Não sucumba diante de políticas reacionárias
Reprodução

Não sucumba diante de políticas reacionárias

A contradição do mundo hoje não se resume a classe trabalhadora versus grandes capitalistas, mas também entre modernidade e atraso.

Roberto Robaina 28 dez 2018, 13:29

Quando parte das classes médias altas e setores da burguesia mostraram sua disposição de apoiar um discurso que dissemina preconceitos e ódio contra mulheres, negros e a comunidade LGBT, foi visível que você, governador gaúcho eleito, ficou incomodado. Assim decidiu não abraçar esse bloco político autoritário com o entusiasmo que o fez seu oponente no segundo turno. Sendo um político que, em minha avaliação, busca representar a burguesia gaúcha, sua atitude, ainda que tímida, deixou claro que nem todos os políticos da classe dominante estão hoje alinhados com o discurso do ódio.

A contradição do mundo hoje não se resume a classe trabalhadora versus grandes capitalistas, mas também entre modernidade e atraso, valores culturais progressistas versus valores reacionários e neofascistas. Que o novo governador não sucumba diante dessas políticas reacionárias seria um bom caminho.

Infelizmente, em seu sistema de alianças, tais forças reacionárias estão presentes e também pautaram as suas posições acerca desses temas. Posições autoritárias já se fazem sentir, como a tentativa de censurar os professores em escolas e em projetos de lei como a Escola sem Partido, cujo conteúdo verdadeiro significa uma escola com mordaça. O fim da preciosa colaboração dos médicos cubanos com o programa de saúde mostra também os efeitos de posições reacionárias combinadas com despreparo do presidente eleito.

Vamos seguir defendendo o programa que erguemos na campanha, cujo centro é a luta pela igualdade e contra os privilégios. Isso significa apostar na associação dos trabalhadores, no apoio aos pequenos produtores e na defesa de que os recursos públicos sejam destinados aos mais pobres, para garantir educação e saúde pública. 

Para tanto, é fundamental combater os privilégios dos megaempresários que continuam com bilionárias isenções de impostos. Com tais isenções, uma vez mais o povo estará abandonado a sua própria sorte. Como vereador de Porto Alegre, é ao lado da luta do povo onde estarei.

Artigo originalmente publicado pelo jornal Zero Hora.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.