Quem tem medo de democracia?
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Quem tem medo de democracia?

O governador Eduardo Leite quer privatizar sem consultar a população.

Luciana Genro 8 abr 2019, 20:42

O projeto do governador Eduardo Leite que extingue a necessidade de plebiscito para privatização da CEEE, da CRM e da Sulgás foi aprovado na última terça, dia 02 de abril, na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa. Em breve, a proposta poderá ser levada ao plenário, que dará o veredito final.

Vários argumentos sustentam o meu posicionamento contrário às privatizações. Mas, desta vez, eu não quero focar no mérito da proposta, se a venda das nossas estatais é correta ou não. Eu quero ressaltar o absurdo que é um governo propor, e trabalhar com todas as suas forças, para que seja cassado o direito da população de decidir sobre o destino do patrimônio público.

A Constituição Estadual assegura à população gaúcha o direito de decidir previamente sobre a transferência do controle acionário ou alienação das nossas estatais. Essa medida existe para proteger o nosso patrimônio de decisões precipitadas e interesses momentâneos. Em um Estado em que nenhum governador foi reeleito, a importância da preservação desse mecanismo é evidente.

Algumas pessoas sustentam que Eduardo Leite ganhou o poder de decidir quando foi eleito. Eu considero esse argumento pífio. Essa premissa é incompatível com a forma como ocorrem os processos eleitorais, com a nossa frágil democracia. E, muitas vezes, esse argumento é usado como desculpa por pessoas que na verdade são contrárias a democracia direta e ao aumento do poder de controle do Estado pela própria população.

Além disso, eu tenho certeza que boa parte da população não sabe o que está em jogo. Não sabe, por exemplo, que estaremos abrindo mão do controle de setores estratégicos do Estado, como a energia e mineração. Arrisco a dizer também que milhares de gaúchas e gaúchos sequer sabem que o governo está propondo vender nossas empresas.

Por isso eu defendo a manutenção do plebiscito. Instrumento democrático para assegurar que uma medida desta magnitude seja de amplo conhecimento público e resultado de debate profundo. É uma tentativa de amenizar arrependimentos futuros. Certa ou errada, pelo menos a decisão será coletiva e mais consciente.

Artigo originalmente publicado no site da autora.

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.