Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Lembrar a ditadura para lutar contra as ameaças atuais

Cinquenta e cinco anos depois do golpe militar vemos novamente a ameaça da extrema direita contra a democracia no Brasil.

Cinquenta e cinco anos depois do golpe militar vemos novamente a ameaça da extrema direita contra a democracia no Brasil. A derrubada do presidente João Goulart em 1964 iniciou uma longa ditadura que retirou direitos democráticos, exilou, torturou e executou adversários políticos para barrar reformas sociais os anseios por reformas sociais apresentados durante o governo do então presidente.

A perseguição chegou a diversas esferas da política e atingiu inclusive setores da direita. As cassações de direitos, os exílios e as eliminações físicas de políticos, artistas, ativistas e militantes marcaram as duas décadas de violência e retrocesso enfrentadas no país, influenciando negativamente a vida em todos os aspectos.

Os trabalhadores foram os mais atingidos, com suas lideranças perseguidas e o impedimento de se organizarem de forma autônoma. A repressão da ditadura contra toda forma de organização desmantelou importantes espaços de luta e transformou os sindicatos em órgãos completamente ligados ao governo, acabando com sua autonomia e combatividade. Não por acaso, a derrubada da ditadura foi fruto da organização dos trabalhadores tanto combatidos pelos militares e seus empresários apoiadores.

Ao contrário do que é dito pela extrema-direita, a ditadura militar foi um regime violento e corrupto, uma forma de governo sem nenhuma transparência que prendia e assassinava seus críticos nas mais diversas áreas. Os sucessivos Atos Institucionais decretados pelos militares acabaram com quaisquer direitos ou garantias legais e culminaram com o total controle da sociedade, que escolhiam inclusive governadores, prefeitos e parlamentares sem a realização de eleições.

Hoje nos deparamos com o perigo representado por Bolsonaro, presidente que defende abertamente o regime de 1964 em todos os seus aspectos, inclusive na prática de tortura. Suas declarações em defesa de notórios torturadores, como Carlos Brilhante Ustra, e sua movimentação em defesa da comemoração pública do golpe militar demonstram o grande problema políticos enfrentado pelo Brasil atualmente.

Esta posição abertamente reacionário choca inclusive fora do país, como no recente caso das críticas do presidente do Chile, o conservador Sebastián Pinera, aos elogios de Bolsonaro ao ditador chileno Augusto Pinochet. Sua retórica contra a democracia e em prol da violência acirra ainda mais a violência estatal de um país já extremamente violento como o nosso.

Seus ataques aos trabalhadores estão neste contexto. A proposta de Reforma da Previdência, que restringe direitos essenciais como a aposentadoria e outros benefícios, é parte desse programa político de exploração. A perseguição realizada pelo governo Bolsonaro contra os sindicatos também é parte disso, buscando impedir a organização dos trabalhadores justamente no momento que procura aprovar mudanças que retiram direitos.

Neste momento difícil para os trabalhadores brasileiros, lembrar da opressão da ditadura militar e da resistência do povo é muito importante para resistirmos aos novos ataques e construirmos uma resposta conjunta contra as propostas reacionárias e violentas da extrema-direita. Continuamos em luta e não nos esqueceremos!

Ditadura nunca mais!

Artigo originalmente publicado no site do Mover!.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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