Contra o golpe na Bolívia e ao lado dos povos latino-americanos!
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Contra o golpe na Bolívia e ao lado dos povos latino-americanos!

É fundamental a solidariedade com o povo boliviano em sua luta contra o golpe e o apoio às mobilizações em nosso continente.

Israel Dutra e Thiago Aguiar 22 nov 2019, 13:39

Há dez dias, em 13 de novembro, após uma escalada reacionária, a senadora Jeanine Añez assumiu o governo da Bolívia, consumando a primeira fase do golpe civil-militar organizado pelas elites do país em colaboração direta com o imperialismo. A conturbada contagem eleitoral gerou um clima de instabilidade, que agravou o desgaste de Evo Morales. Numa ação coordenada, com a liderança dos setores ultraconservadores da região de Santa Cruz de la Sierra, com Camacho à cabeça, a força golpista se impôs. Evo seguiu numa jornada incerta ao exílio no México. Os governos e dirigentes direitistas de vários países celebraram o fim da “experiência progressista” na Bolívia. A direita festejou o assalto.

No entanto, o que está se vendo nos dez dias que nos separam da fraudulenta “posse” de Añez, é uma heroica resistência popular dentro e fora da Bolívia. Todos os dias, multitudinárias marchas tomam conta de El Alto, La Paz e Cochabamba. Os bolivianos emigrados organizaram marchas enormes em São Paulo e Buenos Aires.

A repercussão do desenlace do caso boliviano terá repercussões sobre todo o continente. A polarização está aumentando. As rebeliões populares do Equador e Chile representaram um ponto de inflexão continental. A greve geral na Colômbia amplia o terreno da ação de centenas de milhares de ativistas que enfrentam o neoliberalismo, a repressão e as tentativas de fechamento dos regimes. A Bolívia é o coração dessa batalha.

Bolsonaro e seu lugar-tenente Ernesto Araújo atuaram, de forma aberta e também nos bastidores, para consolidar o golpe. Como os meios de comunicação bolivianos denunciaram, houve coordenação e troca de informações entre Camacho, a burguesia sojeira de Santa Cruz e emissários do governo brasileiro. Infelizmente, os jornais brasileiros não exploraram tais vínculos, cuja difusão seria fundamental para o público nacional.

O PSOL tem organizando uma campanha efetiva com ações parlamentares, posicionamentos públicos e unidade com a comunidade residente em São Paulo.

O caminho da polarização

A temperatura política subiu nos últimos meses. Por um lado, as massas não se conformam com o modelo neoliberal que busca arrancar conquistas da classe trabalhadora e das massas populares; por outro, está em curso uma disputa contra a repressão e os projetos direitistas, que crescentemente inclinam-se para a contrarrevolução. O lançamento do partido neofascista de Bolsonaro e a orientação de sua política externa totalmente atrelada a Trump e à extrema-direita internacional são sinais disso.

Na América Latina, há um contexto de lutas sociais e repúdio eleitoral (caso da Argentina), em que se destacamos levantes do Equador e do Chile; a impressionante luta no Haiti; e a greve geral na Colômbia. Não há volta atrás: a polarização e as lutas vão seguir conforme se agrava a crise e a orientação autoritária e neoliberal dos governos. Recentemente, grupos fascistas nacionais e membros da oposição venezuelana pró-ianque invadiram a embaixada da Venezuela em Brasília, buscando instalar seus representantes em mais um passo da campanha internacional para instalar no poder o “autoproclamado” Guaidó. Foram impedidos de tomar a embaixada pela ação direta de ativistas dos movimentos sociais e dos partidos de esquerda e seus parlamentares. O PSOL, seus parlamentares combativos e a militância do partido no DF estiveram na linha de frente deste enfrentamento.

Por tudo isso, a luta na Bolívia é decisiva. É preciso apostar na mobilização pra derrotar o golpe, como mostram corajosamente as massas bolivianas, que ontem marchavam em La Paz contra a polícia e o Exército com os caixões de oito mortos pela repressão nos últimos dias. Também é um passo importante a greve mineira e a entrada em cena da classe trabalhadora organizada.

Um comunidade que se levanta

No último sábado, 16 de novembro, milhares de imigrantes bolivianos tomaram a Avenida Paulista, em São Paulo, para demonstrar com muita força seu repúdio ao golpe em curso no país. Também houve atos multitudinários de imigrantes bolivianos em Buenos Aires e Assunção.

A enorme e trabalhadora comunidade boliviana em São Paulo deu mostras de sua politização e disposição de luta, que certamente pode desenvolver-se em suas lutas por melhores condições de vida aqui no Brasil, país que ajudam a construir com seu suor e sua dedicação. É um dever dos socialistas defender os imigrantes e marchar lado a lado com eles em suas lutas. Nelas, estarão as bandeiras do PSOL.

As próximas horas e a esquerda

É fundamental a solidariedade com o povo boliviano em sua luta contra o golpe, além do apoio à mobilização em nosso continente dos trabalhadores, da juventude e das massas populares contra o neoliberalismo, o autoritarismo e os ataques da extrema-direita.

A luta na Bolívia, em particular, tem importância decisiva no desenlace dessa crise, em que se apresenta uma espécie de “pêndulo” entre as massas em luta e os ataques da extrema-direita continental a serviço do capital transnacional e das burguesias locais. Em nosso país, também é preciso tomar as ruas para defender as conquistas populares e derrotar Bolsonaro, Guedes e seu programa autoritário e neoliberal.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
O MES completa 20 anos. A edição n. 14-15 da Revista Movimento é dedicada por completo ao importante evento que marca duas décadas de nossa história. Apesar de jovens, podemos dizer que poucas organizações na história política da esquerda brasileira alcançaram essa marca com tamanho vigor. Longe de autoproclamação, desejamos transformar nossos êxitos em força social e militante para novos e amplos impulsos. Ainda não cumprimos uma maratona, mas nossa história sem dúvida deixou para trás a visão de curto prazo, que alguns adversários nos chegaram a prognosticar. Diante das muitas provas, vitórias e algumas derrotas, podemos celebrar e somar forças para enfrentar as tarefas imediatas: derrotar a tentação autoritária de Bolsonaro e avançar na construção de uma alternativa socialista.