Não à extradição de Cesare Battisti
Reprodução

Não à extradição de Cesare Battisti

Enquanto torturadores são tratados como heróis pelo novo presidente, um ex-militante de extrema esquerda é caçado mesmo depois de décadas.

Roberto Robaina 13 jan 2019, 13:03

A prisão do escritor italiano foi consumada. É a nova cara da política brasileira. Enquanto torturadores da ditadura militar são tratados como heróis pelo novo presidente e o vice presidente, um ex-militante de uma organização de extrema esquerda da luta armada é caçado mesmo depois de décadas. E além disso Cesare Battisti jamais confessou crime algum; se declara inocente. Ele durante anos viveu na França e durante anos esteve no Brasil. Sempre com uma vida pacata. Mas o governo Bolsonaro, que não é capaz de resolver os problemas reais do povo, quer mostrar serviço para a extrema direita. E nesse ponto tem apoio até da grande mídia e do senso comum. A própria abordagem da Folha, um jornal burguês com cobertura mais aberta, mais democrática, mostra sua essência reacionária ao dar como manchete que o “terrorista” foi preso. Battisti pode ter sido um terrorista, mas há pelo menos 40 anos não tem nada a ver com isso. É um escritor e um refugiado. 

Espero que a Bolívia não o entregue para o Brasil e mantenha seu direito de ficar no país. A extradição para o Brasil seria uma forma de premiar esse imundo governo Bolsonaro. Espero que a Bolívia tampouco aceite sua extradição para a Itália, onde ficará em prisão perpétua- a Itália tem um governo com posiçoes fascistas – ou até morto.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.