Todos contra o G20 e a extrema-direita!
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Todos contra o G20 e a extrema-direita!

Participamos da mobilização continental contra o G20, para coordenar a uma guerra social contra os povos em curso.

Israel Dutra 29 nov 2018, 14:06

Participamos da mobilização continental contra o G20, para coordenar a necessária luta internacionalista contra os grandes capitalistas, o ascenso da extrema-direita e o plano de ajustes. O que está em curso é uma guerra social contra os povos!

A reunião dos grandes capitalistas, chefiados por Trump, ocorre sob o signo de uma crise econômica e política mundial. A desigualdade cresce como nunca no planeta, com oito homens concentrando mais riqueza que 3,6 bilhões de pessoas no mundo. Na nova reunião dos 20 países mais poderosos do mundo, a ordem o dia é estabilizar os conflitos comerciais e manter os ganhos do rentismo internacional, com uma maior presença direta do FMI nos países dependentes, como já acontece na Argentina, sede do encontro. O mesmo governo da Argentina que mantém ativistas presos, como Daniel Ruiz, da qual a CSP Conlutas vem fazendo uma campanha internacional pela imediata libertação.

Há um conflito aberto entre Trump e a China, por conta da guerra comercial e da escalada de tensões crescentes entre as duas potências econômicas, enquanto a União Europeia se enfraquece com a hipótese do Brexit. A reunião ocorre, portanto, num cenário onde reina a instabilidade e ronda o espectro de novas quedas na bolsa e de maiores picos de crise econômica.

O ascenso da extrema-direita no mundo é real, fruto da crise social e ecônomica, alimentados pela desilusão com governos da social-democracia, do “progressismo”. Liderados por Steve Bannon, movidos pela indústria das fake news, se alinham Erdogan na Turquia, Duterte nas Filipinas, Orban na Hungria, Duque na Colombia e agora Bolsonaro no Brasil. O papel que cumpre a direita sionista, em apoiar e financiar esses movimentos, é notório, com Bibi Netanyahu articulando o translado de embaixadas dos países alinhados para Jerusálem. O músico Roger Waters, em recente turnê pela América do Sul, denunciou a conformação desse novo “eixo” de governos da extrema-direita, convocando a “resistência”.

Solidariedade e resistência entre os povos

Se a militarização e o fechamento das fronteiras é a resposta da extrema-direita a crise da ordem liberal, a esquerda renovada e radical deve responder com solidariedade e defesa dos imigrantes, se unir as mobilizações contra os ajustes e contra a repressão, feitas principalmente por Trump.

São milhares de imigrantes oriundos da América Central, em busca de trabalho e dignidade. A realidade da defesa dos imigrantes e dos refugiados é uma linha que deve ser defendida diante do discurso xenófobo da extrema-direita, nas diferentes partes do mundo.

Um chamado continental contra Bolsonaro e por justiça por Marielle

Desde o PSOL, no Brasil, agradecemos a imensa solidariedade que recebemos no segundo turno eleitoral, de movimentos sociais e partidos de esquerda em todo mundo. A luta contra Bolsonaro e suas medidas deve mover a resistência não apenas no Brasil. São várias as medidas contra as quais estamos lutando:

  • Escola sem mordaça; projeto que acossa os professores, com perseguição e controle ideológico, censurando as aulas, reprimindo o ambiente educacional. Nesse momento, onde a luta pela educação encontra uma grande mobilização na Colômbia, os professores de todo continente devem se unir;
  • Contra as reformas neoliberais, como a reforma da previdência, o fim dos direitos trabalhistas e a venda das estatais como a Petrobrás e outras;
  • Em defesa da Amazônia, dos territórios indígenas e dos direitos dos povos originários;
  • Contra a perseguição a ativistas, dirigentes sociais, como lideranças do MST e do MTST;
  • E a campanha por justiça por Marielle, que junto a seu motorista Anderson Gomes, foi brutalmente assassinada, sem que se tenha esclarecido ou condenado os mandantes e assassinos.

É preciso construir uma alternativa internacionalista e anticapitalista

Precisamos combinar a ampla unidade de ação continental para barrar a extrema-direita em todo continente. Isso passa por todo tipo de ações unitárias, campanhas – para acabar com os muros e criar pontes – com todos setores. Mas também por tirar lições para a construção de alternativas de fato anticapitalistas: o anterior ciclo de governos chamados “progressistas” não alcançou resolver as contradições sociais, por sua estratégia de melhorar o capitalismo. Esse é o desafio do PSOL e da esquerda radical. Esperamos que as atividades desenvolvidas ao longo da resistência ao G20, como a confluência de movimentos sociais, possa ajudar a dar unidade para essa agenda e esse projeto.

Artigo originalmente publicado no site do PSOL.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
O MES completa 20 anos. A edição n. 14-15 da Revista Movimento é dedicada por completo ao importante evento que marca duas décadas de nossa história. Apesar de jovens, podemos dizer que poucas organizações na história política da esquerda brasileira alcançaram essa marca com tamanho vigor. Longe de autoproclamação, desejamos transformar nossos êxitos em força social e militante para novos e amplos impulsos. Ainda não cumprimos uma maratona, mas nossa história sem dúvida deixou para trás a visão de curto prazo, que alguns adversários nos chegaram a prognosticar. Diante das muitas provas, vitórias e algumas derrotas, podemos celebrar e somar forças para enfrentar as tarefas imediatas: derrotar a tentação autoritária de Bolsonaro e avançar na construção de uma alternativa socialista.