artigo 44871), Península coreana: Uma frágil esperança de paz após o encontro Kim-Trump (disponível em: http://www.europe-solidaire.org/spip.php?article44871).
[6] Laure Siegel, ESSF (artigo 44781), Uma rede conectada entre três continentes: com a Rota da Seda, a China almeja conquistar a economia mundial (disponível em: http://www.europe-solidaire.org/spip.php?article44781.).
[7] ESSF (artigo 44480), Negociações: os chineses ganham o armistício comercial com Trump (disponível em: <http://www.europe-solidaire.org/spip.php?article44480>).
[8] ESSF (artigo 43551), Liderança chinesa e a crise da Venezuela – Limites e problemas dos planos de expansão de Pequim (disponível em: <http://www.europe-solidaire.org/spip.php?article43551>).
[9] ESSF (artigo 44945), Protestos de massa eclodem no Vietnã pela primeira vez em décadas contra leis de segurança cibernética e a criação de novas zonas econômicas especiais (disponível em: <http://www.europe-solidaire.org/spip.php?article44945>).

Este artigo faz parte da 10ª edição da Revista Movimento. Para ler o texto completo compre a revista aqui!

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

A décima terceira edição da Revista Movimento dedica-se ao debate sobre os desafios da esquerda socialista no Brasil diante da crise nacional que se desenrola há anos e do governo Bolsonaro. Para tanto, foram convidados dirigentes do PSOL, do MES e de outras organizações revolucionárias que atuam no partido. O dossiê sobre a estratégia da esquerda e o PSOL reflete os desafios da organização de um polo socialista no interior do partido. Há também, na seção nacional, reflexões sobre a crise econômica brasileira, as revelações de The Intercept e as lutas da juventude e da negritude. As efemérides do centenário da escola Bauhaus e do cinquentenário do levante de Stonewall também aparecem no volume, além da tese das mulheres do MES para o Encontro de Mulheres do PSOL.

Ilustração da capa da Revista Movimento

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