Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Sim ao diálogo, não ao intervencionismo!

Movimento da esquerda peruana se coloca contra o intervencionismo na Venezuela.

Ante os graves feitos que ocorrem na Venezuela expressamos o seguinte:

1- Historicamente o Peru tem mantido uma tradição diplomática de respeito à soberania nacional e a resolução pacífica dos conflitos, totalmente contraposta às saídas intervencionistas e belicistas que hoje mantém a Chancelaria. Fazemos um chamado ao governo de Martín Vizcarra para que reinstale a política internacional peruana frente a Venezuela pensando nos interesses nacionais e latino-americanos, não seguindo o roteiro ideológico orquestrado pelo governo de Donald Trump.

2- Na grave conjuntura que vive a Venezuela, reconhecer o governo paralelo de Juan Guaidó, como acaba de fazer os Estados Unidos seguido pelo Peru e outros países do Grupo de Lima, expressa intervencionismo e incentiva uma perigosa confrontação que pode desembocar numa espiral de maior violência. Existe responsabilidade direta de Nicolás Maduro nesta crise, mas nos países soberanos os presidentes não são eleitos pela correlação de forças internacional, mas pelos povos participando e fazendo política, buscando e negociando saídas para seus conflitos internos mediante o diálogo e os mecanismos democráticos estabelecidos.

3- Rechaçamos qualquer intervencionismo militar e fazemos um chamado a encontrar saídas pacíficas que permitam alcançar a estabilidade política. Na Venezuela a polarização social, expressada nas ruas, se alimenta da incapacidade das elites para se chegar a acordos. Enquanto mais se demore para alcançar uma saída negociada, mais risco haverá de saídas violentas. Urge que os distintos setores em conflito admitam a necessidade de diálogo e conversem, colocando os interesses da população acima de tudo.

4- A solução da crise venezuelana somente será possível respeitando a soberania, os direitos humanos e a convivência política entre as nações. Em momentos nos quais os projetos reacionários de xenofobia, machismo e depredação da natureza pretendem ganhar terreno e apelar para o discurso bélico com facilidade, o Novo Peru sempre lutará para que a América Latina continu sendo uma zona de paz.

Reprodução da tradução realizada pelo Portal da Esquerda em Movimento.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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