Colômbia: grande derrota do partido do presidente nas eleições municipais
Claudia López, nova presidente da Câmara de Bogotá, eleita este domingo - Mauricio Duenas Castaneda/Epa/Lusa.

Colômbia: grande derrota do partido do presidente nas eleições municipais

Os resultados são uma grande derrota do partido de Ivan Duque e Uribe, Centro Democratico.

Esquerda.net 31 out 2019, 18:47

Mais de um milhão de votos, pela primeira vez

Claudia López foi eleita presidente da Câmara de Bogotá, capital da Colômbia, com mais de um milhão de votos (1.077.214 votos), uma votação que nunca tinha sido alcançada. Candidatou-se pela Alianza Verde, foi apoiada pelo Polo Democrático, tinha sido senadora entre 2014 e 2018 e derrotou o candidato Carlos Fernando Galán. A nova presidente é assumidamente lésbica, destacou-se, ao longo dos anos, pelo seu combate à corrupção, ao narcotráfico e aos grupos paramilitares e pela defesa do processo de paz com as FARC. “Sou mulher. Sou candidata de um partido de centro-esquerda. Sou lésbica e isso não deveria ser relevante na discussão pública (…), mas na Colômbia não é irrelevante”, afirmou a ex-senadora e nova autarca à AFP.

Após ser eleita, Claudia López declarou: “Bogotá votou para derrotar o machismo e a homofobia. Que não haja dúvidas: a mudança e a igualdade são imparáveis”. “Vamos fazer um governo para todos , não só para os que confiaram em nós”, sublinhou a nova presidente, segundo o jornal “El Pais”.

Grande derrota do uribismo

O uribismo sofreu uma importante derrota, em particular, com a vitória do candidato independente Daniel Quintero em Medellín, segunda cidade do país e terrra do ex-presidente Uribe.

O Centro Democrático também sofreu uma dura derrota no departamento de Antioquia, outro bastião do uribismo, e em 32 departamentos apenas venceu em dois.

Nestas eleições regionais e locais estavam em disputa 32 governadores, 1.101 alcaides municipais, 12.063 conselheiros minicipais e 6.814 edis de Juntas da Administração Local.

Os resultados globais das eleições são uma grande derrota do Centro Democrático, o partido do presidente Ivan Duque e do ex-presidente Alvaro Uribe.

“Perdemos, reconheço a derrota com humildfade. A luta pela democracia não tem fim”, escreveu o ex-presidente Uribe no twitter. Ivan Duque, por sua vez, disse que o seu governo é “de todos os colombianos” e afirmou que, tanto ele como o governo, serão “aliados” para “todas as iniciativas” que “necessitem” o apoio da nação.

Ex-FARC elege presidente da Câmara de Turbaco

No município de Turbaco, com cerca de 70 mil habitantes, foi eleito como presidente da Câmara Guillermo Enrique Torres, ex-combatente das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (atualmente Força Alternativa Revolucionária do Comum), nas primeiras eleições regionais, após o processo de paz.

Guillermo Enrique Torres, conhecido como “El cantante de las FARC”, é o primeiro ex-guerrilheiro a ser eleito presidente de um município e foi apoiado por Colombia Humana e Unión Patriótica.

Segundo a Telesur, Mairno Grueso, líder social, foi eleito presidente do município Guapi, apoiado por uma coligação integrada pelo partido FARC, por Colombia Humana e por mais dois agrupamentos. Nestas eleições regionais e locais, participaram 308 candidatos do partido FARC, em 23 departamentos e 85 municípios.

Guillermo Torres, artista de la paz y poeta de la vida es el primer exguerrillero de las antiguas FARC-EP en ganar una alcaldía. El pueblo de Turbaco celebra este logro del proceso de paz. Los mejores deseos, ¡amamos la paz y amando venceremos!#FirmesConLaPaz @alzadoencanto

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Alguns analistas apontam, a partir dos resultados deste domingo, que a disputa entre poder nacional e poder local irão marcar o caminho para as eleições presidenciais de 2022.

Artigo originalmente publicado em esquerda.net.

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.