Enegrecer a política e nossas lutas!

Enegrecer a política e nossas lutas!

A política para a população negra brasileira sempre foi a da negação de direitos e do genocídio físico e simbólico.

Negritude do MES 20 nov 2019, 18:32

Desde a Colonização, marcada pela Escravidão, até os dias de hoje, o povo negro têm estado na base de sustentação do sistema capitalista. A política para a população negra brasileira sempre foi a da negação de direitos e do genocídio físico e simbólico. Os mecanismos de violência contra os negros e negras apenas se se aperfeiçoaram: passamos de uma sociedade formada por casas grandes e senzalas para uma formada por condomínios e favelas — onde o “negro fujão” segue sendo o suspeito padrão. As comunidades quilombolas seguem, também, sob ataque direto das políticas nefastas dos governos. Esses territórios resistem historicamente no nosso país contra o Capital que está em constante ofensiva para mercantilizar (quando não destruir) as culturas, terras, matas e tudo que nelas habitam.

“Numa sociedade racista não basta não ser racista, é preciso ser antirracista!”

Angela Davis

Mas a negritude também se organiza e luta desde o primeiro a ser escravizado. Os Quilombos do Brasil seguem ameaçados, mas também vivos e resistentes há mais de 500 anos. “Aquilombar-se” é romper com o sistema ocidental capitalista, com a resistente “Casa Grande” enquanto centro político ditado pelas elites brancas e burguesas que impõe, de cima para baixo, uma estrutura opressora ao povo preto e a todos os povos explorados.

Por um anticapitalismo decolonial, antirracista e feminista!

Há uma tarefa fundamental às e aos anticapitalistas: oferecer uma proposta de superação do capitalismo e suas crises que passe necessariamente pela superação do racismo e do patriarcado, como elementos primários de sustentação do capitalismo, mas também do colonialismo. Seguir o exemplo dos lutadores no Haiti e no Chile: rejeitar a herança colonial e construir de baixo uma alternativa que derrube o poder dos de cima. Por um anticapitalismo decolonial, antirracista e feminista!

Há uma necessidade de apontar uma saída estratégica para tomar na mão o que nos é de direito histórico enquanto classe e enquanto raça: o poder de decidir sobre os rumos coletivos e produtivos da sociedade, distribuir renda, terra, trabalho educação moradia, reconhecer e garantir nossos territórios e outros direitos nunca foram conquistados no Regime Democrático de Direito, e que nunca serão concedidos pelas forças burguesas do Brasil. Não há como conquistar direitos para a sociedade como um todo sem que haja direitos para a população negra. Estamos denunciando e criando pela prática, a partir dos espaços que estamos ocupando, elaborações da sociedade que queremos com o fim do capitalismo, do racismo e do patriarcado. Para que não haja mais a cota natural de seres humanos mortos pelos interesses da burguesia, para que sejamos humanamente diferentes e socialmente iguais, precisamos romper com as correntes capitalistas, e só uma Revolução será capaz disso.

Temos muitos desafios para os próximos anos. O capitalismo não consegue apresentar saídas para o povo negro, em especial porque se retroalimenta do racismo e do machismo. Temos uma tarefa fundamental: apresentar um programa de transição, que tenha a negritude – em especial as mulheres negras – no centro e que reafirme o compromisso com as lutas contra o capitalismo colonial, racista e machista, em defesa dos Quilombos e quilombolas do Brasil.

No próximo período, é fundamental que nos debrucemos sobre a construção de um programa para o Brasil, em sintonia com as lutas do mundo inteiro, e para isso é fundamental se debruçar sobre a questão racial do nosso país. Isso passa por afirmar uma política que aponte a resistência à barbárie! Precisamos de um programa econômico que apresente uma saída concreta à população negra, que é a principal atingida com os alarmantes números do desemprego e com os postos mais precarizados. É fundamental que lutemos por uma educação antirracista e popular, com garantia de reparação histórica e científica a quem tem sido marginalizado e excluído dos debates nas escolas e universidades. É nosso dever lutar pela demarcação e Titulação dos Territórios Quilombolas e Respeito ao Direito de Consulta aos Povos Quilombolas antes de qualquer empreendimento tentar se instalar num território quilombola.

  • Taxação das grandes fortunas! Por reparação histórica do Estado Brasileiro!
  • Emprego e moradia. Reforma urbana e agrária. A periferia é o centro!
  • Mais escolas, menos presídios! Mais livros, menos armas! Por educação pública gratuita e de qualidade!
  • Educação feminista e antirracista! Chega de violência contra a mulher! Pela legalização do aborto e educação sexual!
  • Demarcação e Titulação dos Territórios Quilombolas e Respeito ao Direito de Consulta aos Povos Quilombolas sobre seus territórios.
  • Cuidado e educação para as crianças! Creches já!
  • Pelo respeito a tradição e ao direito de inovar! Por cultura e arte!
  • Contra a violência e intolerância religiosa!
  • Ampliação e defesa da melhoria do SUS!
  • Não ao pacote antipobre, antipreto e feminicida de Moro e Bolsonaro – rechaço total ao pacote supostamente“anticrime” proposto por Moro, que é parte da política genocida desse Governo. Chega de Guerras ás drogas! FORA BOLSONARO!

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Publicamos a décima sétima edição da Revista Movimento ainda sob o impacto da pandemia da Covid-19. Em todo o mundo, as contradições acumulam-se. Este volume está dedicado à análise de várias dimensões desta verdadeira crise global e de seus desdobramentos. Com destaque, tratamos da mobilização antirracista nos Estados Unidos e no mundo, iniciada após o assassinato de George Floyd, e da situação brasileira, discutindo a crise do governo Bolsonaro e as recentes manifestações dos trabalhadores por aplicativos.