Sobre as eleições municipais em Porto Alegre
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Sobre as eleições municipais em Porto Alegre

O Secretariado Estadual do MES-RS manifesta-se sobre a eleição municipal em Porto Alegre.

Secretariado Estadual do MES-RS 4 Maio 2019, 16:23

Em Porto Alegre, o debate sobre as eleições municipais já começou. Pela força do PSOL, nosso posicionamento diante do debate em curso é fundamental. Ainda que nossa prioridade seja a construção do dia 15 de maio como dia de luta em defesa da educação e contra a reforma da previdência, na prática o fim da aposentadoria defendido por Bolsonaro e pela burguesia, é necessário também debater a questão eleitoral que dá seus primeiros sinais de aparição nos jornais e entre os ativistas de vanguarda. É preciso ampliar o debate, por isso apresentamos a nossa posição.

As eleições municipais serão um momento-chave para os rumos do país. Serão um teste para o governo Bolsonaro e para todos os governos municipais que vêm aplicando o modelo neoliberal, privatista e desmantelador do serviço público. Nossa política nos municípios deve, portanto, ser guiada pela necessidade nacional de enfrentar Bolsonaro, de defender o PSOL como projeto de luta anticapitalista e também localmente de derrotar os governos que implementam os ataques aos direitos sociais.

Em Porto Alegre, o PSOL tem uma situação especial, pois somos uma força eleitoral real, com 3 vereadores, uma deputada estadual e uma deputada federal. Nossa responsabilidade é enorme. Luciana Genro, que foi nossa candidata a prefeita em 2008 e 2016, chegou a 13% nas últimas eleições. Fernanda Melchionna foi uma das mais votadas para deputada federal na cidade. Roberto Robaina é o líder da oposição conjunta entre PSOL e PT contra o governo Marchezan, que é odiado por grandes parcelas do povo. 85% consideram sua gestão ruim ou péssima. Seus ataques ao funcionalismo, o abandono da cidade com obras paradas, ruas esburacadas e serviços de saúde e educação em petição de miséria impõem a necessidade de derrotá-lo.

A pressão social pela unidade da esquerda é real e correta. É preciso construir uma frente anti-Marchezan/ Bolsonaro, que una as forças progressistas da cidade. 

Esta frente precisa constituir-se a partir de um debate programático com 4 eixos:

– Um governo plebeu, sem privilégios e mordomias, com salários do prefeito e secretários alinhados com os salários dos professores da rede municipal;

– Um governo que combata a corrupção, fiscalizado por um conselho externo com plenos poderes para investigar. Prefeito e secretários que abram mão do sigilo bancário e fiscal e publicizem anualmente sua evolução patrimonial;

– Um governo ancorado na mobilização social, no qual a democracia direta seja o principal instrumento de tomada das principais decisões de interesse da cidade;

– Um governo que respeite o funcionalismo, não atrase salários e abra um diálogo permanente sobre as condições de trabalho e o salário.

Além do debate programático, é preciso um método democrático de decisão sobre quem encabeçará a chapa e quem será vice. Nossa proposta é que as forças políticas dispostas a construir esta unidade promovam um processo de prévias que mobilize a militância dos partidos e os ativistas da cidade para que esta decisão seja tomada de forma aberta e democrática. Se houver um movimento de base e democrático para definir programa e chapa, a unidade será uma conquista. Se isto não ocorrer, certamente a divisão que separa cada partido, pelas diferenças conhecidas, irá prevalecer. Não seremos responsáveis por divisões se a base quer lutar e unir. Não seremos responsáveis por divisões quando a derrota da extrema-direita exige a defesa da unidade.

Por fim, na formação de uma frente eleitoral cabe a mais ampla liberdade de crítica. Cada partido mantém sua independência. São conhecidas as diferenças que temos com o PT e o balanço crítico que fazemos de seus governos, sobretudo sua gestão comum com a burguesia no plano nacional, adotando seus planos e seus métodos. Cada partido, portanto, tem sua liberdade de defender na frente e junto à sociedade suas posições, mas a unidade eleitoral pode ser alcançada se todos se somarem na defesa de um programa mínimo comum e num método democrático de participação e de controle da sociedade. 

Esse é o desafio que está posto. Se for desenvolvido um movimento pela base, valerá a pena porque a luta e o protagonismo populares estarão emergindo. É nisso que apostamos. Eis a força real que uma política unitária pode promover.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
O MES completa 20 anos. A edição n. 14-15 da Revista Movimento é dedicada por completo ao importante evento que marca duas décadas de nossa história. Apesar de jovens, podemos dizer que poucas organizações na história política da esquerda brasileira alcançaram essa marca com tamanho vigor. Longe de autoproclamação, desejamos transformar nossos êxitos em força social e militante para novos e amplos impulsos. Ainda não cumprimos uma maratona, mas nossa história sem dúvida deixou para trás a visão de curto prazo, que alguns adversários nos chegaram a prognosticar. Diante das muitas provas, vitórias e algumas derrotas, podemos celebrar e somar forças para enfrentar as tarefas imediatas: derrotar a tentação autoritária de Bolsonaro e avançar na construção de uma alternativa socialista.