Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Não à extradição de Cesare Battisti

Enquanto torturadores são tratados como heróis pelo novo presidente, um ex-militante de extrema esquerda é caçado mesmo depois de décadas.

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A prisão do escritor italiano foi consumada. É a nova cara da política brasileira. Enquanto torturadores da ditadura militar são tratados como heróis pelo novo presidente e o vice presidente, um ex-militante de uma organização de extrema esquerda da luta armada é caçado mesmo depois de décadas. E além disso Cesare Battisti jamais confessou crime algum; se declara inocente. Ele durante anos viveu na França e durante anos esteve no Brasil. Sempre com uma vida pacata. Mas o governo Bolsonaro, que não é capaz de resolver os problemas reais do povo, quer mostrar serviço para a extrema direita. E nesse ponto tem apoio até da grande mídia e do senso comum. A própria abordagem da Folha, um jornal burguês com cobertura mais aberta, mais democrática, mostra sua essência reacionária ao dar como manchete que o “terrorista” foi preso. Battisti pode ter sido um terrorista, mas há pelo menos 40 anos não tem nada a ver com isso. É um escritor e um refugiado. 

Espero que a Bolívia não o entregue para o Brasil e mantenha seu direito de ficar no país. A extradição para o Brasil seria uma forma de premiar esse imundo governo Bolsonaro. Espero que a Bolívia tampouco aceite sua extradição para a Itália, onde ficará em prisão perpétua- a Itália tem um governo com posiçoes fascistas – ou até morto.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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