Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Organizar a resistência indígena para derrotar Bolsonaro e o facismo! Pela Demarcação das Nossas Terras!

Suas declarações ignora todo o histórico de luta pela preservação das terras e pelo direito à vida.

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O atual cenário político no Brasil mostra um caminho de muitos retrocessos, principalmente para os povos originários. O ataque aos povos indígenas revela a grande retirada de direitos que vem por aí por parte do governo Bolsonaro. As declarações do futuro presidente contra o meio ambiente e aos povos tradicionais ignora todo o histórico de luta pela preservação das terras e pelo direito à vida e vai de encontro principalmente contra o artigo 231 da constituição federal de 1988 que diz:São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens”.

A luta pela causa indígena contra o avanço das explorações de terras não vem de hoje. Há 518 anos, nós, povos indígenas, resistimos contra a tentativa dos poderosos de tomar nossas terras. No período recente, resistimos diante da construção de Belo Monte, nos governos do PT, quando Altamira (Pará) foi palco de grandes conflitos contra o governo Lula, que abria as portas para Belo Monte, que viria causar enormes danos as populações indígenas e não indígenas e impactos socioambientais no Rio Xingu.

Todavia, tudo indica que, no governo Bolsonaro, os ataques contra os povos indígenas terão dimensões ainda mais terríveis. As declarações do presidente eleito apontam para a expropriação das nossas terras e violações graves aos nossos direitos.

Recentemente Bolsonaro comparou indígenas que vivem em reservas a animais em zoológicos. Não é de hoje que Bolsonaro se mostra indiferente aos povos indígenas brasileiros, as perseguições são constantes, principalmente quando se trata da demarcação de terras que há anos se tem uma batalha travada contra o agronegócio a exploração de madeira ilegal e de minérios já que este defende a garimpagem, e declarando que em seu governo “Não vai ter um centímetro demarcado para reserva indígena ou para quilombola”, e “Onde tem uma terra indígena, tem uma riqueza embaixo dela. Temos que mudar isso daí.

Bolsonaro que sempre declarou seguir os passos de Temer no entregar da Amazônia a colocará em xeque para as possíveis construções de megaprojetos, o presidente que sempre aparece com seu discurso nacionalista, não passa de um entreguista às grandes empresas multinacionais, estrangeiras e aos barões da pecuária e do agronegócio. Prova disso é a recente crítica sobre a legislação ambiental pelo “excesso de exigências que acabam por dificultar o empreendedorismo no país.

A situação dos povos indígenas é caótica, principalmente para a maior parte que vive na Amazônia, um dos pontos que mais sofrerá ataques por parte do governo Bolsonaro, como dito acima. Viver no olho do furacão será viver em constante luta pelo direito de existir e viver na terra. O avanço do agronegócio dará margem à expulsão compulsória de ribeirinhos, indígenas e quilombolas de seus territórios. Um dos grandes retrocessos antes mesmo de ele assumir foi sair em defesa da junção dos ministérios do meio ambiente e da agricultura em que afirma que será “um fim na indústria das multas, bem como levar harmonia ao campo”, e depois de muita pressão por parte de ambientalistas, e setores que defendem o meio ambiente recuou.

Porém o mais preocupante foi a recente declaração do novo ministro-chefe da Casa Civil do governo de Bolsonaro o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), sobre a possível ida da FUNAI (FUNDAÇÃO NACIONAL DO INDIO) para a pasta da agricultura: “A Funai precisa de um novo direcionamento, uma nova forma de relacionamento. O Brasil, há muitos anos, cuida de seus índios através de ONGs, que nem sempre fazem um trabalho mais adequado. Então a visão que o presidente tem é no sentido de dar condições àqueles indígenas que quiserem, aqueles grupamentos ou aquelas pessoas, possam buscar outra condição”. No entanto recentemente Bolsonaro declara Damares Alves como a nova ministra dos Direitos Humanos e Direitos das Mulheres e declara que retirará a FUNAI do ministério da justiça para jogar a FUNAI nas garras da nova ministra pastora fundamentalista acusada de fomentar o racismo contra índios  e de sequestrar crianças indígenas.

O futuro da FUNAI é preocupante e não é de hoje que essa “crise” vem nos preocupando, em um ano a bancada ruralista  derrubou dois presidentes por não atender aos seus interesses. Tudo indica que o próximo presidente do órgão indigenista será uma figura alinhada aos interesses dos ruralistas.

Outro fato recente que caminho no sentido do genocídio indireto dos indígenas foi a saída dos médicos cubanos do programa mais médicos. Uma porcentagem expressiva da população que vive em aldeias indígenas era assistida pelo programa. Tais aldeias ficarão sem atendimento médico. As aldeias indígenas do norte do país são as mais atacadas com a desistência dos medicos brasileiros, o estados do Amazonas, Amapá e Pará são os que mais sofrem com essa defasagem. Recentemente nos (DSEI) Amazonas somente 29 candidatos se apresentaram, enquanto 63 vagas ficaram em aberto. No Pará além dos 7 municipios (Anajás, Aveiro, Bagre, Curuá, Faro, Melgaço e Placas) estavam em falta e atendem a população não indígena, o  (DSEI) Tapajós das 12 vagas ofertadas apenas 4 foram preenchidas e nos (DSEIS) Amapá ainda restavam 2 vagas das nove, porém haviam municípios com vagas abertas . Assim, a morte dos direitos básicos sociais está acontecendo antes mesmo de Bolsonaro assumir

O genocídio dos nossos corpos continua se perpetuando por longos 5 séculos, nunca foi fácil ser indígena no Brasil, e não será agora nesse atual governo principalmente com o protofascismo em avanço que dá aval as perseguições enquanto nossas terras ainda não são demarcadas.

Esse momento exige organizar a resistência indígena para derrubar Bolsonaro e o fascismo. Nossa luta vem de longe, seguimos os mesmos passos de nossos antepassados, somos sementes daqueles que lutaram e resistiram até o fim para que estivéssemos aqui hoje na luta pela nossa sobrevivência e daqueles que virão.

Seguiremos lutando como nos ensinaram as grandes lideranças indígenas do Brasil: RaoniKayapó, que foi uma grande lutador pelas causas indígenas e ambientais e hojesegue sendo nosso símbolo de luta e resistência; Tuíra Kayapó, que levou seufacão ao rosto do engenheiro da Eletronorte contra as construções de BeloMonte; Alessandra Korap Munduruku, uma grande guerreira do Médio Tapajós querecentemente em uma audiência em Brasília denunciou a grande contaminação doRio Tapajós pelas plantações de soja e uso de agrotóxicos totalmente nocivosaos indígenas e ao meio ambiente; e Sônia Guajajara, que em 518 anos de Brasil,foi a primeira indígena a concorrer numa chapa à presidência da república,mostrando que vamos continuar lutando pela retomada dos lugares que nos foramretirados pela brutal colonização deste país.

Lute como umindígena!

REFERENCIAS:

https://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/2018/11/30/indios-em– reservas-sao-como-animais-em-zoologicos-diz-bolsonaro.ghtml

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/11/07/politica/1541597534_734796.html?fbclid=IwAR0aMeEjLStekYTYfFUriE7HWVNB-2ejt7as1-lqv5AtIWqxQz7RN96XBtI
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/11/no-que-depender-de-mim-nao-tem-mais-demarcacao-de-terra-indigena-diz-bolsonaro-a-tv.shtml?fbclid=IwAR1zYUsU6nnlleSfLmfyzcrr6vrl7KGOqIiCE6s4cN1_hXiNBGmhpEX-9EM
http://www.ihu.unisinos.br/584042-bolsonaro-pode-acabar-com-129-processos-de-demarcacao-de-terra-indigena?fbclid=IwAR0l5wCtCw9wWhZCo9S7BYx16wPJR1KKzR_QEjMzr6-VjKdLZPdKUQhI4Lo
https://theintercept.com/2018/11/05/passado-garimpeiro-bolsonaro/?fbclid=IwAR19_n9MlTBKjfBNYywkwM5W_o2HS9echN6lZdhMYOiv-t8IVk1o65ANYG8
https://www.cartacapital.com.br/politica/bolsonaro-confirma-fusao-das-pastas-da-agricultura-e-do-meio-ambiente?fbclid=IwAR1GM426FabfDcbNKLkCYfUo0iTU7AKdulC1Sdora7G63PmkqYWTWtoSTiM


REVISÃO: Ib Tapajós

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

A décima terceira edição da Revista Movimento dedica-se ao debate sobre os desafios da esquerda socialista no Brasil diante da crise nacional que se desenrola há anos e do governo Bolsonaro. Para tanto, foram convidados dirigentes do PSOL, do MES e de outras organizações revolucionárias que atuam no partido. O dossiê sobre a estratégia da esquerda e o PSOL reflete os desafios da organização de um polo socialista no interior do partido. Há também, na seção nacional, reflexões sobre a crise econômica brasileira, as revelações de The Intercept e as lutas da juventude e da negritude. As efemérides do centenário da escola Bauhaus e do cinquentenário do levante de Stonewall também aparecem no volume, além da tese das mulheres do MES para o Encontro de Mulheres do PSOL.

Ilustração da capa da Revista Movimento

MES: Movimento Esquerda Socialista MES: Movimento Esquerda Socialista