Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

O que falta na República?

Sobre as insuficiências ainda presentes no modo de governo que substituiu a monarquia no Brasil há 129 anos.

Proclamação da República", 1893, Benedito Calixto
Proclamação da República", 1893, Benedito Calixto

O Brasil substituiu a Monarquia pela República na noite de 15 de novembro de 1889. Não foi um movimento popular e sim uma articulação de alguns líderes do Exército, mas havia muitos descontentes com o Império, já em declínio. Essa falta de povo foi suprida em 1993, quando, em um plebiscito nacional, 44.266.608 brasileiro(a)s definiram que este seria o nosso sistema de governo (apenas 6.843.19, cerca de 10% dos que compareceram às urnas, votaram na Monarquia).

Esse ‘governo do povo, para o povo e pelo povo’, porém, ao longo da história brasileira, teve muitas faces: oligárquica e coronelista, na República Velha (até 1930), modernizadora e autoritária (na Era Vargas, até 1945), liberal-democrática (até 1964), ditatorial (do golpe de 1º de abril daquele ano até 1985) e esta etapa atual, que tem como marco jurídico mais importante a avançada e nem sempre cumprida Constituição Cidadã, promulgada em 1988.

Uma boa maneira de celebrar a Proclamação da República é lançar um olhar sobre as suas deficiências, trazendo questões que nos coloquem em movimento.

Na busca do melhor ideal de República, cabe perguntar: 1) como anda a participação popular na vida pública?; 2) como eliminar a influência do poder econômico nas eleições?; 3) qual o zelo para com o dinheiro público?; 4) existe igualdade de oportunidades para todos?; 5) a transparência na gestão é praticada?; 6) tem sido respeitada a diversidade de culturas, hábitos, etnias e orientações das pessoas?

A superação dessas insuficiências não é só tarefa das ‘autoridades’, mas desse que dá legitimidade ao regime: Sua Excelência, o Povo. A ele, com luta e consciência, cabe ‘republicanizar a República’.

Texto originalmente publicado em: http://odia.ig.com.br/ noticia/opiniao/2014-11-15/ chico-alencar-o-que-falta-n a-republica.html

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

A décima terceira edição da Revista Movimento dedica-se ao debate sobre os desafios da esquerda socialista no Brasil diante da crise nacional que se desenrola há anos e do governo Bolsonaro. Para tanto, foram convidados dirigentes do PSOL, do MES e de outras organizações revolucionárias que atuam no partido. O dossiê sobre a estratégia da esquerda e o PSOL reflete os desafios da organização de um polo socialista no interior do partido. Há também, na seção nacional, reflexões sobre a crise econômica brasileira, as revelações de The Intercept e as lutas da juventude e da negritude. As efemérides do centenário da escola Bauhaus e do cinquentenário do levante de Stonewall também aparecem no volume, além da tese das mulheres do MES para o Encontro de Mulheres do PSOL.

Ilustração da capa da Revista Movimento

MES: Movimento Esquerda Socialista MES: Movimento Esquerda Socialista