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Liberdade para Battisti! Uma extradição absurda!

As acusações contra Battisti são de ordem persecutória.

Cesare Battisti, preso, ao desembarcar em Roma - Alberto Pizzoli / AFP
Cesare Battisti, preso, ao desembarcar em Roma - Alberto Pizzoli / AFP

Na noite de sábado, 12 de Janeiro, na cidade boliviana de Santa Cruz de la Sierra, foi montado um operativo enorme para a captura do escritor e ex-ativista político italiano Cesare Battisti. Foram agentes bolivianos e agentes da Interpol que prenderam Cesare Battisti nas ruas da cidade, apreendido com um documento autêntico, com nome verdadeiro e sua data de nascimento. Desde o final de 2018, uma equipe especial da polícia italiana estava à espreita na cidade boliviana. Apenas a PF brasileira organizou mais de 30 diligências na região de fronteira, em parceria com outros países, para ordenar a “caçada” contra Battisti.

Ainda em 18 de dezembro, Battisti havia solicitado em carta ao governo boliviano, o status de refugiado político, com base nas diretrizes da ACNUR(Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados), novamente referindo que a ordem de prisão italiana era ilegal, baseada em argumentos inverídicos, além de prescrita no país de origem de Battisti- na atual legislação brasileira, o limite é de 30 anos.

As acusações contra Battisti são de ordem persecutória. Os juízos nos anos 80, parte deles na França, nunca foram conclusivos acerca da participação efetiva nas ações dos grupos armados no final dos anos setenta na Itália. O julgamento em 1993, extremamente parcial, foi feito à revelia.

A decisão do governo brasileiro, no final de 2010, foi justa e correta. Battisti foi solto e recebeu um visto de permanência.

Bolsonaro e Salvini: elã reacionário

A sanha contra Battisti se intensifcou nos últimos anos como parte de uma campanha da ultradireita mundial. Tanto o governo populista de direita de Mateo Salvini, na Itália, quanto Bolsonaro gostariam de exibir a prisão de Cesare Battisti como um troféu, para desmoralizar a esquerda e ganhar pontos diante de sua base. Não por acaso, a situação interna na Itália é complicada, com um crescente questionamento à política da atual coalizão de governo, onde a dívída pública é uma bomba de tempo que está prestes a explodir, derrubando a já combalida economia do país. Com a prisão de Cesare Battisti, o governo volta a ter uma ofensiva discursiva da “mão dura contra os criminosos de esquerda”. Battisti caminha para a prisão perpétua.

No caso brasileiro, apesar da prioridade na caçada, o sentimento da cúpula do governo de frustração. Com o envio direto para Roma do prisioneiro político, o avião da PF brasileira voltou vazio, evitando a “escala”. Apesar de comemorar no twitter, Bolsonaro queria aproveitar do trófeu para exibir em solo nacional, uma vez que foi a última residência do italiano.

O primeiro-ministro italiano, Guisppe Conte agradeceu por telefone e Salvini não poupou sua nesfasta retórica nas redes sociais: “um delinquente que não merece vida confortável na praia e terminará seus dias na cadeia”.

A prisão de Battisti é injusta

Enquanto os setores reacionários festejam em meio a manchetes de jornais e sites, cabe a denúncia da fragilidade do processo e a luta- que começou contrária a prisão de Battisti- agora pela libertação do mesmo em território italiano. Mesmo sendo uma pauta controversa, não se trata de eximir responsabilidades, mas de condenar como injusta a prisão.

Lamentamos também o papel de Mino Carta e de sua revista, Carta Capital, tida como progressista por muitos na sociedade, que foi o principal entusiasta da caçada contra Battisti, durante mais de uma década.

Aos que caluniam o PSOL com fakenews como vários dos próceres da nova direita, voltamos a colocar o nosso compromisso com a liberdade, a defesa dos direitos e a luta por justiça.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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