30 anos da queda do muro de Berlim
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30 anos da queda do muro de Berlim

A força das aspirações por liberdade e a ausência de um projeto igualitário.

Roberto Robaina 9 nov 2019, 20:00

Há 30 anos, o muro de Berlim caiu. Mesmo que reivindicando a luta comunista, estive entre os que comemoraram sua queda. Assisti com alegria às centenas de milhares de alemães que se mobilizaram até desmoronar os regimes burocráticos da Alemanha e de todo o leste europeu.

Na Romênia, algumas semanas depois da queda do muro, em dezembro, a insurreição popular chegou a decapitar o chefe da ditadura burocrática, Nicolae Ceausescu. Os regimes que caíram falavam em nome do socialismo, mas representavam sua negação contrarrevolucionária. Foram resultado da guerra contra o nazismo, mas também produtos da contrarrevolução stalinista que liquidou a experiencia revolucionária soviética nos anos 30 do século XX.

O filme Das Leben der Anderen (A Vida dos Outros) revela bem o regime do medo, da opressão e da violência contra o qual se insurgiram os alemães.

O resultado foi positivo? A reunificação foi liderada pelos capitalistas, diante da ausência de uma alternativa autenticamente democrática e socialista. Assim, não poderia primar pela igualdade. Ao contrário. A desigualdade entre o lado oriental e o ocidental é uma marca da situação atual. Mais do que uma reunificação, o que ocorreu acabou sendo uma colonização da Alemanha Oriental.

A ausência de uma ideia comunista anti burocrática custou caro. Essa ausência segue um desafio decisivo dos nossos dias. Uma ausência dramática. Quando olhamos os insistentes e corajosos jovens de Hong Kong nas ruas enfrentando a repressão comandada por Pequim, ou seja, por aqueles que se intitulam Partido Comunista, vemos como ainda a construção de um projeto comunista que combine a defesa da igualdade e da liberdade é uma necessidade mundial.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
O MES completa 20 anos. A edição n. 14-15 da Revista Movimento é dedicada por completo ao importante evento que marca duas décadas de nossa história. Apesar de jovens, podemos dizer que poucas organizações na história política da esquerda brasileira alcançaram essa marca com tamanho vigor. Longe de autoproclamação, desejamos transformar nossos êxitos em força social e militante para novos e amplos impulsos. Ainda não cumprimos uma maratona, mas nossa história sem dúvida deixou para trás a visão de curto prazo, que alguns adversários nos chegaram a prognosticar. Diante das muitas provas, vitórias e algumas derrotas, podemos celebrar e somar forças para enfrentar as tarefas imediatas: derrotar a tentação autoritária de Bolsonaro e avançar na construção de uma alternativa socialista.