Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Mobilizar até vencer: contribuição do Juntos! para os próximos passos

Contribuição do Juntos! ao debate da Reunião Executiva da UNE.

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O segundo semestre nas universidades inicia com a mesma incerteza na qual terminamos. A crise aprofundada pelos cortes do Ministério da Educação já está afetando diretamente diversos serviços essenciais para o nosso funcionamento como transporte interno, bandeijao, luz, telefone, além das demissões de terceirizados. Nesse sentido, foi fundamental que tenhamos iniciado o semestre com o 13 de agosto nas ruas e posteriormente polarizando com a narrativa do governo Bolsonaro, com a volta dos caras pintadas no 7 de setembro. O governo rapidamente perde seu apoio, que além da luta da educação também enfrenta o desgaste internacional com a situação das queimadas na Amazônia. Além disso, as intervenções feitas pelo governo nas eleições de reitoria e diretores também enfrentam forte resistência, como na UFC, no CEFET e na UFFS.

Por isso é muito importante que sigamos mobilizados: estudantes, técnicos e professores em unidade para defender a educação publica, seguindo uma agenda comum de mobilizações e iniciativas. O dia 20 de setembro está sendo chamado internacionalmente como um dia de Greve Internacional do Clima, para denunciar as mudanças climáticas que o capitalismo desenfreado têm gerado ao redor do mundo. No Brasil queremos construir uma Greve Climática, Científica e da Educação, com atos por todo o país unificando as lutas do meio ambiente com a defesa da ciência e das universidades, institutos e escolas públicas, num momento em que o governo despenca nas pesquisas de opinião, chegando a 40% de reprovação.

Porém, nossa luta será uma jornada de longo prazo em que devemos apostar na mobilização permanente como forma de resistir e vencer. Por isso, além do dia 20 como um calendário importante, devemos nos somar a proposta de atividade da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência em Brasília em defesa da pesquisa no final de setembro e de maneira unificada entre todos os setores da educação uma paralisação de 48horas no início de outubro, levando mais uma vez às ruas a força da nossa luta.

É necessário também que possamos apresentar para a sociedade de que forma nós achamos que essa crise imposta às universidades devem ser resolvidas, retomando a necessidade da reversão dos cortes, da Emenda Constitucional 95 mas também da taxação das grandes fortunas e da auditoria da dívida pública. Tem dinheiro sim para custear as universidades públicas e os institutos federais, podemos e devemos taxar os ricaços para financiar a educação pública.

O Juntos! tem feito em todo país Brigadas da Educação, reunimos jovens de diversos cursos e Universidades e vamos para os transportes públicos e praças dialogar com o povo sobre nossas universidades, nossas pesquisas, as políticas nefastas do governo e a necessidade de lutarmos. Devemos seguir nesse espírito de furar a bolha para construir uma maioria social junto ao povo, aqui está nossa arma para vencer o autoritarismo e a censura. Também é importante abrir nossas universidades para apresentar nossos trabalhos e pesquisas para a população, para apoiar a arte e a cultura, para dizer não a censura de nossos livros, fazendo um dia de Universidades e Institutos de portas abertas no final de outubro. Nossas universidades devem ser nossas trincheiras de resistência e de manifestação da liberdade.

Contra a censura, os cortes e em defesa da Amazônia e da educação pública vamos mobilizar até vencer.

Artigo originalmente escrito como contribuição ao debate da Reunião Executiva da UNE. Publicado em Medium.com.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

A décima terceira edição da Revista Movimento dedica-se ao debate sobre os desafios da esquerda socialista no Brasil diante da crise nacional que se desenrola há anos e do governo Bolsonaro. Para tanto, foram convidados dirigentes do PSOL, do MES e de outras organizações revolucionárias que atuam no partido. O dossiê sobre a estratégia da esquerda e o PSOL reflete os desafios da organização de um polo socialista no interior do partido. Há também, na seção nacional, reflexões sobre a crise econômica brasileira, as revelações de The Intercept e as lutas da juventude e da negritude. As efemérides do centenário da escola Bauhaus e do cinquentenário do levante de Stonewall também aparecem no volume, além da tese das mulheres do MES para o Encontro de Mulheres do PSOL.

Ilustração da capa da Revista Movimento

MES: Movimento Esquerda Socialista MES: Movimento Esquerda Socialista