Impeachment do Bolsonaro é uma questão de vida ou morte!
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Impeachment do Bolsonaro é uma questão de vida ou morte!

A inépcia do governo é um ato criminoso e genocida que ameaça o futuro do país.

Italo Laredo 27 mar 2020, 16:42

A crise política brasileira desce mais alguns degraus revelando, especialmente, os efeitos concretos da pandemia sob o sistema público de saúde brasileiro somados com a falta de investimento.  E, como ainda não fosse o bastante, Jair Bolsonaro – ainda presidente da república – contraria as medidas introduzidas no país para frear o avanço do Coronavírus.

Com antecedência, é extraordinário salutar que a lei de teto dos gastos acelera a esteira da crise mais dramática da nossa história, efetivamente porque expõe a contradição catastrófica da Emenda Constitucional nº 95, aprovada pelo Congresso Nacional em 2016. O impacto deste rígido regime fiscal (o qual congelou os recursos com despesas primárias por vinte anos) diante dessa crise realçou a fragilidade e a insuficiência do sistema de seguridade social, sobretudo por ter inviabilizado o aumento da destinação de recursos para saúde, previdência social e educação.

Realizado a ressalva, damos prosseguimento. A maioria dos países adotou o isolamento horizontal, cujo objetivo é reduzir ao máximo o fluxo de pessoas. Essa medida impõe fechamento de parte do comércio, bares, casas noturnas como forma de evitar aglomerações. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), medidas drásticas, como o isolamento social de toda a comunidade, tem sido a forma mais eficaz para conter a transmissão do vírus.

Em contrapartida, a defesa do Bolsonaro é que o isolamento social seja recomendado apenas para as pessoas do grupo de risco e pessoas que estão comprovadamente infectadas. No raciocínio do presidente, o isolamento vertical (que determina grupos específicos) é a medida mais factível para evitar um colapso econômico. Esta estratégia além de inepta, é diametralmente oposta às recomendações de especialista e das entidades de saúde.

Diante desse inusitado interesse do governo em garantir a rentabilidade do capital financeiro e total incapacidade do governo frente ao caos suscitado pelo Coronavírus, a situação brasileira acende outro sinal de alerta: o impeachment. Não é de hoje que Bolsonaro dá motivos para sua queda, mas sim desde o início do governo. Todavia, a inépcia do governo sobre a crise humanitária provocada pela COVID 19 não pode ser apenas interpretada como falta de inteligência, estupidez e imbecilidade, mas como um ato criminoso e genocida que ameaça o futuro do país.

É impossível projetar o impacto da doença causada pela Coronavírus em relação ao número de vítimas, menos ainda prever o abalo real sob como a educação, transporte, economia, entre outros. A única certeza, alerta especialista, se o Brasil não tomar as urgentes medidas de controle epidemiológico e aumentar o montante de recursos públicos destinados à assegurar os direitos sociais e individuais da população, sobretudo pobre, o futuro não se apresentará como favorável. E, conforme vemos, Bolsonaro não está disposto a fazer isso!

Portanto, o impeachment, neste momento, não é contraproducente, tampouco inoportuno e oportunista, justamente porque se trata de uma resposta política “para salvar o país”, como aponta Luciana Genro, deputada estadual do PSOL (RS). A epidemia do Coronavírus evidenciou uma fissura muito grave no governo Bolsonaro. E isso pode vir a se tornar a soma incendiária que se acumula cada vez mais com os “janelaços” contra o Bolsonaro.

 Certamente, com esta política vem muitas dúvidas e incertezas,  mas, em ocasiões de crise aguda, não se pode dourar a pílula e, muito menos, aguardar o curso natural das coisas sabendo que se avizinha o precipício. Dito isso, não é exagero e nem muito cedo para afirmar que, se não impedido, o Bolsonaro conduzirá o país ao colapso. O impeachment do Bolsonaro é uma questão de vida ou morte! Fora Bolsonaro!


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.