Pandemia Covid19: Quem protege os trabalhadores da saúde?
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Pandemia Covid19: Quem protege os trabalhadores da saúde?

Na linha de frente do combate à pandemia do coronavírus, lá estão eles, os trabalhadores da saúde.

Roberto Robaina 18 mar 2020, 18:03

Na linha de frente do combate à pandemia do coronavírus, lá estão eles, os trabalhadores da saúde. Mas quem está nessa batalha para protegê-los, já que, em situações como essa, não podem ser afastados de suas atividades, ficam mais expostos à contaminação e ainda têm de lidar com a sobrecarga de trabalho?

Em reunião com dirigentes do SindiSaúdeRS, das associações de servidores do HPS e do Grupo Hospitalar Conceição ( AsHPS e ASERGHC) e Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), debatemos a lentidão dos governos na adoção de medidas efetivas para amparar esses profissionais, que, em última instância, são o esteio da população.

As orientações nos postos de atendimento estão chegando muito tarde. O que se tem é via celular, mas precisamos que as informações estejam visíveis, fixadas nas paredes. A concentração de pessoas está na saúde pública. Quem está amparando a pandemia é o SUS – disse Daniela Coelho, integrante da direção do Simpa e do conselho administrativo da Previmpa que atua no PA Cruzeiro do Sul.

Gabinete sindical de crise

Um gabinete sindical da saúde para a crise deve ser organizado nos próximos dias para que se assegure as mínimas condições de trabalho, recursos extras para o atendimento e restrições mais enérgicas para conter a contaminação pelo coronavírus, além de ampliação do quadro de trabalhadores da saúde via contratações emergenciais e suspensão de desligamentos.

“Seria muito irresponsável manter o ataque aos trabalhadores do Imesf (Instituto Municipal de Estratégia de Saúde da Família)” reforçou o médico Marcelo Rocha, que atua nos PAs Lomba do Pinheiro e Bom Jesus.

Os sindicatos e as associações de servidores da saúde também querem garantias de que os profissionais com mais de 60 anos, grupo de risco nos quadros da Covid-19, e gestantes sejam afastados, mas que haja reposição imediata dessa mão de obra, ou aumentará ainda mais a dificuldade de atendimento no sistema.

Valmor Guedes, diretor de comunicação da ASERGHC e diretor jurídico do SindiSaúde, explicou que o fortalecimento das equipes de atenção básica que estão fazendo as visitas domiciliares é fundamental para reduzir o fluxo de doentes nas unidades.

A urgência dessa medida é compartilhada pelo presidente da ASERGHC, Arlindo Ritter, e pelo presidente do SindiSaúdeRS, Júlio Jesien, que defendem o compromisso com a estabilidade do emprego dos trabalhadores e mais cobrança de empenho da rede privada na redução dos riscos de colapso na saúde.

No principal hospital de emergência de Porto Alegre, o HPS, a preocupação do secretário adjunto da AsHPS, Valdionor Freitas, é a falta de técnicos, uma carência de 250 profissionais, nas contas da associação. Trabalhador do Hospital Presidente Vargas e coordenador geral do Simpa, João Ezequiel defendeu a restrição geral dos serviços em Porto Alegre, mantendo-se apenas os essenciais.

Fiscalização dos governos e das gestões

Como vereador, e apesar de a Câmara Municipal ter suspendido as atividades por conta da pandemia, mantenho o trabalho de fiscalização dos governos e o apoio aos trabalhadores na fiscalização das gestões de postos e hospitais. Assessor sindical da ASERGHC e do SindiSaúde, Etevaldo Teixeira fez um alerta importante: todas essas reivindicações devem ser postas já nas discussões com as patronais.

Essa reunião, que contou com a presença também do vice-presidente da ASERGHC, o servidor do Hospital Fêmina Ricardo Rosa, e de lideranças do Sindimetrô, foi um passo importante para a união de forças na aplicação de medidas práticas que orientem os trabalhadores e os protejam da falta de responsabilidade de governantes como Bolsonaro e da lentidão nas ações públicas. Os profissionais da saúde são protagonistas nessa luta, não coadjuvantes. Precisam ser cuidados.

Os profissionais da saúde pedem socorro

  • Ampliação das informações sobre a Covid-19 nas unidades de saúde.
  • Fim do teto de gastos na saúde
  • Garantia dos equipamentos de proteção individual nas unidades.
  • Destinação dos R$ 15 bilhões de emendas impositivas para a saúde.
  • Ampliação de leitos de UTI.
  • Reforço nas equipes de atenção básica.
  • Afastamento de servidores com mais de 60 anos e gestantes com imediata reposição dos profissionais.
  • Cancelamento das demissões no IMESF.
  • Mais medidas de restrição à circulação de pessoas, como paralisação de serviços não essenciais.

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.