Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

“Estamos precisando de alternativas radicais no mundo e o PSOL pode cumprir esse papel aqui no Brasil”

Entrevista com Mariana Conti, vereadora do PSOL em Campinas.

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No dia 13 de junho, tivemos a oportunidade de entrevistar Mariana Conti, atualmente vereadora na cidade de Campinas/SP e dirigente do coletivo 1 de maio, corrente interna do PSOL.

Mariana nos contou um pouco sobre sua trajetória de militância, o protagonismo das mulheres nos processos de resistência e sua opinião sobre os primeiros meses do governo Bolsonaro. Além disso, expressou suas avaliações sobre os caminhos que o PSOL deve seguir para se consolidar como uma alternativa de esquerda no Brasil e de que forma devemos continuar lutando pela Revolução Brasileira como o programa capaz de resolver concretamente a vida das pessoas. Confira a seguir a entrevista.

Movimento – Você atualmente é vereadora em Campinas (SP). Conte-nos um pouco sua trajetória de militância nos movimentos sociais e no PSOL até chegar aqui.

Mariana Conti – Pelo que eu me lembre, a política sempre fez parte da minha vida. Eu sou de uma família de pessoas que sempre tiveram algum tipo de envolvimento político. Meu avó foi fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) em Americana, minha mãe também foi militante. Então, a gente sempre discutiu muito as questões políticas dentro de casa.

Uma primeira referência de movimento para mim foi a Pastoral da Juventude (PJ), da qual participei quando estava na escola (que era ligada a Igreja). Mas minha participação em uma militância mais organizada aconteceu mesmo quando eu comecei a fazer Ciências Sociais na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e passei a participar do movimento estudantil. Isso foi em 2003, durante o primeiro mandato do governo Lula. Eu fazia parte daqueles entusiastas que tinham votado no Lula em 2002. Mas, com a Reforma da Previdência em 2003, a animação acabou. Tivemos uma greve grande na UNICAMP nesse momento. Além disso, houve também a repercussão da expulsão dos chamados “radicais do PT”. E foi nesse processo que eu tomei contato com o surgimento do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). No final daquele ano, eu entrei no Diretório Central dos Estudantes (DCE) e, desde então, meu envolvimento com a política se tornou cada vez mais intenso. Naquele momento, tive contato com uma militância muito próxima ao MST. Nós tínhamos um núcleo pela Reforma Agrária na UNICAMP. Além disso, participei do Plebiscito da Vale, da luta contra a ALCA, da manifestações pelo Passe Livre, de uma série de greves estudantis, enfim, de um conjunto de movimentos que aconteceram naquele período.

Em 2006, depois do Mensalão, o Plínio de Arruda Sampaio rompeu com o PT e anunciou sua entrada no PSOL. Foi nesse momento que eu, junto com outras pessoas da UNICAMP, entramos no partido. Me lembro que o Plínio veio fazer uma palestra em Campinas, para dizer porque deveríamos construir o PSOL e nos engajar na construção de uma nova alternativa de esquerda. Foi aí que tomei a decisão de entrar no partido. Em 2008, eu sai como candidata a vereadora pela primeira vez, e foi quando eu iniciei minha militância mais partidária, até 2016, quando fui eleita.

Esta entrevista faz parte da edição n. 13 da Revista Movimento. Para ler o texto completo, compre a revista aqui!

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

A décima terceira edição da Revista Movimento dedica-se ao debate sobre os desafios da esquerda socialista no Brasil diante da crise nacional que se desenrola há anos e do governo Bolsonaro. Para tanto, foram convidados dirigentes do PSOL, do MES e de outras organizações revolucionárias que atuam no partido. O dossiê sobre a estratégia da esquerda e o PSOL reflete os desafios da organização de um polo socialista no interior do partido. Há também, na seção nacional, reflexões sobre a crise econômica brasileira, as revelações de The Intercept e as lutas da juventude e da negritude. As efemérides do centenário da escola Bauhaus e do cinquentenário do levante de Stonewall também aparecem no volume, além da tese das mulheres do MES para o Encontro de Mulheres do PSOL.

Ilustração da capa da Revista Movimento

MES: Movimento Esquerda Socialista MES: Movimento Esquerda Socialista