Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

“As publicações do Intercept mostram um aspecto corrupto dentro da própria Lava Jato”

Entrevista com o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ).

Folhapress
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Um terremoto chacoalhou a política brasileira nas últimas semanas. A equipe do jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil, recebeu arquivos de uma fonte anônima com registros de conversas de Sérgio Moro com procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato. As conversas, até aqui, mostram procedimentos para direcionar investigações, sugerir testemunhas e preservar figuras vistas como possíveis aliadas da operação. Ao mesmo tempo, as conversas mostram que Sérgio Moro buscou uma posição no governo de Jair Bolsonaro e contribuiu com sua eleição ao retirar Lula da disputa. Os desvios da equipe de Curitiba, agora revelados, podem colocar em xeque seu importante trabalho investigativo, que revelou um esquema de corrupção gigantesco envolvendo grandes empresas capitalistas e o sistema político.

            Nosso camarada David Miranda, marido do jornalista Glenn Greenwald, acompanha há anos o trabalho do jornalista, vencedor do prêmio Pulitzer pelas reportagens com as revelações do ex-agente Edward Snowden sobre a espionagem da NSA. Nessa época, David aproximou-se do Juntos e do MES em iniciativas comuns em solidariedade a Snowden. De lá para cá, David tornou-se vereador e é atualmente deputado federal do Rio de Janeiro pelo PSOL. Acompanhe nossa entrevista sobre as revelações de The Intercept, o governo Bolsonaro e sua atuação como único deputado assumidamente LGBT na Câmara.

Movimento – David, como você avalia os primeiros seis meses como deputado federal? Quais os desafios você tem enfrentado na Câmara?

David Miranda – Olha, esses seis primeiros meses foram muito intensos. A Câmara dos Deputados é completamente diferente da Câmara de Vereadores, as regras, os poderes do Presidente da Câmara, que são praticamente infinitos para comandar a pauta… Isso me deixa incomodado: não é um sistema muito democrático. Fora isso, o governo está perdido e não tem estabilidade alguma, o que não é, necessariamente, algo bom ou ruim para a gente que faz oposição. O problema é que não tem estabilidade para o país para ter crescimento, trabalho, educação… Além dos escândalos de corrupção envolvendo a família do presidente, o partido e as figuras que chegaram ali, que não fazem política e não entendem que a política é para as pessoas. Chegaram numa onda, surfando o bolsonarismo e isso é muito complicado porque essas pessoas têm uma agenda que é muito individual, nada coletiva. Nesses seis meses, os principais enfrentamentos que a gente vem fazendo é contra o conservadorismo, as piadas LGBTfóbicas e os quadros corruptos que existem ainda ali dentro.

Esta entrevista faz parte da edição n. 13 da Revista Movimento. Para ler o texto completo, compre a revista aqui!

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

A décima terceira edição da Revista Movimento dedica-se ao debate sobre os desafios da esquerda socialista no Brasil diante da crise nacional que se desenrola há anos e do governo Bolsonaro. Para tanto, foram convidados dirigentes do PSOL, do MES e de outras organizações revolucionárias que atuam no partido. O dossiê sobre a estratégia da esquerda e o PSOL reflete os desafios da organização de um polo socialista no interior do partido. Há também, na seção nacional, reflexões sobre a crise econômica brasileira, as revelações de The Intercept e as lutas da juventude e da negritude. As efemérides do centenário da escola Bauhaus e do cinquentenário do levante de Stonewall também aparecem no volume, além da tese das mulheres do MES para o Encontro de Mulheres do PSOL.

Ilustração da capa da Revista Movimento

MES: Movimento Esquerda Socialista MES: Movimento Esquerda Socialista