Migrantes cercados por gás lacrimogénio e ordens de expulsão
Pueblo Sin Fronteras

Migrantes cercados por gás lacrimogénio e ordens de expulsão

Vindos de diversas partes do continente latino-americano, trabalhadores são recebidos com violência nos EUA.

Esquerda.net 6 dez 2018, 12:27

A caravana de migrantes percorreu 4 mil quilómetros. Chegou a Tijuana no início do mês. Dizem fugir à perseguição, pobreza e violência nas Honduras, Guatemala e El Salvador. Este domingo um grupo tentou entrar nos EUA. Foram recebidos por gás lacrimogénio do lado dos Estados Unidos. Do lado mexicano, todos os que tenham participado na manifestação enfrentam agora ordem de expulsão, acusados de violência.

Entre o gás lacrimogéneo e a ameaça de expulsão, fica apenas uma longa espera pela quimera do asilo no país presidido por Trump, o presidente que jurou mantê-los afastados. Os campos temporários onde estão, dizem, estão a abarrotar.

“Não somos criminosos, somos trabalhadores!”

Will Grant, da BBC, narra como se formou a marcha pacífica e como cantavam: “Não somos criminosos, somos trabalhadores!” Conta também como, passado o córdão de segurança, se precipitaram para a fronteira e foram recebidos por gás lacrimogéneo. Relata na primeira pessoa a voz da sua esperança: “talvez Donald Trump nos possa dar uma oportunidade. Viemos aqui para trabalhar não para criar problemas ou cometer crimes”, diz um dos migrantes.

Há outras vozes que são já de desespero. À Reuteurs uma hondurenha confessava-se desesperada: “a minha menina está doente e eu nem sequer tenho dinheiro para leite.”

Trabalhadores, famílias com crianças pelo colo. milhares de pessoas estão acumuladas junto à fronteira. O site Pueblo sin Fronteras diz que é um movimento espontâneo: “quem organizou esta caravana foi a fome e a morte.” As autoridades mexicanas alegam não ter condições para lidar com a situação. E Trump responde-lhes com a ameaça de uso de “força letal”.

Artigo originalmente publicado em 26 de novembro no Esquerda.net.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.