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Defender a educação por um novo futuro

A segunda quinzena de maio será um momento decisivo de uma longa luta no Brasil contra o autoritarismo e ultraliberalismo do governo Bolsonaro.

Ato pela educação em 2013. Crédito: DCE Livre da USP
Ato pela educação em 2013. Crédito: DCE Livre da USP

A segunda quinzena de maio será um momento decisivo de uma longa luta no Brasil contra o autoritarismo e ultraliberalismo do governo Bolsonaro. O recente anúncio de 30% corte de verba de custeio do conjunto das Universidades Públicas e Institutos Federais, além da retirada de bolsas de doutorado e mestrado acenderam um sinal de alerta.

Já com o orçamento estrangulado desde a implementação da EC 95, as instituições de ensino correm risco de fechar em setembro diante da impossibilidade de arcar com responsabilidades básicas como água, luz e quitações dos salários dos servidores terceirizados das áreas de limpeza e segurança.

Na verdade, além de uma agenda ultraliberal de desmantelamento das áreas sociais e da educação, de rebaixamento de salários e de direitos e da possibilidade de desmonte da Previdência Social com a PEC 006, trata-se também de mais batalha ideológica para o governo Bolsonaro.

Desde o início do governo, o MEC esteve nas mãos de discípulos de Olavo de Carvalho, que tem como eixo o ataque aos que os próprios chamam de “marxismo cultural”.

Se Vélez Rodrigues aliava sua luta ideológica com uma inabilidade sem tamanho que acabou custando seu cargo de ministro, Weintraub mantém a mesma ideologia e acelera os ataques econômicos e de narrativa contra a educação brasileira. Ao anunciar os cortes de 30% para UNB, UFBA e UFF, o primeiro argumento era a “balbúrdia”. Como o anúncio pegou muito mal, além de ser claramente ilegal, o MEC estendeu os cortes ao conjunto das Universidades e Institutos Federais. O novo argumento seria o de prioridade a educação básica.

Entretanto, na mesma semana novo anúncio “contingenciamento de recursos também da educação básica”. O último ataque foi às bolsas de mestrado e doutorado. Um verdadeiro malabarismo para explicar o inexplicável.

Um episódio simbólico foi o uso de chocolates para explicar a lógica do ministro, que acabou virando piada. Agora, a tática é tentar adequar a matemática à fala desastrosa de Weintraub. A disputa de narrativa também tem se dado nas redes sociais, onde a máxima das fakenews de bolsonaristas fervorosos eram associar a Universidade a pelados e coisas do tipo. Também não colou! Estudo do pesquisador Fabio Malini, mostrou uma ampla movimentação do twitter favorável às universidades, com quase 90% das interações, e apenas 8,3% de engajamento com as narrativas bolsonaristas.

Está claro que há um apoio social importante nesta luta. Nosso desafio é construir uma ampla unidade de ação entre todos os segmentos da comunidade acadêmica e social. O movimento estudantil já deu sinais na semana passada de que a greve nacional da educação pode e deve ser muito forte em 15 de maio. A passeata do Pedro II no Rio de Janeiro, a maior manifestação da UFF desde o Fora Collor, a mobilização da UFBA na Bahia, a recepção com vaias a Bolsonaro em Curitiba, as centenas de assembleias gerais são sinais de que os estudantes estão se preparando. O 15 de maio será um ponto importante na curva não só pela defesa da educação, mas para mostrar ao país os riscos da agenda ultraliberal como a Reforma da Previdência.

Uma batalha importante em uma guerra de longo curso. Mas vencê-la pode ser a chave para alterar a correlação de forças e acelerar o fim da experiência do povo com Bolsonaro. Agora é hora de agitar em todos os locais de ensino, unir estudantes, técnicos, professores, reitores, ex-alunos, cientistas, pais, comunidade em geral. Abraçar as nossas universidades e institutos federais. Defender com unhas e dentes nossos patrimônios. Levantar livros contra a tirania e a irracionalidade. Esta luta também é a defesa do conhecimento contra o obscurantismo, afinal, qualquer projeto autoritário para assentar-se precisa tentar liquidar o pensamento crítico! Mal sabem eles a força que tem o movimento estudantil quando se levanta.

Dia 15 de maio é dia de estar nas ruas apoiando as ações estudantis. Desses jovens que são o presente, pode surgir um novo futuro mais rápido do que se imagina.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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