Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Não sucumba diante de políticas reacionárias

A contradição do mundo hoje não se resume a classe trabalhadora versus grandes capitalistas, mas também entre modernidade e atraso.

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Quando parte das classes médias altas e setores da burguesia mostraram sua disposição de apoiar um discurso que dissemina preconceitos e ódio contra mulheres, negros e a comunidade LGBT, foi visível que você, governador gaúcho eleito, ficou incomodado. Assim decidiu não abraçar esse bloco político autoritário com o entusiasmo que o fez seu oponente no segundo turno. Sendo um político que, em minha avaliação, busca representar a burguesia gaúcha, sua atitude, ainda que tímida, deixou claro que nem todos os políticos da classe dominante estão hoje alinhados com o discurso do ódio.

A contradição do mundo hoje não se resume a classe trabalhadora versus grandes capitalistas, mas também entre modernidade e atraso, valores culturais progressistas versus valores reacionários e neofascistas. Que o novo governador não sucumba diante dessas políticas reacionárias seria um bom caminho.

Infelizmente, em seu sistema de alianças, tais forças reacionárias estão presentes e também pautaram as suas posições acerca desses temas. Posições autoritárias já se fazem sentir, como a tentativa de censurar os professores em escolas e em projetos de lei como a Escola sem Partido, cujo conteúdo verdadeiro significa uma escola com mordaça. O fim da preciosa colaboração dos médicos cubanos com o programa de saúde mostra também os efeitos de posições reacionárias combinadas com despreparo do presidente eleito.

Vamos seguir defendendo o programa que erguemos na campanha, cujo centro é a luta pela igualdade e contra os privilégios. Isso significa apostar na associação dos trabalhadores, no apoio aos pequenos produtores e na defesa de que os recursos públicos sejam destinados aos mais pobres, para garantir educação e saúde pública. 

Para tanto, é fundamental combater os privilégios dos megaempresários que continuam com bilionárias isenções de impostos. Com tais isenções, uma vez mais o povo estará abandonado a sua própria sorte. Como vereador de Porto Alegre, é ao lado da luta do povo onde estarei.

Artigo originalmente publicado pelo jornal Zero Hora.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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