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6 meses de Bolsonaro: crises, protestos e escândalos

Com protestos e popularidade decadente, primeiro semestre de Bolsonaro é um dos maiores fiascos de nossa República.

Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro

Aos trancos e barrancos, o governo sobreviveu a estes 6 meses iniciais – mas encontra-se gravemente ferido. Acossado por uma sucessão interminável de crises, houve quem ventilasse desde já a interrupção prematura do mandato presidencial. Bolsonaro conseguiu, por enquanto, se segurar na cadeira de Presidente. Mas por quanto tempo mais resistirá a tantos desgastes?

Boa parte dos problemas começam no próprio campo governista. Os ministros de Bolsonaro e os parlamentares de seu partido revelaram-se iguais a seu líder: lunáticos, incompetentes e autoritários. Sendo obrigados a dividir o mesmo espaço, engalfinharam-se em um sem número de brigas com direito a ofensas pessoais graves. 

Como não poderia deixar de ser, a relação com o Congresso não é melhor. Bolsonaro pensou que poderia governar simplesmente apoiado por um discurso fanático e autoritário nas redes sociais. Não funcionou. Boa parte de suas agendas prioritárias, como o absurdo decreto de armas, não vingou. Contrariando, então, o discurso de campanha, aderiu ao velho “toma lá da cá”: ofereceu cargos e milhões em emendas para os deputados que votarem a favor de propostas do governo. Entretanto, até agora segue sem base sólida no Congresso. 

Toda esta inépcia cobra seus resultados. Os índices econômicos apontam um cenário cada vez mais desalentador e o governo insiste no samba de uma nota só da reforma da Previdência, isto é, em retirar ainda mais direitos e renda de trabalhadores que estão enfrentando os perigos do desemprego e da informalidade. No âmbito internacional, o Brasil é reduzido a um bajulador dos EUA enquanto se isola e é ridicularizado por outras nações.

Há ainda mais um elemento explosivo nessa combinação de desgastes do governo: corrupção. As investigações do TSE avançam no sentido de comprovar que o PSL operou um mega esquema de candidaturas laranja para desviar dinheiro público. Como se não bastasse, as investigações do “Caso Queiroz” vão dando evidências das relações do filho do Presidente, Flavio Bolsonaro, com as milícias. 

Até mesmo o mais popular dos ministros de Bolsonaro, Sergio Moro, considerado o fiador da agenda “anticorrupção” do governo, foi desmascarado: o renomado jornalista Glenn Greenwald, por meio do site The Intercept, revelou que o então juiz manipulou a Operação Lava Jato em benefício de seus objetivos políticos. As revelações da “Vaza Jato”, se encaradas de forma consequente, colocam em suspeita a própria eleição de Bolsonaro.

Mas ainda que seja alentador observar que um governo tão reacionário passa por dificuldades, nada disso seria suficiente para nos dar esperanças não fosse um último elemento fundamental: a mobilização popular. Muitas pessoas estão indo para as ruas protestar contra o preconceito, a intolerância e os ataques aos nossos direitos. Ainda durante as eleições, milhares foram para as ruas dizer “Ele Não”. Iniciado o governo, outras tantas foram para as ruas lutar contra os cortes na Educação. Outras milhares cruzaram os braços e protestaram contra a reforma da Previdência durante a Greve Geral. Isso sem falar na Marcha LGBTI+, que, em que pese que ocorra anualmente, ganhou outra conotação este ano. Até mesmo o Carnaval, nossa tão descontraída festa popular, foi tomado por protestos anti-Bolsonaro.

Poucos governos enfrentaram protestos tão contundentes em tão pouco tempo. Longe de estarem deslocados do sentimento da maioria das pessoas, eles refletem a contínua queda de popularidade de Bolsonaro –  o mais impopular dos presidentes em início de mandato de nossa história. De acordo com o último levantamento, o índice de pessoas que aprova Bolsonaro já é igual ao das que desaprovam. Isto é, persistindo a tendência das últimas semanas, entraremos em um segundo semestre com um presidente cuja reprovação será majoritária na sociedade.

Apesar dos desgastes, Bolsonaro segue para seu segundo semestre de mandato – o que é grave. Apesar se sua incompetência, cada semana de seu governo representa anos de retrocesso econômico, social, ambiental, etc. Mas não passou ileso. A nossa esperança está nessas milhões de pessoas que lotaram as ruas lutando por nosso futuro. Seguimos firmes na luta contra a reforma da Previdência e os cortes na educação. Nos vemos nas ruas novamente no segundo semestre!

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Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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