Outubro Rosa: só luzes e fitas coloridas não resolvem
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Outubro Rosa: só luzes e fitas coloridas não resolvem

Mais de 70% da população brasileira depende do SUS, que segue sendo sucateado pelo Governo Federal.

Equipe Sâmia Bomfim 5 out 2019, 17:36

A campanha Outubro Rosa é muito importante! Não faltam estudos para comprovar que o câncer descoberto em fase inicial tem muito mais chances de cura. Isso é indiscutível, e, diferentemente de Bolsonaro, nós acreditamos na pesquisa e na ciência.

No entanto, não adianta só conscientizar a população sobre a necessidade de fazer exames regularmente. O Governo tem que dar condições para que as pessoas possam – vejam só – fazer os exames! Em outras palavras, não dá para o Governo querer que os brasileiros se curem de um câncer desmontando o Sistema Único de Saúde (SUS).

Mais de 70% da população brasileira depende do SUS. E dados do próprio Ministério da Saúde mostram que o número de leitos diminuiu 12,7%, nos últimos dez anos. Isso, infelizmente, é só a ponta do iceberg de um sistema que está mergulhado num mar de dificuldades financeiras, com fechamento de unidades por falta de verba para contratar profissionais e materiais de saúde.

No Brasil de Bolsonaro, quem consegue fazer um tratamento de câncer de qualidade na rede pública é minoria. Voltando ao câncer de mama – temática do Outubro Rosa: dados do Instituto Nacional de Câncer mostram que são descobertos 60 mil casos todos os anos, no Brasil. Infelizmente, muitas dessas mulheres não conseguirão sequer fazer os exames necessários para iniciar um tratamento quimioterápico ou fazer cirurgia, por exemplo, correndo o risco de morrer na fila de espera.

É por isso que lutamos tanto pelo SUS e pelo fortalecimento da saúde pública no Brasil. A vida real exige mais do que campanha e palavras bonitas de incentivo. É preciso investimento público e saúde de qualidade para todos o brasileiros.

Artigo originalmente publicado no site da deputada federal Sâmia Bomfim.

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.