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Extrema-direita vence na Itália e França, Verdes passam SPD na Alemanha

Itália e França viram a extrema-direita surgir em primeiro lugar nas eleições.

Na França, a participação eleitoral superou os 51% pela primeira vez em 24 anos e a extrema-direita de Marine Le Pen venceu as eleições, obtendo 22 eurodeputados, mais um do que a lista do partido do presidente Macron. Mas em comparação com as eleições anteriores, o Rassemblement National de Le Pen perde um representante em relação ao resultado da Frente Nacional em 2014. Já a République en Marche de Macron consegue triplicar a representação francesa da bancada dos liberais europeus.

Entre os maiores derrotados da noite eleitoral francesa estão os Republicanos, filiados no PPE, cujo espaço político passou de 20 para oito eurodeputados. Também os socialistas prosseguem a sua trajetória descendente, passando de treze para apenas quatro eleitos. Em sentido contrário, os ecologistas da EELV duplicam a representação, passando de seis para doze eurodeputados. À esquerda, a França Insubmissa estreou-se nas europeias com a eleição de seis eurodeputados, mais dois do que a soma dos eleitos em 2014 por vários partidos para o seu grupo europeu.

Itália: extrema-direita à frente, esquerda perde representação

A extrema-direita italiana ganhou bastante terreno nestas eleições europeias, com a Liga de Matteo Salvini a eleger 28 eurodeputados, quando em 2014 tinha eleito apenas cinco. Em segundo lugar, os socialistas do Partido Democratico passaram de 31 para 18 eleitos, ainda assim à frente do Movimento 5 Estrelas, que governa o país em coligação com Salvini e perde três eurodeputados nesta eleição.

Numas eleições com participação acima dos 56%, ainda assim menor do que em 2014, a representação do PPE na Itália cai pela metade, acompanhado a queda da Forza Italia, que elege sete eurodeputados, entre os quais o ex-primeiro ministro Silvio Berlusconi. Mais à direita, os Fratelli d’Italia alcançaram a eleição pela primeira vez, com cinco eurodeputados. Pelo contrário, à esquerda, a derrota é total com a perda dos três eurodeputados eleitos em 2014.

Alemanha: Verdes duplicam votação e ultrapassam social-democratas

Na Alemanha, a taxa de participação eleitoral subiu dez pontos percentuais em relação às europeias de 2014, com os resultados a confirmarem a tendência dos sufrágios mais recentes: os dois maiores partidos que governam o país em coligação (CDU e SPD) perderam votos e mandatos; os Verdes continuam a ganhar terreno e ultrapassaram os social-democratas como segunda força política, duplicando a votação obtida em 2014. A extrema-direita da AfD obteve 10.5%, mais do que nas europeias anteriores mas abaixo do resultado nas legislativas de 2017. E à esquerda, o Die Linke obtém 5.5% (o mesmo resultado dos liberais do FDP), ficando aquém dos 7.4% das últimas europeias.

O grande derrotado da noite eleitoral, ao perder 12 pontos percentuais, é o SPD (15.8%), que viu boa parte do seu eleitorado fugir para os Verdes (20.5%), o grande vencedor da noite. O maior partido da coligação de governo, a CDU/CSU cai sete pontos em comparação com as últimas europeias, obtendo cerca de 29%. Para além do voto de protesto contra o governo, a emergência da crise climática como uma das principais preocupações do eleitorado alemão veio beneficiar os Verdes alemães, dando assim um grande contributo para o aumento da bancada dos Verdes europeus em Estrasburgo.

Artigo originalmente publicado em Esquerda.net.

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Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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