Bolsonaro é a expressão selvagem do capitalismo, impeachment já!
Jair Bolsonaro em pronunciamento.

Bolsonaro é a expressão selvagem do capitalismo, impeachment já!

Setores cada vez mais amplos da população expressam horror diante de um presidente que manda abrir escolas e nega o isolamento social com o objetivo de reduzir prejuízos econômicos, mesmo que isto custe milhares de vidas.

Luciana Genro 25 mar 2020, 09:24

A crise do coronavírus revelou a face mais horrenda de Bolsonaro. Sua arrogância, egoísmo, desprezo pela vida dos mais frágeis, sua negação da ciência e seu empenho em defender, de forma selvagem e irresponsável, os interesses econômicos acima dos interesses da humanidade.

No dia 18 de março, quando expressei à deputada Fernanda Melchionna minha opinião sobre a necessidade imediata de ingressar com o pedido de impeachment de Bolsonaro, ainda não estava tão evidente para a maioria do povo o risco de morte que significa a continuidade do atual presidente à frente do governo. Mas a necessidade se impunha, e o trabalho da deputada conseguiu ampliar o apoio ao pedido, unindo trabalhadores, intelectuais, artistas, políticos, militantes, professores e estudantes. A decisão se mostrou imediatamente acertada, colocando de forma séria a necessidade de remover Bolsonaro do poder para salvar o país.

Com o pronunciamento de ontem à noite a situação evoluiu. Setores cada vez mais amplos da população expressam horror diante de um presidente que manda abrir escolas e nega o isolamento social com o objetivo de reduzir prejuízos econômicos, mesmo que isto custe milhares de vidas.

Minha aposta é que Bolsonaro não vai sobreviver ao coronavírus. Até para salvar as aparências do sistema, os segmentos mais inteligentes da burguesia estão se dando conta que está chegando o limite. Mas isso ainda não está dado, é uma luta em curso.

Bolsonaro, assim como o seus amigos empresários da Havan e da rede de restaurantes Madero, expressam de forma tosca a lógica de um sistema que coloca, e sempre colocou, o lucro acima da vida. É totalmente desumano e chocante que o “véio” da Havan diga que vai demitir 22 mil funcionários, pagar todas as suas contas e ainda terá dinheiro para ir embora para a praia. Ou que o Júnior Durski, do Madero, diga que a economia não pode parar por causa de “5 ou 7 mil mortes”. Mas é inaceitável que o responsável pela condução do Estado brasileiro aja de acordo com este discurso tosco e irresponsável. Desta forma Bolsonaro põe em cheque a credibilidade não do governo, mas do Estado enquanto ente supostamente acima das classes sociais e que tem como função defender o interesse público e não os lucros privados. Bolsonaro abre o jogo, tira as máscaras e mostra a face mais perversa do sistema capitalista.

Como tem dito o vereador e dirigente nacional do PSOL Roberto Robaina, Bolsonaro pode ser um fusível a ser queimado. Para defender a credibilidade do sistema é possível que a burguesia decida afastá-lo. Neste caso os interesses do povo convergem. É preciso seguir e ampliar a luta pelo impeachment.

Com certeza é um trauma para o país ter de enfrentar uma pandemia cruel, ver milhões empobrecendo e muitos destes caindo na miséria e ainda enfrentar as dificuldades inevitáveis de toda a luta de vida ou morte para derrubar o governo. Mas é necessário, e cada dia menos impossível. Derrubar Bolsonaro para salvar o país, lutar por um programa de emergência que comece pela garantia de atendimento médico a todos os que precisam, renda básica para os necessitados e tributação das grandes fortunas. É isso ou terra arrasada.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.