Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Por que O Capital de Marx ainda importa

Em entrevista, geógrafo britânico esboça uma leitura da contemporaneidade a partir de conceitos-chave d’O Capital.

David Harvey - Reprodução
David Harvey - Reprodução

Os autores clássicos nas Ciências Humanas assim são denominados por suas obras conterem apontamentos teóricos que, mesmo décadas após serem desenvolvidos, seguem tendo validade na análise de fenômenos contemporâneos. Não é diferente com Karl Marx, o percursor do materialismo dialético que, ainda no século XIX, desenvolveu um arcabouço analítico que permitiu a sucessivas gerações de militantes, políticos e intelectuais compreenderem e agirem sobre a realidade social em que estavam inseridos.

Sendo assim, neste ano em que se celebra o bicentenário de nascimento de Karl Marx e mais de um século e meio depois da publicação do primeiro volume de seu O Capital, voltar à compreensão de alguns dos conceitos ali elaborados se mostra enormemente oportuno e necessário.

É a partir dessas constatações que o pensador britânico David Harvey vem dedicando os últimos anos de sua vida acadêmica a vídeoaulas e livros que se propõem a destrinchar as passagens dos inúmeros capítulos contidos nos três volumes dessa obra prima do marxismo.

Na entrevista a seguir, conduzida por Daniel Denvir para a revista estadunidense Jacobin, Harvey esboça uma leitura da contemporaneidade a partir de conceitos-chave d’O Capital. Avançando em uma análise que busca jogar luz à relação entre a política e a economia, o geógrafo nos fornece elementos ao esclarecimento de fenômenos que, se à primeira vista podem parecer enigmáticos, tornam-se mais compreensíveis uma vez analisados sob a ótica do marxismo. Em tempos de eleição de Jair Bolsonaro e suas posições reacionárias, finalmente, a entrevista a seguir pode servir à localização de tal acontecimento dentro de um movimento mais geral e abrangente, que diz respeito à dinâmica de acumulação do capital no capitalismo global pós-crise de 2008.

Daniel Denvir – O senhor tem dado aulas sobre O Capital há muitos anos. Trace um breve panorama sobre os três volumes.

David Harvey – Marx é muito detalhista de modo que às vezes parece difícil ter uma noção exata sobre o que é a concepção geral d’O Capital. Mas na verdade é simples. Capitalistas começam o seu dia com alguma quantidade de dinheiro, vão ao mercado e compram algumas mercadorias, como meios de produção e força de trabalho, e os colocam em movimento em um processo de trabalho que produz novas mercadorias. Essa nova mercadoria é vendida por dinheiro acrescida de lucro. Depois, o lucro é redistribuído por vários caminhos, na forma de juros e renda, e volta a ser aquele dinheiro que inicia o ciclo de produção novamente.

Trata-se de um processo de circulação. Os três volumes d’O Capital tratam dos diferentes aspectos desse processo. O primeiro trata da produção. O segundo, da circulação e do que chamamos de “realização” – a maneira como a mercadoria volta a se converter em dinheiro. Já o terceiro trata da distribuição – quanto vai para o proprietário, para o financiador e para o comerciante antes que tudo isso volte para o processo de circulação.

Isso é o que eu tento ensinar, de modo que as pessoas entendam as relações entre os três volumes d’O Capital e não se percam completamente em algum dos volumes ou partes deles.

Este artigo faz parte da 10ª edição da Revista Movimento. Para ler a entrevista completa compre a revista aqui!

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Publicamos a décima edição de nossa Revista Movimento. Dessa vez, celebramos os 80 anos de fundação da IV Internacional, comemorados em setembro de 2018, com uma seção especial. Há, também, artigos na seção internacional e de teoria. Fechamos esta edição quando a eleição brasileira se encerrava. Como não poderia deixar de ser, nesta décima edição de Movimento, apresentamos nossas primeiras análises sobre os resultados eleitorais. Sabemos que a vitória de Jair Bolsonaro trará graves ataques à classe trabalhadora e ao povo brasileiro. Estaremos com nosso povo, lutando em defesa das liberdades democráticas e de nossos direitos. Mais uma vez, esperamos que a revista seja uma ferramenta útil de construção e formação para nossos camaradas. Boa leitura!

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