Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Doria quer fechar museus, bibliotecas e centros culturais

Após pressão, governador diz que mantém o Projeto Guri, mas fará cortes em outros programas da culturais.

Reprodução.
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Doria não está nem aí para a Cultura. Ele quis cortar verba do Projeto Guri, que atende mais de 64 mil crianças e jovens em todo o estado – mas recuou depois de muita pressão da sociedade e dos ativistas culturais.

Só que Doria já declarou que Cultura não é uma prioridade em seu governo e anunciou que vai tirar verba de outros projetos. A Associação Brasileira das Organizações Sociais da Cultura divulgou, em nota, que está preocupada com o contingenciamento de R$ 148,5 milhões do orçamento destinado à Secretaria de Cultura e Economia Criativa.

Para se ter uma ideia da desproporção, o contingenciamento geral de recursos previsto pelo tesouro estadual é de 3,54%. Só que só todos os cortes previstos para a Cultura respondem por 2,83% desse total. Ou seja, o corte é absurdamente desigual. Isso afetará equipamentos culturais como as Fábricas de Cultura, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP), o Museu da Imagem e do Som, o Museu Afro Brasil e muitos outros.

Se isso acontecer, milhares de alunos beneficiados pelas atividades educativas destas e de outras instituições deixarão de ser assistidos, centenas de funcionários serão demitidos, entre professores, arte-educadores, bailarinos, músicos, cantores, produtores e equipes técnicas, afetando duramente a geração de empregos e a cadeia produtiva da chamada indústria criativa.

Doria gosta de ir ao jornais e fazer propaganda para falar que considera a economia criativa importante para o estado. Até mudar o nome da Secretaria ele mudou. Só que, mais uma vez, isso não passa de estratégia de marketing, blá blá blá de gente que vive de aparência. Na prática, Doria não está nem aí para a cultura, para o estado de São Paulo, para os trabalhadores culturais e para a população carente da periferia, que tem pouca opção de educação, lazer e cultura perto de casa.

Precisamos unir forças e impedir esse retrocesso em nosso estado. Se conseguimos barrar os cortes no Projeto Guri, podemos impedir esse absurdo.

Artigo originalmente publicado no site de Sâmia Bomfim.

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Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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