O ataque do MPF contra Glenn é uma afronta à liberdade de imprensa
Glenn Greenwald. Laycer Tomaz / Câmara dos Deputados

O ataque do MPF contra Glenn é uma afronta à liberdade de imprensa

Todos que não aceitem o fechamento do regime e ataques à liberdade de imprensa devem se juntar na defesa de Glenn Greenwald.

Revista Movimento 29 jan 2020, 17:35

Na terça-feira, dia 21/01, o MPF, através do Procurador Wellington Oliveira, denunciou o jornalista Glenn Greenwald sem qualquer investigação em curso. Os diálogos que o MPF utilizou para justificar a denúncia, oriundos da Operação Spoofing, foram minuciosamente analisados pela Polícia Federal. A conclusão da PF foi peremptória: não identificou qualquer participação de Glenn nos crimes investigados.

Isso leva a única conclusão possível: foi um ataque orquestrado pela extrema-direita no judiciário, sem qualquer fundamento ou base fática. O procurador Wellington de Oliveira é conhecido por suas posições conservadoras, foi membro do exército e ficou conhecido por apresentar denúncia contra o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz.

A imediata reação de importantes atores políticos, sobretudo dos ligados à imprensa, foi importante para não naturalizar o gesto. Toda e qualquer escalada autoritária deve ser repelida de imediato.

Os ataques à liberdade de expressão são parte de uma afronta mais geral aos elementos democráticos, na ação consciente do bolsonarismo em impor um novo regime, com características autoritárias. Vários elementos apontam nessa direção: O atentado contra o grupo Porta dos Fundos, do qual o grupo liderado pelo integralista Eduardo Falzi assumiu a autoria, foi um grave precedente. O caso mais vivo foi o pronunciamento de Roberto Alvim, imitando a estética nazista, com direito a citação de Joseph Goebbels.

Não é um tema menor. Os setores mais autoritários da sociedade testam os limites da resistência democrática. Estão se sentido mais à vontade para lutar por seu programa e suas ideias.

É preciso parar a mão do governo.

Unidade de ação ampla: defender Glenn e a liberdade de imprensa

A unidade de ação — tomando exemplo de como foi o ato da ABI no ano de 2019 — é um imperativo para defender o conjunto das liberdades democráticas.

A defesa de Glenn já foi tomada por importantes setores democráticos como Bernie Sanders, Edward Snowden, OAB, Abraji, Anistia Internacional e parcela expressiva da mídia internacional. Todos aqueles que, independente da orientação político ou ideológica, não aceitem o fechamento do regime ou ataques/restrições da liberdade de imprensa, devem se juntar nessa causa.

Publicamos junto a esse editorial a tradução de dois importantes artigos:


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.