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Bauhaus, cem anos

Devemos à Bauhaus e sua trajetória desde temas simples, como a cadeira moderna onde sentamos até os princípios básicos da geometrização.

Publicamos a seguir, na íntegra, o manifesto fundacional da Bauhaus, escrito por Walter Gropius. O surgimento da Bauhaus significou um marco que revolucionaria para sempre a arte, o design moderno e a arquitetura.

Recentemente celebramos duas efemérides fundamentais para a História da Arte, entrelaçadas com a própria ciência. São os 500 anos da morte de Leonardo da Vinci, que, muito além de pintor, foi um dos grandes artistas capazes de condensar o espírito do tempo. Numa escala tão importante quanto os feitos de Leonardo, porém mais próxima e contemporânea, enquadramos a celebração dos cem anos de fundação da Escola Bauhaus. Acreditamos que ambas as recordações contêm um impulso criativo, parte do avanço universal da condição humana na arte. Aqui, queremos tratar um pouco do histórico e das questões mais importantes relativas à Escola Bauhaus, fundada em Weimar, em 1º de abril de 1919.

Inaugurada como escola de desenho, arte e ofícios e idealizada por Walter Gropius, foi fundada na cidade alemã de Weimar a “Staatliches Bauhaus”, a “Casa de construção estatal”, com o objetivo de superar a destruição causada pela I Grande Guerra e abrir um novo paradigma unitário entre a arte o fazer prático.

Devemos à Bauhaus e sua trajetória desde temas simples, como a cadeira moderna onde sentamos para estudar ou trabalhar, até os princípios básicos da geometrização, presentes nos dias de hoje em fontes de letras como a “Arial” e a “Times New Roman”, graças ao trabalho do tipógrafo Herbert Bayer. Utensílios práticos como os talheres que utilizamos todos os dias também tiveram lugar de destaque na forja da Bauhaus. 

A Bauhaus precisa ser entendida no contexto dos anos decisivos de 1918 e 1919, quando termina a Primeira Guerra e se abre uma situação revolucionária na Alemanha, sob o impacto da Revolução Russa. No mundo pop contemporâneo, é possível observar sua influência no expressionismo no cinema e na banda musical inglesa que seria batizada com o nome da Escola. Há também a estética dos escoceses de Franz Ferdinand, referidos diretamente pelo legado da Bauhaus.

1918-1919: uma viragem de proporções maiores na história

A data fundacional da Escola Bauhaus envolve um contexto amplo: uma Alemanha despedaçada pela guerra, uma Europa envolvida em convulsões sociais e o florescimento de novas vanguardas artísticas.  A viragem dos anos 1918 e 1919 transformaria por completo a paisagem europeia.

Após anos de desenvolvimento contínuo das forças produtivas entre os séculos XIX e XX, a Alemanha alcançou significativo progresso, por meio do qual combinou conquistas e garantias para os trabalhadores com a conservação das forças autocráticas do império do Kaiser. O alarme da guerra, em 1914, soou, alterando substancialmente a realidade. Com o advento do imperialismo, a repartição do mundo entre as potências, o desenvolvimento das forças produtivas encontrou seu primeiro grande entrave. A eclosão da guerra levaria milhões à morte nas trincheiras e seria um voo mortal para os impérios seculares da Europa. Para os Romanov na Rússia e os Hohenzollern alemães, era chegada a última hora.

O momento histórico anterior à deflagração da Grande Guerra parecia indicar o contrário. O cenário da primeira década do século XX na Alemanha era alentador. Direitos e conquistas no mundo do trabalho regulavam a vida de milhões, que começavam a ter maior acesso à escolarização e à cultura, levando a uma liberação rápida e concentrada de energias populares. A social-democracia, os sindicatos e os clubes operários eram os portadores da esperança de um novo tipo de sociedade. O choque da guerra imperialista solapou a esperança de milhões e interrompeu a “marcha aparente” ao progresso.  Da manhã à noite, centenas de milhares eram enviados aos fronts.

A Grande Guerra foi um palco da destruição em massa, como nunca antes visto. A social-democracia alemã, como polo avançado do pensamento, capitulou ao sentimento de “unidade nacional” e votou a favor dos créditos de guerra. Isolado, porém altivo e corajoso, Karl Liebknecht proferiu seu famoso voto contrário à adesão do SPD para a linha de guerra.  Aquele voto foi o ponto de inflexão na luta revolucionária. Em seguida, o movimento operário se dividiria entre os social-imperalistas, como seriam chamados os defensores da linha majoritária no SPD, e os internacionalistas que realizariam sua conferência internacional em Zimmerwald, na Suíça.

Em 1917, as revoluções de fevereiro e outubro destruíram o antigo regime czarista na Rússia, colocando os trabalhadores, por meio de seus organismos (os sovietes) e o seu partido (comunista/bolchevique) no poder.  A revolução russa foi um abalo sísmico nas estruturas de poder, enfrentando o imperialismo e a guerra. Um novo tempo histórico acabava de nascer.

Este artigo faz parte da edição n. 13 da Revista Movimento. Para ler o texto completo, compre a revista aqui!

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

A décima terceira edição da Revista Movimento dedica-se ao debate sobre os desafios da esquerda socialista no Brasil diante da crise nacional que se desenrola há anos e do governo Bolsonaro. Para tanto, foram convidados dirigentes do PSOL, do MES e de outras organizações revolucionárias que atuam no partido. O dossiê sobre a estratégia da esquerda e o PSOL reflete os desafios da organização de um polo socialista no interior do partido. Há também, na seção nacional, reflexões sobre a crise econômica brasileira, as revelações de The Intercept e as lutas da juventude e da negritude. As efemérides do centenário da escola Bauhaus e do cinquentenário do levante de Stonewall também aparecem no volume, além da tese das mulheres do MES para o Encontro de Mulheres do PSOL.

Ilustração da capa da Revista Movimento

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