A extrema direita fracassou ontem
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A extrema direita fracassou ontem

Roberto Robaina analisa as manifestações em apoio a Bolsonaro e Moro de 30 de junho.

Roberto Robaina 1 jul 2019, 12:46

A manifestação da extrema direita “ampla” de domingo, unindo os bolsonaristas, moristas e MBLs, entre outros, foi mais fraca que da extrema direita fascista bolsonarista ocorrida no dia 26 de maio. A do dia 26 teve um caráter pró-golpista e não pôde inverter a situação política no sentido de estabelecer uma relação de forças para imprimir uma dinâmica favorável a uma saída contra revolucionária. Ficou longe disso. Logo depois, teve ainda o dia 30 de maio, mais forte e que manteve a educação como eixo do ascenso democrático e antineoliberal.

A ação da extrema direita “ampla” não teve esse propósito ofensivo do dia 26, que embora tenha fracassado era ofensivo, mas uma natureza defensiva, tentando evitar que o governo veja sua base social ser corroída. Tal base não está liquidada, por óbvio. E se pode dizer que não é esta tendência até onde a vista alcança.

Mas o governo se debilitou desde a posse, primeiro com o despreparo dos primeiros 100 dias, em seguida com seu compromisso com a agenda neoliberal enquanto a crise da economia só se aprofundou e logo em seguida e mais importante com a eclosao do ascenso estudantil, alem dos rolos de Flavio/Queiroz. Ato seguido, com Sérgio Moro sendo entregue nos braços de Bolsonaro, o idiota que está dirigindo o Brasil ganhou os créditos de Moro a seu favor. Mas estes créditos perderam muito valor com as revelações da Intercept. Além disso, Bolsonaro, ao invés de aproveitar para aumentar suas chances de ser o executivo do conjunto da burguesia, resolveu demitir 3 generais em uma semana e levar a divisão burguesa também para a cúpula do exército.

Por fim, as manifestações de ontem não restituíram o valor de Sérgio Moro nem fortaleceram Bolsonaro. A imagem do general Heleno na passeata mostra o esforço do governo para retomar iniciativa, mostrar força, indicar rumos. Mas ela foi uma imagem patética. A tática não deu certo, mesmo com o apoio relativo da Globo. Tal apoio da Globo foi mais claro a Moro, ainda que também cauteloso (a Globo sabe a força de Glenn), estendendo esse apoio à mobilização de hoje, não no que diz respeito à convocatória, mas ao balanço condescendente, evitando dar nome à redução clara da força da mesma na comparação com as anteriores.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.