Tomar as ruas para dizer basta ao extermínio promovido pela política de segurança pública de Witzel
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Tomar as ruas para dizer basta ao extermínio promovido pela política de segurança pública de Witzel

Secretário-geral da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ denuncia política de segurança de Witzel.

Ítalo Pires Aguiar 21 set 2019, 20:55

Desde que assumiu o governo do Estado do Rio de Janeiro, o governador Wilson Witzel reivindica o tema da segurança pública como sua principal bandeira. Apesar dese autoproclamar como representante da nova política fluminense, Witzel utiliza exatamente o mesmo expediente que seus antecessores, qual seja, o recrudescimento da violência nas ações das forças de segurança pública como plataforma de projeção política da sua imagem.

Nos primeiros dias de seu governo, Witzel louvou publicamente a intervenção policial na qual 13 pessoas foram mortas enquanto negociavam suas rendições, o episódio ficou conhecido como a chacina do Fallet.  Segundo relatos de moradores, fotos e vídeos dos corpos, há forte evidências de que as mortes foram realizadas fora da situação de confronto e precedidas de tortura, ou seja, execuções extrajudiciais.

Em outra oportunidade, comemorou efusivamente a morte de uma pessoa com problemas de saúde mental que sequestrou um ônibus com cerca de 30 passageiros na ponte Rio-Niterói. Sem entrar no mérito do erro ou do acerto da ação policial, não é papel de um governador celebrar a morte de nenhuma pessoa, muito menos fazer disso um episódio de promoção de sua imagem.

Recentemente, determinou diversas incursões policiais espetaculosas e com pouca expressão em termos de resultados objetivos. O saldo perverso dessas ações é anatualização da invasão de residências, da derrubadas de barrados com veículos blindados, da realização de disparos através de helicópteros em regiões densamente povoadas e, principalmente, da morte de moradores, notadamente de crianças.

Na realidade, tanto as mortes decorrentes da ação das forças de segurança quanto a morte de policias em serviçoaumentaram exponencialmente nos últimos meses. Da mesma forma, os índices de policias afastados por conta de problemas de natureza psíquica explodiram no mesmo período. Essa política irresponsável e sanguinolenta está matando e adoecendo a população fluminense, especialmente a negra, pobre e periférica. 

Paralelo a tudo isso, as milícias avançam no domínio de territórios e atividades econômicas na região metropolitana e no interior do Estado, a disputa por pontos de varejo de entorpecente ainda afeta o cotidiano das favelas e periferias, os velhos gatunos da políticafluminense voltaram a ocupar cargos na estrutura pública e a população continua sem qualquer efetividade de seus direitos sociais, verdadeiro caminho de superação da violência.

Witzel usa a barbárie como plataforma de afirmação de sua imagem política, por isso, é o principal responsável pelas mortes decorrentes da política de segurança públicaem curso, suas mãos estão manchadas de sangue inocente! Chegou a hora de familiares, moradores de favelas, trabalhadores e estudantes ocuparem as ruas para dizer basta para tal política e afirmar que a culpa é do Witzel!


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.