Sim ao diálogo, não ao intervencionismo!

Sim ao diálogo, não ao intervencionismo!

Movimento da esquerda peruana se coloca contra o intervencionismo na Venezuela.

Nuevo Perú 30 jan 2019, 12:47

Ante os graves feitos que ocorrem na Venezuela expressamos o seguinte:

1- Historicamente o Peru tem mantido uma tradição diplomática de respeito à soberania nacional e a resolução pacífica dos conflitos, totalmente contraposta às saídas intervencionistas e belicistas que hoje mantém a Chancelaria. Fazemos um chamado ao governo de Martín Vizcarra para que reinstale a política internacional peruana frente a Venezuela pensando nos interesses nacionais e latino-americanos, não seguindo o roteiro ideológico orquestrado pelo governo de Donald Trump.

2- Na grave conjuntura que vive a Venezuela, reconhecer o governo paralelo de Juan Guaidó, como acaba de fazer os Estados Unidos seguido pelo Peru e outros países do Grupo de Lima, expressa intervencionismo e incentiva uma perigosa confrontação que pode desembocar numa espiral de maior violência. Existe responsabilidade direta de Nicolás Maduro nesta crise, mas nos países soberanos os presidentes não são eleitos pela correlação de forças internacional, mas pelos povos participando e fazendo política, buscando e negociando saídas para seus conflitos internos mediante o diálogo e os mecanismos democráticos estabelecidos.

3- Rechaçamos qualquer intervencionismo militar e fazemos um chamado a encontrar saídas pacíficas que permitam alcançar a estabilidade política. Na Venezuela a polarização social, expressada nas ruas, se alimenta da incapacidade das elites para se chegar a acordos. Enquanto mais se demore para alcançar uma saída negociada, mais risco haverá de saídas violentas. Urge que os distintos setores em conflito admitam a necessidade de diálogo e conversem, colocando os interesses da população acima de tudo.

4- A solução da crise venezuelana somente será possível respeitando a soberania, os direitos humanos e a convivência política entre as nações. Em momentos nos quais os projetos reacionários de xenofobia, machismo e depredação da natureza pretendem ganhar terreno e apelar para o discurso bélico com facilidade, o Novo Peru sempre lutará para que a América Latina continu sendo uma zona de paz.

Reprodução da tradução realizada pelo Portal da Esquerda em Movimento.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.