Em meio à crise, Brasil sem líder
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Em meio à crise, Brasil sem líder

O Brasil precisa de uma liderança que proponha medidas como as que PSOL propôs.

Fernanda Melchionna 24 mar 2020, 17:55

O Brasil está na iminência de uma das mais dramáticas crises na saúde que o país já viveu, com mais de 230 casos de coronavírus registrados até esta segunda-feira (16). Os 170 mil casos confirmados no mundo, até o momento, mostram que a pandemia está se espalhando rapidamente. Dados de uma pesquisa preliminar da Universidade de Oxford projetam que cerca de 478 mil pessoas podem morrer apenas no nosso país se continuarmos na estagnação de políticas públicas.

O globo inteiro está tomando medidas emergenciais e estruturais para evitar o alastramento da pandemia, afinal momentos de urgência demandam ações urgentes. O que o Brasil precisa é de uma liderança que proponha medidas como as que PSOL propôs, como o estabelecimento imediato de restrição do contato social, criação de medidas compensatórias de transferência de renda, que os R$15 bilhões destinados ao Congresso em emendas parlamentares sejam destinados integralmente à área da Saúde, a revogação da EC 95, que impede o aumento de investimentos na área e um cuidado especial aos profissionais da saúde, que podem ser atingidos pela pandemia de forma drástica.

Bolsonaro tem feito justamente o contrário. Convocou manifestações com teor autoritário que pediram o fechamento do Congresso Nacional, do STF e a implantação do AI-5, que restringiu as liberdades democráticas na época da ditadura civil-militar e institucionalizou a tortura. Não contente em apenas divulgá-las, saiu no último domingo do Palácio do Planalto para interagir com os manifestantes, mesmo sob o risco de estar infectado, já que no mínimo 10 pessoas de sua comitiva estão.

Bolsonaro já vinha cometendo crimes de responsabilidade por insuflar ataques à democracia, mas agora, como bem pontuou Rosane de Oliveira em Zero Hora, comete um crime de responsabilidade sanitária. É bastante óbvio que ele não tem as mínimas condições de continuar sendo presidente do país e não tem se comportado como um chefe de Estado, mas como um animador criminoso da extrema-direita. Como disse a deputada Luciana Genro, talvez este seja o pior momento para um impeachment, mas talvez seja a única saída diante de tamanha irresponsabilidade.

Artigo originalmente publicado na revista Fórum. Reprodução da versão disponibilizada pelo site da deputada.

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.