Liberdade para Battisti! Uma extradição absurda!
Cesare Battisti, preso, ao desembarcar em Roma - Alberto Pizzoli / AFP

Liberdade para Battisti! Uma extradição absurda!

As acusações contra Battisti são de ordem persecutória.

Israel Dutra 14 jan 2019, 11:53

Na noite de sábado, 12 de Janeiro, na cidade boliviana de Santa Cruz de la Sierra, foi montado um operativo enorme para a captura do escritor e ex-ativista político italiano Cesare Battisti. Foram agentes bolivianos e agentes da Interpol que prenderam Cesare Battisti nas ruas da cidade, apreendido com um documento autêntico, com nome verdadeiro e sua data de nascimento. Desde o final de 2018, uma equipe especial da polícia italiana estava à espreita na cidade boliviana. Apenas a PF brasileira organizou mais de 30 diligências na região de fronteira, em parceria com outros países, para ordenar a “caçada” contra Battisti.

Ainda em 18 de dezembro, Battisti havia solicitado em carta ao governo boliviano, o status de refugiado político, com base nas diretrizes da ACNUR(Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados), novamente referindo que a ordem de prisão italiana era ilegal, baseada em argumentos inverídicos, além de prescrita no país de origem de Battisti- na atual legislação brasileira, o limite é de 30 anos.

As acusações contra Battisti são de ordem persecutória. Os juízos nos anos 80, parte deles na França, nunca foram conclusivos acerca da participação efetiva nas ações dos grupos armados no final dos anos setenta na Itália. O julgamento em 1993, extremamente parcial, foi feito à revelia.

A decisão do governo brasileiro, no final de 2010, foi justa e correta. Battisti foi solto e recebeu um visto de permanência.

Bolsonaro e Salvini: elã reacionário

A sanha contra Battisti se intensifcou nos últimos anos como parte de uma campanha da ultradireita mundial. Tanto o governo populista de direita de Mateo Salvini, na Itália, quanto Bolsonaro gostariam de exibir a prisão de Cesare Battisti como um troféu, para desmoralizar a esquerda e ganhar pontos diante de sua base. Não por acaso, a situação interna na Itália é complicada, com um crescente questionamento à política da atual coalizão de governo, onde a dívída pública é uma bomba de tempo que está prestes a explodir, derrubando a já combalida economia do país. Com a prisão de Cesare Battisti, o governo volta a ter uma ofensiva discursiva da “mão dura contra os criminosos de esquerda”. Battisti caminha para a prisão perpétua.

No caso brasileiro, apesar da prioridade na caçada, o sentimento da cúpula do governo de frustração. Com o envio direto para Roma do prisioneiro político, o avião da PF brasileira voltou vazio, evitando a “escala”. Apesar de comemorar no twitter, Bolsonaro queria aproveitar do trófeu para exibir em solo nacional, uma vez que foi a última residência do italiano.

O primeiro-ministro italiano, Guisppe Conte agradeceu por telefone e Salvini não poupou sua nesfasta retórica nas redes sociais: “um delinquente que não merece vida confortável na praia e terminará seus dias na cadeia”.

A prisão de Battisti é injusta

Enquanto os setores reacionários festejam em meio a manchetes de jornais e sites, cabe a denúncia da fragilidade do processo e a luta- que começou contrária a prisão de Battisti- agora pela libertação do mesmo em território italiano. Mesmo sendo uma pauta controversa, não se trata de eximir responsabilidades, mas de condenar como injusta a prisão.

Lamentamos também o papel de Mino Carta e de sua revista, Carta Capital, tida como progressista por muitos na sociedade, que foi o principal entusiasta da caçada contra Battisti, durante mais de uma década.

Aos que caluniam o PSOL com fakenews como vários dos próceres da nova direita, voltamos a colocar o nosso compromisso com a liberdade, a defesa dos direitos e a luta por justiça.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.