Lembrar a ditadura para lutar contra as ameaças atuais

Lembrar a ditadura para lutar contra as ameaças atuais

Cinquenta e cinco anos depois do golpe militar vemos novamente a ameaça da extrema direita contra a democracia no Brasil.

Bruno Magalhães 1 abr 2019, 19:22

Cinquenta e cinco anos depois do golpe militar vemos novamente a ameaça da extrema direita contra a democracia no Brasil. A derrubada do presidente João Goulart em 1964 iniciou uma longa ditadura que retirou direitos democráticos, exilou, torturou e executou adversários políticos para barrar reformas sociais os anseios por reformas sociais apresentados durante o governo do então presidente.

A perseguição chegou a diversas esferas da política e atingiu inclusive setores da direita. As cassações de direitos, os exílios e as eliminações físicas de políticos, artistas, ativistas e militantes marcaram as duas décadas de violência e retrocesso enfrentadas no país, influenciando negativamente a vida em todos os aspectos.

Os trabalhadores foram os mais atingidos, com suas lideranças perseguidas e o impedimento de se organizarem de forma autônoma. A repressão da ditadura contra toda forma de organização desmantelou importantes espaços de luta e transformou os sindicatos em órgãos completamente ligados ao governo, acabando com sua autonomia e combatividade. Não por acaso, a derrubada da ditadura foi fruto da organização dos trabalhadores tanto combatidos pelos militares e seus empresários apoiadores.

Ao contrário do que é dito pela extrema-direita, a ditadura militar foi um regime violento e corrupto, uma forma de governo sem nenhuma transparência que prendia e assassinava seus críticos nas mais diversas áreas. Os sucessivos Atos Institucionais decretados pelos militares acabaram com quaisquer direitos ou garantias legais e culminaram com o total controle da sociedade, que escolhiam inclusive governadores, prefeitos e parlamentares sem a realização de eleições.

Hoje nos deparamos com o perigo representado por Bolsonaro, presidente que defende abertamente o regime de 1964 em todos os seus aspectos, inclusive na prática de tortura. Suas declarações em defesa de notórios torturadores, como Carlos Brilhante Ustra, e sua movimentação em defesa da comemoração pública do golpe militar demonstram o grande problema políticos enfrentado pelo Brasil atualmente.

Esta posição abertamente reacionário choca inclusive fora do país, como no recente caso das críticas do presidente do Chile, o conservador Sebastián Pinera, aos elogios de Bolsonaro ao ditador chileno Augusto Pinochet. Sua retórica contra a democracia e em prol da violência acirra ainda mais a violência estatal de um país já extremamente violento como o nosso.

Seus ataques aos trabalhadores estão neste contexto. A proposta de Reforma da Previdência, que restringe direitos essenciais como a aposentadoria e outros benefícios, é parte desse programa político de exploração. A perseguição realizada pelo governo Bolsonaro contra os sindicatos também é parte disso, buscando impedir a organização dos trabalhadores justamente no momento que procura aprovar mudanças que retiram direitos.

Neste momento difícil para os trabalhadores brasileiros, lembrar da opressão da ditadura militar e da resistência do povo é muito importante para resistirmos aos novos ataques e construirmos uma resposta conjunta contra as propostas reacionárias e violentas da extrema-direita. Continuamos em luta e não nos esqueceremos!

Ditadura nunca mais!

Artigo originalmente publicado no site do Mover!.

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.