Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

A extrema direita fracassou ontem

Roberto Robaina analisa as manifestações em apoio a Bolsonaro e Moro de 30 de junho.

Reprodução
Reprodução

A manifestação da extrema direita “ampla” de domingo, unindo os bolsonaristas, moristas e MBLs, entre outros, foi mais fraca que da extrema direita fascista bolsonarista ocorrida no dia 26 de maio. A do dia 26 teve um caráter pró-golpista e não pôde inverter a situação política no sentido de estabelecer uma relação de forças para imprimir uma dinâmica favorável a uma saída contra revolucionária. Ficou longe disso. Logo depois, teve ainda o dia 30 de maio, mais forte e que manteve a educação como eixo do ascenso democrático e antineoliberal.

A ação da extrema direita “ampla” não teve esse propósito ofensivo do dia 26, que embora tenha fracassado era ofensivo, mas uma natureza defensiva, tentando evitar que o governo veja sua base social ser corroída. Tal base não está liquidada, por óbvio. E se pode dizer que não é esta tendência até onde a vista alcança.

Mas o governo se debilitou desde a posse, primeiro com o despreparo dos primeiros 100 dias, em seguida com seu compromisso com a agenda neoliberal enquanto a crise da economia só se aprofundou e logo em seguida e mais importante com a eclosao do ascenso estudantil, alem dos rolos de Flavio/Queiroz. Ato seguido, com Sérgio Moro sendo entregue nos braços de Bolsonaro, o idiota que está dirigindo o Brasil ganhou os créditos de Moro a seu favor. Mas estes créditos perderam muito valor com as revelações da Intercept. Além disso, Bolsonaro, ao invés de aproveitar para aumentar suas chances de ser o executivo do conjunto da burguesia, resolveu demitir 3 generais em uma semana e levar a divisão burguesa também para a cúpula do exército.

Por fim, as manifestações de ontem não restituíram o valor de Sérgio Moro nem fortaleceram Bolsonaro. A imagem do general Heleno na passeata mostra o esforço do governo para retomar iniciativa, mostrar força, indicar rumos. Mas ela foi uma imagem patética. A tática não deu certo, mesmo com o apoio relativo da Globo. Tal apoio da Globo foi mais claro a Moro, ainda que também cauteloso (a Globo sabe a força de Glenn), estendendo esse apoio à mobilização de hoje, não no que diz respeito à convocatória, mas ao balanço condescendente, evitando dar nome à redução clara da força da mesma na comparação com as anteriores.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

A décima terceira edição da Revista Movimento dedica-se ao debate sobre os desafios da esquerda socialista no Brasil diante da crise nacional que se desenrola há anos e do governo Bolsonaro. Para tanto, foram convidados dirigentes do PSOL, do MES e de outras organizações revolucionárias que atuam no partido. O dossiê sobre a estratégia da esquerda e o PSOL reflete os desafios da organização de um polo socialista no interior do partido. Há também, na seção nacional, reflexões sobre a crise econômica brasileira, as revelações de The Intercept e as lutas da juventude e da negritude. As efemérides do centenário da escola Bauhaus e do cinquentenário do levante de Stonewall também aparecem no volume, além da tese das mulheres do MES para o Encontro de Mulheres do PSOL.

Ilustração da capa da Revista Movimento

MES: Movimento Esquerda Socialista MES: Movimento Esquerda Socialista