Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Uma reflexão sobre estratégia e análise de conjuntura

Muitos de nós estão cansados, sem perspectiva imediata e militando quase de forma automatizada. Não precisa ser assim.

Somos socialistas e revolucionários. Lutamos pelo fim da exploração e da opressão humana. Temos certeza de que o capitalismo faliu como modo de produção e de que o socialismo é a única solução possível. E para derrubar o capitalismo a classe trabalhadora e o povo precisam de uma ruptura revolucionária internacionalista e consciente. Essas são algumas de nossas “ideias absurdas”. Muitas delas são tidas como fora de moda ou dogmáticas. A questão é saber quantos de nós, de fato, ainda acreditamos nessas premissas e, mais importante: elas ainda orientam nossa vida cotidiana ou estão guardadas para as grandes manifestações e os dias de festa?

Sei que começar um texto sobre conjuntura reafirmando a estratégia socialista e revolucionária parece “démodé”, anacrônico e obsoleto. Talvez de fato seja, considerando que vivemos tão preocupados em estar conectados à volatilidade dos acontecimentos que nossos princípios parecem se esfumaçar num ativismo político frenético e, não raro, desgastante e aparentemente infrutífero. Muitos de nós estão cansados, sem perspectiva imediata e militando quase de forma automatizada. Não precisa ser assim.

Fazemos análise de conjuntura para orientar nossa política. Há um certo consenso entre nós de que sem uma boa análise não teremos uma política adequada. O problema é que ler a realidade nem sempre parece ser uma tarefa simples. Temos um ferramental teórico invejável; temos anos de vivência política; estamos inseridos nos principais movimentos sociais e fazemos exaustivos debates acerca da conjuntura e suas dinâmicas. Esse parece ser um remédio infalível para não errar. Nada mais longe da realidade. Quantos de nós, no início de 2018, previram a vitória de Bolsonaro? Os elementos de sua vitória já estavam presentes de forma subterrânea ou não, mas poucos de nós tiramos as lições necessárias. A grande maioria só se deu conta de sua vitória quando ela já era inevitável e iminente. Esse é um balanço que ainda estamos nos devendo.

A grande questão a ser respondida é por que não conseguimos ler de forma adequada a realidade que se descortinava diante de nossos olhos. Penso que essa não é uma resposta simples, mas deve começar com uma autocrítica ampla e sincera acerca de nossas importantes fragilidades teóricas, aliado ao fato de que muitas vezes vemos aquilo que queremos ver e não o que de fato está acontecendo no mundo real. Humildade também parece nos faltar em muitas oportunidades. Mas, voltaremos a esse tema mais adiante.

Este artigo faz parte da edição n. 13 da Revista Movimento. Para ler o texto completo, compre a revista aqui!

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

A décima terceira edição da Revista Movimento dedica-se ao debate sobre os desafios da esquerda socialista no Brasil diante da crise nacional que se desenrola há anos e do governo Bolsonaro. Para tanto, foram convidados dirigentes do PSOL, do MES e de outras organizações revolucionárias que atuam no partido. O dossiê sobre a estratégia da esquerda e o PSOL reflete os desafios da organização de um polo socialista no interior do partido. Há também, na seção nacional, reflexões sobre a crise econômica brasileira, as revelações de The Intercept e as lutas da juventude e da negritude. As efemérides do centenário da escola Bauhaus e do cinquentenário do levante de Stonewall também aparecem no volume, além da tese das mulheres do MES para o Encontro de Mulheres do PSOL.

Ilustração da capa da Revista Movimento

MES: Movimento Esquerda Socialista MES: Movimento Esquerda Socialista