Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Genocídio da população negra no Brasil: um debate acerca das tarefas de organização

Sobre o genocídio da população negra e dos desafios de organização da negritude.

Reprodução
Reprodução

A recente divulgação do Atlas da Violência no Brasil, demonstra que 131 anos após a abolição da escravidão, o Brasil segue naturalizando o assassinato estatal do corpo negro, utilizando-se de dispositivos legais como política de distribuição racional da morte, que permanece vitimando a população periférica e negra. O relatório, elaborado com registros oficiais do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde (SIM/MS), aponta que 75% das vítimas de homicídio no País são negras, maior proporção da última década. Um dado escandaloso para um país que constitucionalmente considera racismo um crime imprescritível e inafiançável.

Entender o racismo enquanto estrutura social essencial na manutenção do sistema é fundamental para a compreensão do porquê um país formado por 55% de pessoas negras não está em ebulição ao tomar conhecimento do genocídio da sua população. Em seu livro O Que é Racismo Estrutural? Silvio Almeida, aponta que é preciso observar o racismo enquanto processo histórico e político para o entendimento da sua marca estrutural. Histórico pois se manifesta tanto de forma circunstancial e específica, como está em constante conexão com as transformações sociais; e político porque, como processo sistêmico de discriminação que influencia a organização da sociedade, depende de poder político, caso contrário, seria inviável a discriminação sistemática de grupos sociais inteiros. (pág. 40,41).

Para o autor o Racismo é uma tecnologia de poder, onde, entre outras coisas, através da ideia da construção de uma unidade Estado, práticas de reprodução de dominação são estabelecidas através de padrões, normas e regras de comportamento, boa parte deles determinados conforme raça e gênero, e, dessa forma, é naturalizada a exclusão dos indivíduos que não se encaixam. Assim o Estado Brasileiro institucionaliza o racismo, essa tecnologia de poder complexa que faz com que não se questione as circunstâncias econômicas e políticas que mantém as periferias majoritariamente negras e que trata como normal a morte violenta da parcela que é ampla maioria da população, e, portanto, com condições reais de cumprir um papel revolucionário. Amparado nos conceitos Achille Mbembe de Necropoder, Silvio Almeida, expõe que o poder já não mais se faz pela capacidade de fazer morrer e deixar viver, mas de uma forma mais sofisticada, hoje o poder é expresso através da possibilidade de fazer viver e deixar morrer.

Este artigo faz parte da edição n. 13 da Revista Movimento. Para ler o texto completo, compre a revista aqui!

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

A décima terceira edição da Revista Movimento dedica-se ao debate sobre os desafios da esquerda socialista no Brasil diante da crise nacional que se desenrola há anos e do governo Bolsonaro. Para tanto, foram convidados dirigentes do PSOL, do MES e de outras organizações revolucionárias que atuam no partido. O dossiê sobre a estratégia da esquerda e o PSOL reflete os desafios da organização de um polo socialista no interior do partido. Há também, na seção nacional, reflexões sobre a crise econômica brasileira, as revelações de The Intercept e as lutas da juventude e da negritude. As efemérides do centenário da escola Bauhaus e do cinquentenário do levante de Stonewall também aparecem no volume, além da tese das mulheres do MES para o Encontro de Mulheres do PSOL.

Ilustração da capa da Revista Movimento

MES: Movimento Esquerda Socialista MES: Movimento Esquerda Socialista