Congresso da CSP/CONLUTAS não arma o movimento para enfrentar o governo pro-fascista de Bolsonaro

Congresso da CSP/CONLUTAS não arma o movimento para enfrentar o governo pro-fascista de Bolsonaro

Balanço do 4º Congresso da CSP Conlutas.

Danilo Serafim, Silvio Kanner e Zeneide Lima 10 out 2019, 16:45

O 4º congresso da CSP Conlutas ocorreu entre os dias 3 e 6 de outubro na cidade de Vinhedo em SP. Ao todo foram quase dois mil delegados eleitos em mais de 900 assembleias dos movimentos sindical, popular e estudantil.  Foi um congresso de crise, por varias razões: em razão da crise de financiamento no conjunto do sindicalismo foi um congresso menor que os anteriores,  foi também um espaço no qual o PSTU era esmagadoramente majoritário e,  por isso, com pouco espaço para o diálogo  e ainda, um congresso em que alguns setores sinalizaram claramente sua intenção de deixar a entidade.  

De imediato, pode-se dizer que o congresso marca a estagnação da Conlutas. Ao longo da ultima década, embora tenha se consolidado como mais uma central sindical, a Conlutas não foi capaz de atrair sindicatos e ativistas, de funcionar como um polo de aglutinação das lutas e como uma referência para a retomada da combatividade do sindicalismo brasileiro, apesar do tom auto proclamatório das falas do setor majoritário da central. Não houve espaço para a construção conjunta de resoluções, as propostas foram votadas umas contra as outras sem possibilidade de formulações de síntese. 

A Plataforma Mover propôs a  realização um seminário nacional para se discutir o mundo do trabalho e a reorganização sindical não foi aprovada,  apesar da sua importância.  

O que se viu no congresso foi o aprofundamento do controle da Conlutas pelo PSTU e uma sombra de rupturas e divisões para o futuro. 

O MES/MOVER teve um papel relevante no congresso. Atuou como um setor independente pontuando elementos que apontam para uma reavaliação da prática sindical predominante na CONLUTAS e no conjunto do sindicalismo brasileiro. De imediato, precisa-se compreender a nova realidade do mundo do trabalho, mais heterogenia, mais feminina, mais fragmentada e com uma presença maior do setor de serviços e de tecnologia e reformar o sindicalismo nesse sentido. 

Além disso, é preciso rever a forma como articulamos sindicalismo e movimentos sociais. Enquanto o primeiro patenteia dificuldades de mobilização e de ação, perde protagonismo e influência,  os movimentos demonstram  enorme vigor. A luta das mulheres, dos estudantes, a luta em defesa do clima e da Amazônia tem impactado a conjuntura e protagonizado os processos de enfrentamento aos governos conservadores e liberais do mundo.  

Isso implica que a Conlutas deveria rever sua relação com esses movimentos, torná-los centrais e não apenas alegorias. Nossa crítica aponta para esses dois elementos.  Mudar o modelo de sindicalismo e mudar a relação do sindicalismo com os movimentos sociais.  Num cenário em que todas as centrais são virtualmente oposição ao governo Bolsonaro, aprimorar a visão e a intervenção no mundo do trabalho e os movimentos sociais podem ser decisivos.  

O setor majoritário da Conlutas, porém, não dá sinais de que entende essa discussão. Prende-se num sindicalismo obsoleto, enrijecido, caduco. Usou sua maioria para provar seu controle da central e deu a outros setores argumentos para romper a unidade na central, fato que deve ocorrer em breve. Além disso, o congresso esteve longe de armar a classe e setores da central para a resistência contra o governo Bolsonaro, as resoluções não foram um acúmulo político das categorias e forças que participaram do congresso. Não se houve espaço para construção de um calendário e plano de ação que unificasse a central em prioridades fundamentais para o período e para a crise do regime. A necessidade de reafirmação das posições políticas divisionistas cristalizadas já dentro da central estavam acima de novas tarefas que uma central sindical deve cumprir. Principalmente dentro da pauta da categoria dos profissionais da educação, setor onde  a CSP Conlutas tem um peso importante:  Andes, Sinasefe,   vários outros sindicatos,  minorias filiadas à Fasubra ou à Educação Básica que cumpriram um papel fundamental no 15M e 30M. 

Mas é necessário reafirmar a importância da CSP Conlutas.  Essa experiência não se esgotou. Ainda há uma possibilidade de transformar a CSP Conlutas numa entidade de referência para a próxima etapa da luta de classes no Brasil, sobretudo por ser a central que coloca pra dentro setores dos movimentos sociais e estudantis, que hoje são a vanguarda política das mobilizações.  Além disso, não existem dúvidas de que a central não deixou de lado nenhuma das grandes lutas políticas da classe no último período, a experiência do ocupa Brasília em 2017 demonstrou esse potencial.  Se aquela unidade no processo duro de luta e repressão comprovou que a já citada unidade pode ser construir a CSP Conlutas no cotidiano, em cada cidade e em cada estado do Brasil.

Coordenação Nacional do Mover 


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
A décima terceira edição da Revista Movimento dedica-se ao debate sobre os desafios da esquerda socialista no Brasil diante da crise nacional que se desenrola há anos e do governo Bolsonaro. Para tanto, foram convidados dirigentes do PSOL, do MES e de outras organizações revolucionárias que atuam no partido. O dossiê sobre a estratégia da esquerda e o PSOL reflete os desafios da organização de um polo socialista no interior do partido. Há também, na seção nacional, reflexões sobre a crise econômica brasileira, as revelações de The Intercept e as lutas da juventude e da negritude. As efemérides do centenário da escola Bauhaus e do cinquentenário do levante de Stonewall também aparecem no volume, além da tese das mulheres do MES para o Encontro de Mulheres do PSOL.